Combate à hanseníase precisa da união de todos os segmentos

União de todos contra a hanseníase foi o que propuseram todos os representantes das instituições que participaram, nesta quinta-feira (09), da solenidade de abertura do 14º Congresso Brasileiro de Hansenologia, que está sendo realizado pela Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH) no Hangar Convenções e Feiras da Amazônia.

O presidente da SBH, Marco Andrey Frade, disse que o objetivo do Congresso é proporcionar atualização de conhecimento sobre prevenção, diagnóstico e tratamento da doença, assim como a troca de experiências entre os profissionais de saúde que trabalham com pacientes hansenianos. Na ocasião, ele denunciou a falta de políticas públicas e informação à população sobre sinais e sintomas da hanseníase, que precisa de diagnóstico precoce para evitar sequelas nas pessoas que a contraem. Ele afirmou que ainda há despreparo na Atenção Básica e que por isso os diagnósticos são feitos tardiamente. “As unidades de saúde precisam resgatar o seu papel e interromper a cadeia de transmissão da doença”, disse o presidente da SBH. “Precisamos nos unir como sociedade médica aos demais profissionais de saúde para que possamos sensibilizar os gestores municipais e estaduais para o combate à hanseníase, evitando que crianças e adultos sejam afetados e se tornem incapacitados pela doença.

A diretora de Vigilância em Saúde da Sespa, Rosiana Nobre, agradeceu pelo Pará estar sediando um evento tão importante como o 14º Congresso Brasileiro de Hansenologia, reunindo não apenas profissionais de saúde, mas também representantes da sociedade civil organizada.

Ela comentou sobre os 30 anos do SUS, disse que muito foi feito nesse tempo, porém que muitos avanços ainda são necessários para assegurar um SUS universal e efetivo para todos.

No que se refere à hanseníase, Rosiana destacou a importância de as Vigilâncias Sanitária, Epidemiológica e Ambiental trabalharem de forma integrada para reduzir os riscos de agravos na população. “É fundamental que os dados levantados por cada uma dessas vigilâncias sejam analisados. Nossa missão não é apenas ir na frente antes do acontecimento, temos responsabilidade de tratar os agravos , fazer a prevenção e promoção da saúde”, disse a diretora da Sespa.

A coordenadora estadual de Hanseníase, Rita Beltrão, agradeceu o esforço da SBH para realizar o Congresso no Pará e destacou que trabalhar com hanseníase é uma missão. “Temos a missão de agrupar pessoas de todo o Brasil para lutar pela redução da doença no País e temos que ser humildes para perceber que precisamos uns dos outros”, disse a coordenadora.

Beltrão comentou sobre o Projeto Abordagens Inovadoras para Intensificar Esforços para um Brasil Livre de Hanseníase, uma parceria do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), com apoio da Fundação NIPPON do Japão, que tem como objetivo geral a redução da carga da doença em 20 municípios localizados nos Estados do Maranhão, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Piauí e Tocantins. Ela disse que já houve um evento em Marabá, de 23 a 28 de outubro, e haverá outro, de 20 a 25 de novembro, em Belém.

Ela expôs, ainda, sua preocupação com a existência de apenas uma Referência Estadual em Hanseníase, que é o “Marcelo Cândia”, em Marituba, que recebe pacientes de todos os municípios paraenses. “Em função da dimensão geográfica do Estado, há necessidade de referências descentralizadas, mais oficinas de órteses e próteses e implantação de um serviço de cirurgia reparadora”, argumentou a coordenadora.

A coordenadora nacional do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), Lucimar Batista, elogiou a realização do Congresso como espaço de troca de experiências e disse que há muitos desafios pela frente. “Precisamos intensificar as ações, somar esforços para acelerarmos o diagnóstico precoce da hanseníase, fazer parcerias para alcançarmos a eliminação da doença”, disse a representante do movimento social .

O representante do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Artur Custódio e o presidente do Colegiado de Secretários Municipais de Saúde (Cosems), Charles Tocantins, expuseram suas preocupações com o momento político-econômico por que passa o Brasil, especialmente, com o congelamento dos gastos federais por 20 anos, que terá um impacto importante sobre a saúde.

Para Tocantins, o governo federal está ignorando os problemas do país, por isso, conclamou que todos fiquem atentos aos candidatos nas próximas eleições para votarem apenas nos que são contra a Emenda Constitucional 95, que oficializou esse congelamento.

Por fim, a coordenadora geral de Hanseníase do Ministério da Saúde, Carmelita Ribeiro Filha, que é de Rondônia, e assumiu há pouco tempo essa missão, comprometeu-se a trabalhar em conjunto com Estados, Municípios e movimentos sociais para juntos buscarem a redução dos casos de hanseníase no Brasil.

Texto: Roberta Vilanova

Fotos: José Pantoja

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