Fórum vai discutir tratamento para câncer de útero avançado no Pará

Como parte do aperfeiçoamento da rede de assistência para o controle do câncer de colo do útero no Pará, implantada a partir de fevereiro deste ano, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) realiza nesta sexta-feira, 29, em Belém, um fórum de discussão para a elaboração do protocolo paraense de tratamento da doença em estágio avançado. Voltado para profissionais de saúde, o evento contará com palestras de médicos de duas instituições de referência nacional: o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) e o Hospital Napoleão Laureano, de João Pessoa, Paraíba.

A ser realizado no hotel Atrium Quinta de Pedras, de 8 às 17 horas, o Fórum compõe uma série de iniciativas da Sespa tem feito para conter o avanço da doença, que só no ano passado levou 329 pacientes a óbito só no Estado, e elevou o agravo uterino como a primeira causa de morte por câncer entre mulheres no Pará, ultrapassando o de mama.

O apoio na realização do Fórum será dado por dois médicos oncologistas clínicos, Williams Barra e Sandro Cavallero, que mediarão as palestras “Atualização no manejo da mulher com câncer de colo uterino, persistente, recorrente e metastático”, com Daniela Freitas, oncologista do Icesp, e “Compartilhando a aplicação do protocolo clínico no tratamento da mulher com câncer de colo uterino avançado no serviço público de saúde”, com Dalva Arnaud, médica oncologista do Hospital Napoleão Laureano.

Dois dos três momentos anteriores ao Fórum foram os treinamentos oferecidos para profissionais de saúde, ocorridos entre 27 e 28 de setembro em Belém e em Santa Isabel do Pará, como forma de atualizar profissionais de Enfermagem e Agentes Comunitários de Saúde sobre medidas mais eficazes para o rastreamento desse tipo de câncer. Outra linha de treinamento desenvolvido entre a comissão da Sespa e a Roche foi a “Siga-me”, que consistiu na capacitação de 55 técnicos de Enfermagem que estarão alimentando sistema de dados com mensagens que serão enviadas as usuárias do SUS. Essas mensagens vão acompanhar, orientar e avisar sobre o tratamento do colo de útero.

Tanto o Fórum como os treinamentos fazem parte de uma ideia traçada pela secretária adjunta de Saúde Pública, Heloísa Guimarães, e ampliada em forma de ações e debates que estão sendo realizados por integrantes das coordenações estaduais de Saúde da Mulher, Atenção Oncológica e Educação Permanente em Saúde, pela Assessoria Técnica do Gabinete e pelo Núcleo de Gestão na Atenção à Mulher no Controle do Câncer de Colo do Útero e Mama (Nagam).  Os treinamentos contam com o apoio da empresa Roche, pioneira na área da saúde com produtos e serviços inovadores para detecção precoce, prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças.

Cenário da doença

O câncer de colo do útero é o tumor com maior potencial de prevenção e cura quando diagnosticado em estágio inicial. Para Heloísa Guimarães, o conhecimento insuficiente da doença, por parte da população, e das ferramentas para sua prevenção e tratamento, por parte inclusive de profissionais de saúde, podem estar entre as causas das altas taxas de incidência, morbidade e mortalidade no Pará. Segundo ela, o papel de quem está na atenção básica é fundamental para desmistificar algumas barreiras culturais associadas à falta de informação, como a vergonha de realizar exame ginecológico ou proibição por parte de maridos e namorados.

“Tudo passa pela comunicação e a maneira de informar sobre as sobre as ferramentas de prevenção, como a vacina, exame preventivo de papanicolaou e avanços no tratamento”, explica a secretária adjunta de Saúde do Estado. “O objetivo desse Fórum é discutirmos a elaboração de um protocolo que possa garantir as pacientes o acesso a terapias mais ativas”, complementou.

Em 2013, o Hospital Ophir Loyola recebeu 488 casos novos, 547 em 2014 e 564 em 2015. “De 2005 a 2010, a instituição recebeu 3,5 mil casos novos de câncer do colo do útero por ano. Desse total, 1.437 já chegaram em estágio avançado e foram diretamente para cuidados paliativos. Muitos casos poderiam ser curados, se diagnosticados precocemente.  Em 2014, 271 mulheres morreram devido à doença no Pará. No ano seguinte, esse número subiu para 323 e, em 2016,avançou para 329.

Em todo o Pará já existem 20 Serviços de Referência para Diagnóstico e Tratamento de Lesões Precursoras do Câncer do Colo do Útero, onde são feitos diagnósticos e tratamentos precoces desse tipo de câncer. Nesse caso,a  Sespa tem se empenhado a fortalecer as ações de controle do câncer de mama por meio da campanha “Outubro Rosa”, e intensificará a prevenção do câncer de colo do útero, garantindo tratamento de lesões precursoras, sobretudo na inserção da população feminina de 25 a 64 anos, por região de saúde e município. A meta é quantificar 40% da população feminina para o Exame de Rastreamento do Câncer de Colo do Útero (PCCU). Por isso, a participação e o engajamento das equipes de saúde básica, especialmente os Agentes Comunitários de Saúde (ACS), é primordial.

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