Encontro reforça atenção ao fluxo de atendimento a pacientes com Chagas

A Secretaria de Saúde do Pará (Sespa), por meio das equipes das Diretorias de Vigilância em Saúde (DVS) e de Políticas de Atenção Integral em Saúde (DPAIS), realizou reunião com representantes do Laboratório Central do Estado (Lacen) e das Secretarias de Saúde de Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides e Santa Izabel do Pará com o objetivo de aperfeiçoar o fluxo de prevenção à Doença de Chagas e o atendimento a pacientes notificados com o agravo na Região Metropolitana de Belém. O encontro ocorreu no auditório da Procuradoria Geral do Estado (PGE), em Belém.

Na oportunidade foram discutidas a rede de diagnóstico, acompanhamento/seguimento dos casos de Doença de Chagas e o trabalho da vigilância sanitária junto aos batedores de açaí, por meio do programa “Açaí com Qualidade”. Entre as deliberações do encontro, consta a proposta de um plano de ação de acordo com as especificidades de cada município, para que as equipes da Sespa possam apoiar, de forma integrada, o fortalecimento das atividades de mobilização e combate à doença de Chagas.

O momento também foi de esclarecer os efeitos da Portaria 1.061, do Ministério da Saúde, publicada em 18 de maio deste ano, que estabelece a notificação imediata para doença de chagas aguda em até 24 horas e a notificação semanal para o tipo crônico. Durante o encontro, a diretora do Departamento de Controle de Doenças Transmitidas por Vetores, Adriana Tapajós, explicou que o encerramento dos casos em até 60 dias após a data de notificação é um indicador de relevância para a vigilância, pois subsidia a tomada de decisões em tempo oportuno mediante o caso notificado.

No Pará, há 86 municípios classificados como área de risco para a transmissão da Doença de Chagas. No período de 2007 a junho de 2020, foram confirmados 2.890 casos do agravo no Pará, dos quais 546 somente nos cinco municípios da Região Metropolitana de Belém. O Estado ainda é responsável por pouco mais de 80% de casos confirmados em todo o país, levando-se em consideração o período entre 2007 e 2018.  A diretora do Departamento de Controle de Doenças Transmitidas por Vetores, Adriana Tapajós, explica que o encerramento dos casos em até 60 dias após a data de notificação é um indicador de relevância para a vigilância, pois subsidia a tomada de decisões em tempo oportuno mediante o caso notificado.

De acordo com Adriana, a transmissão por via oral continua sendo a causa mais prevalente como forma provável de infecção. Por meio da Coordenação Estadual do Programa de Controle da Doença de Chagas, a Sespa tem intensificado as ações em todos os Centros Regionais de Saúde para que orientem municípios de abrangência no que se refere a monitoramento, treinamentos em investigação epidemiológica de Chagas, orientações de educação em saúde e mobilização social.

Com o apoio das Secretarias Municipais de Saúde, recebem os treinamentos e capacitações profissionais como agentes de endemias, agentes comunitários de saúde, enfermeiros e médicos, além dos profissionais das vigilâncias sanitárias do setor de entomologia e batedores de açaí.

O objetivo é fortalecer os trabalhos de prevenção com estratégias que visam à identificação e redução de casos da doença. Os profissionais fazem a investigação de surto nos municípios de ocorrência; e distribuição de material educativo (folder e manuais).

Milvea Carneiro, diretora de Vigilância Sanitária da Sespa, lembra que o papel da Sespa no combate à doença é de cunho orientador, por meio de treinamentos e recomendações técnicas às secretarias municipais de Saúde, cujas equipes de vigilância sanitárias são as designadas para execução da vigilância de boas práticas de higiene em locais de vendas e processamento de alimentos. Os batedores de açaí treinados devem levar a sério o processamento de branqueamento recomendado nos cursos.

A Sespa e seus 13 Centros Regionais de Saúde (CRS) têm mantido o papel de supervisão das ações dos municípios como compromisso de apoiar, auxiliar e monitorar as atividades em todos os municípios, principalmente nos considerados prioritários para o Programa de Controle de Chagas durante os primeiros seis meses de cada ano, período de baixa ocorrência de casos, coincidindo com a entressafra da colheita de açaí, cujo auge da safra ocorre a partir de todo mês de agosto.

No sentido de manter o cerco ao agravamento de casos já instalados, em 2012 uma portaria da Sespa definiu o fluxo de assistência para pacientes com doença de Chagas no Estado do Pará em cumprimento ao protocolo instituído pelo Ministério da Saúde. Hoje, a referência estadual é o Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), onde funciona o Programa Multidisciplinar em Doença de Chagas, também atrelado ao Hospital de Clínicas Gaspar Vianna. Além de atender aos pacientes, o serviço do HUJBB é campo de pesquisa e fonte de informações científicas sobre doença de Chagas para os profissionais médicos e residentes do Estado.

*Fotos de Mozart Lira (Ascom/Sespa).

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