Programação alerta profissionais para prevenção do suicídio


FOTO: JOSÉ PANTOJA / ASCOM SESPA

Profissionais de saúde participaram, nesta sexta-feira (29), no auditório da Escola Técnica do SUS (EtSus), de uma programação científica alusiva ao Setembro Amarelo, mês mundial de prevenção do suicídio. O evento foi realizado pela Coordenação Estadual de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas, com o objetivo de chamar a atenção para esse assunto, que já preocupa como problema de Saúde Pública no Brasil e no mundo.

O médico psiquiatra e coordenador estadual de Saúde Mental, Ângelo Crescente Júnior, disse que a proposta do evento era sensibilizar, mobilizar e capacitar ainda mais os profissionais da área de Atenção Psicossocial, que lidam com essa demanda nos serviços de saúde. “Suicídio é um tema que não se pode negligenciar e, que precisa ser debatido pelos profissionais de saúde, principalmente, em função dos dados estatísticos divulgados pelo Ministério da Saúde, que apontam um aumento de suicídio entre os jovens. “E considerando esse aspecto é importante haver um olhar tanto da Saúde como da Educação para esse problema”.

Estatística – De acordo com a OMS uma pessoa comete suicídio a cada segundo no mundo, o que representa duas mil pessoas diariamente e 800 mil por ano. Os jovens e adultos jovens são os mais afetados e é a segunda causa mais frequente de morte na faixa etária de 19 a 25 anos de idade.

No que tange ao Brasil, houve um aumento de 12% no número de suicídio entre 2011 e 2015. Segundo o boletim epidemiológico sobre suicídio, em 2015, foram 11.736 notificações contra 10.490 registradas em 2011. E entre 2011 e 2016 houve 62.804 mortes por suicídio no Brasil. Em relação ao Pará, 266 pessoas morreram por suicídio em 2015. Então, considerando essa realidade preocupante, Ângelo abordou o tema “Manejo do Risco de Suicídio nos Serviços de Saúde Mental”.

FOTO: JOSÉ PANTOJA / ASCOM SESPA

Num primeiro momento, ele mostrou a evolução de como era visto o suicídio desde as culturas primitivas até a atualidade, passando pela Antiguidade Greco-Romana e Idade Média. E informou que desde a década de 90 que o suicídio passou a ser considerado como um problema que precisava também ser enfrentado pela área de Saúde Pública. Ângelo disse que, por meio de documentos lançados periodicamente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a divulgar estatísticas sobre aumentos de casos; a mostrar como coeficientes elevados atingiam também os adolescentes e os adultos jovens; a difundir estudos científicos vinculando suicídio a certos transtornos mentais; e a alertar e a conclamar os países as desenvolverem estratégias de prevenção. A preocupação veio ganhando força e mais recentemente, em 2013, por meio do Mental Health Action Plan (Plano de Ação de Saúde Mental), seus Estados-Membros, entre eles o Brasil, comprometeram-se a reduzir em 10% a mortalidade por suicídio até 2020.

Num segundo momento, mostrando exemplos de percepções equivocadas por parte dos profissionais de Saúde, Ângelo levou os participantes a uma ampla reflexão sobre como lidar com pacientes de saúde mental que manifestam tendência suicida. E, por fim, apresentou alguns caminhos para a elaboração de um plano de prevenção do suicídio: diretrizes para Vigilância Epidemiológica, restrição de meios para o suicídio, orientações para as mídias, redução do estigma e aumento da consciência da população, treinamento de profissionais de saúde e de outros da “linha de frente” tais como policiais, bombeiros, professores e clérigos e serviços de atenção à crise e de apoio aos enlutados por um suicídio.

Outros temas debatidos no evento foram: “Suicídio e os Meios de Comunicação”, “O Suicídio na Infância e Adolescência”, “Dependência Química e Suicídio”, “Depressão na Atualidade”, e “Saúde Mental na Escola”.

Mais informações sobre o assunto no Portal do Ministério da Saúde pelo link: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/802-sas-raiz/daet-raiz/saude-mental/l1-saude-mental/29685-agenda-estrategica-de-prevencao-do-suicidio

 

 

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