Profissionais de saúde são treinados no rastreamento do câncer de útero no Pará

A secretária adjunta de Estado de Saúde, Heloisa Guimarães, durante a abertura dos treinamentos ministrados pela parceria entre Sespa e Roche, voltados para profissionais de Enfermagem e Agentes Comunitários de Saúde de Belém.
Foto: Mozart Lira (Ascom/Sespa)
Belém, Pará: 27/09/2017.

Como parte do aperfeiçoamento da rede de assistência para o controle do câncer de colo do útero no Pará, implantada a partir de fevereiro deste ano, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) passou a realizar nesta quarta-feira, 27, dois tipos de treinamento para profissionais de saúde que são atuantes no rastreamento do câncer uterino. A medida visa reduzir os índices de morte da doença, que só no ano passado levou 329 mulheres a óbito só no Estado.

Os treinamentos fazem parte de uma ideia traçada pela secretária adjunta de Saúde Pública, Heloísa Guimarães, e ampliada em forma de ações e debates que estão sendo realizados por integrantes das coordenações estaduais de Saúde da Mulher, Atenção Oncológica e Educação Permanente em Saúde, pela Assessoria Técnica do Gabinete e pelo Núcleo de Gestão na Atenção à Mulher no Controle do Câncer de Colo do Útero e Mama (Nagam).

Os treinamentos contam com o apoio da empresa Roche, pioneira na área da saúde com produtos e serviços inovadores para detecção precoce, prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças. “A nossa linha de investimento e pesquisa é nas áreas de oncologia e doenças raras. E como o Pará possui um dos maiores índices de morte por câncer uterino no Brasil, nos traz uma responsabilidade social de cooperar com o Estado no rastreamento para prevenir e reduzir novos casos”, explica Aline Santana de Oliveira, gerente de Acesso Público da Roche.

No dia 27, divididos em duas turmas no auditório da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e de Pesca (Sedap), 400 profissionais de saúde, entre servidores de Enfermagem e Agentes Comunitários de Saúde, da Secretaria de Saúde de Belém (Sesma) passaram pelo treinamento denominado “Inovação C – Máfaro”, que consiste, a princípio, na aplicação de um questionário que será utilizado pelos agentes de saúde da família e fará, entre outras possibilidades, com que a paciente seja acompanhada, desde o diagnóstico, passando pelo tratamento e até as possibilidades de cura.

A secretária adjunta de Estado de Saúde, Heloísa Guimarães, durante a abertura dos treinamentos ministrados pela parceria entre Sespa e Roche.
Foto: Mozart Lira
Ascom/Sespa.
Belém, 27/09/2017.

Esse mesmo treinamento será desenvolvido no dia 28, no auditório do campus BR da Universidade da Amazônia (Unama), de 14 às 18 horas, para outros profissionais de Enfermagem  e Agentes Comunitários de Saúde indicados pelos  municípios de Ananindeua (80 vagas), Benevides (40), Marituba (40) e Santa Bárbara (40). Também no dia 28, só que na Associação Comercial de Indústria Izabelense, em Santa Izabel, o “Inovação C – Máfaro” será ministrado  para profissionais de saúde de Acará, Bujaru, Colares, Concórdia do Pará, Santa Izabel, São Caetano de Odivelas, Santo Antonio do Tauá, Tomé Açu e Vigia.

Outra linha de treinamento desenvolvido entre a comissão da Sespa e a Roche é “Siga-me”, que consiste na capacitação de técnicos de Enfermagem que estarão alimentando sistema de dados com mensagens que serão enviadas as usuárias do SUS. Essas mensagens vão acompanhar, orientar e avisar sobre o tratamento do colo de útero.  

O treinamento para o “Siga-me” aconteceu nesta quinta-feira, 27, na Escola Técnica do SUS, em Belém, pelo qual foram capacitados 55 cinco técnicos oriundos de Belém, Ananindeua, Benevides, Marituba, Santa Bárbara, Acará, Bujaru, Colares, Concórdia do Pará, Santa Izabel, São Caetano de Odivelas, Santo Antonio do Tauá, Tomé Açu e Vigia.

 

Dados

A gerente de acesso público da Roche, Aline de Oliveira, durante a abertura dos treinamentos ministrados pela parceria entre Sespa e Roche para o melhor rastreamento do câncer de útero no Pará.
Foto: Mozart Lira (Ascom/Sespa)
Belém, Pará: 27/09/2017.

O câncer de colo do útero é o tumor com maior potencial de prevenção e cura quando diagnosticado em estágio inicial. Para Helóisa Guimarães, o conhecimento insuficiente da doença, por parte da população, e das ferramentas para sua prevenção e tratamento, por parte inclusive de profissionais de saúde, podem estar entre as causas das altas taxas de incidência, morbidade e mortalidade no Pará. Segundo ela, o papel de quem está na atenção básica é fundamental para desmistificar algumas barreiras culturais associadas à falta de informação, como a vergonha de realizar exame ginecológico ou proibição por parte de maridos e namorados.

“Tudo passa pela comunicação e a maneira de informar sobre as sobre as ferramentas de prevenção, como a vacina, exame preventivo de papanicolaou e avanços no tratamento”, explicou a secretária adjunta de Saúde do Estado, que foi uma das palestrantes do evento, que também contou com a participação da coordenadora de Saúde da Mulher da Sesma, Camila Miranda, e do médico oncologista Willlians Barra, do hospital universitário João de Barros Barreto.

O médico oncologista Willians Barra, do Hospital Universitário João de Barros Barreto, durante a abertura dos treinamentos ministrados pela parceria entre Sespa e Roche para o melhor rastreamento do câncer de útero no Pará.
Foto: Mozart Lira (Ascom/Sespa)
Belém, Pará: 27/09/2017.

Em 2013, o Hospital Ophir Loyola recebeu 488 casos novos, 547 em 2014 e 564 em 2015. “De 2005 a 2010, a instituição recebeu 3,5 mil casos novos de câncer do colo do útero por ano. Desse total, 1.437 já chegaram em estágio avançado e foram diretamente para cuidados paliativos. Muitos casos poderiam ser curados, se diagnosticados precocemente.  Em 2014, 271 mulheres morreram devido à doença no Pará. No ano seguinte, esse número subiu para 323 e, em 2016, para 329.

Em todo o Pará já existem 20 Serviços de Referência para Diagnóstico e Tratamento de Lesões Precursoras do Câncer do Colo do Útero, onde são feitos diagnósticos e tratamentos precoces desse tipo de câncer. Segundo Nazaré Falcão, coordenadora do Nagam,  neste ano a Sespa continuará fortalecendo as ações de controle do câncer de mama, e intensificará a prevenção do câncer de colo do útero, garantindo tratamento de lesões precursoras. “Nesse projeto estamos inserindo a população feminina de 25 a 64 anos, por região de saúde e município. A meta é quantificar 40% da população feminina para o Exame de Rastreamento do Câncer de Colo do Útero (PCCU). Para isso, vamos contar com as equipes de saúde básica, especialmente os Agentes Comunitários de Saúde (ACS)”, informou.

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