Prevenção ainda é a melhor forma de evitar a Aids

FOTO: JOSÉ PANTOJA / ASCOM SESPA

Prevenção, que inclui o uso do preservativo em todas as relações sexuais, continua sendo a melhor forma de evitar a Aids no Brasil. Essa foi a principal conclusão do Workshop HIV/Aids Direito pela Vida – Prevenção Combinada e Adesão ao Tratamento, realizado, nesta sexta-feira (1º), Dia Mundial de Luta Contra a Aids, no auditório do Ministério Público do Estado.

O evento foi realizado pelo MPE, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), com o objetivo de debater sobre as ações de combate e controle da doença no Pará, assim como abordar temas de relevância atual como “Prevenção Combinada”, “Sexo e gênero na era da diversidade sexual” e “Processo Transexualizador”.

Além de promotores, profissionais de saúde, representantes de organizações não governamentais, o evento contou com a presença de estudantes e professores do Colégio Estadual Paes de Carvalho e do Colégio Estadual Rui Barbosa, que puderam assistir às palestras e esclarecer dúvidas com os expositores.

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BELÉM – PARÁ

O secretário de Estado de Saúde Pública, Vitor Mateus, informou que, nos últimos quatro anos, no Pará, o número de pessoas em tratamento de HIV/Aids pulou de sete mil para 22 mil pessoas. Ele admite que aumentou a incidência, no entanto, garante que o Estado brasileiro está fazendo a sua parte, assegurando o acesso dessas pessoas ao tratamento, resultando no aumento da sobrevida desses indivíduos quando tomam os medicamentos corretamente. “Mas existem sinalizadores adversos como a taxa de abandono de 16%, o que representa três mil pessoas que deixam de tomar o medicamento expondo-se e contribuindo para a transmissão verticalizada da doença”, disse o titular da Sespa. Ele informou, ainda, que existem 21 Centros de Testagem e Aconselhamento (CTAs) em todo o Estado e que a descentralização desses serviços vai continuar ocorrendo gradativamente.

No que tange à prevenção, Vitor Mateus questionou quantos primeiros de dezembro ainda serão necessários para despertar a sensibilidade da população sobre importância das ações de prevenção, recuperação e tratamento das pessoas que são acometidas pelo HIV/Aids. Para ele, os números são alarmantes e a principal arma que a população tem é a comunicação e o acesso à informação correta, porque na conjuntura da sociedade, invariavelmente, existem deveres e direitos. “As instituições são importantes, mas não podemos deixar de lado a importância que tem o cidadão ao ter acesso à informação. A informação é o ato mais democrático do mundo, porque ela passa a ter valor de juízo, valor de comportamento e valor de atitude perante o HIV/Aids”, disse o secretário de Saúde.

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BELÉM – PARÁ

representante do Fórum Paraense de ONG/Aids, Rede+, Hepatites Virais e Tuberculose, Marco Antônio Vilhena expôs sua preocupação com a falta de medicamento aos pacientes com HIV/Aids, que tem sido registrada no Pará nos últimos meses, assim como com a falta de estrutura dos CTAs nos municípios. “Então proponho que seja feita uma força-tarefa para que a gente consiga, pelo menos, amenizar, em 2018, essa problemática que é a epidemia de Aids no Pará”, apelou Marco Antônio.

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BELÉM – PARÁ

A coordenadora estadual de IST/Aids, Deborah Crespo, disse que o ano de 2017 foi desafiador e atípico do ponto de vista de gestão pública. Pois ao contrário de outros Programas do SUS, a compra de medicamentos para o tratamento de HIV/Aids é centralizada no Ministério da Saúde, ou seja, Estados e Municípios não podem adquirir esses produtos diretamente dos fabricantes. “Há um acordo da indústria farmacêutica para a venda apenas ao governo federal, fazendo com que os prejudicados não saibam a quem recorrer já que Estado e Municípios não têm como ser obrigados a adquirir os medicamentos de outra maneira”, explicou Deborah. Ela disse, ainda, que o Pará padece muito mais porque é um Estado de dimensões continentais e que os medicamentos precisam chegar aos pacientes dos locais mais distantes. Apesar desse problema, ela espera que a situação melhore em 2018, principalmente com a força dos movimentos sociais que atuam nessa luta.

FOTO: JOSÉ PANTOJA / ASCOM SESPA
BELÉM – PARÁ

Para a representante do MPE, promotora de Justiça Cândida Nascimento, houve um relaxamento da sociedade a partir do momento em que a Aids foi vista como doença crônica. E como doença crônica parece que ela deixou de assustar principalmente os jovens.  “Só que não é bem assim, a gente precisa estar atenta porque o tratamento tenta proporcionar melhor qualidade de vida às pessoas que vivem com HIV/Aids, porém, há muitas dificuldades para que isso seja garantido, por isso a palavra de ordem é prevenção, nada melhor do que prevenir”, disse a promotora.

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O estudante do 2º ano do Ensino Médio do Colégio Paes de Carvalho, Vítor Frade, de 17 anos, disse que esse tipo de evento contribui para chamar a atenção dos jovens para a Aids e orientá-los sobre as formas de prevenção da doença. “Os jovens não se preocupam muito com isso, então esses encontros incentivam para a busca de mais informações sobre o assunto”, opinou o estudante.

Também participaram do evento a diretora de Vigilância em Saúde da Sespa, Rosiana Nobre; o secretário municipal de Saúde de Belém, Sérgio Amorim; o secretário municipal de Saúde de Ananindeua, Paulo Campos, representando o Colegiado de Secretários Municipais de Saúde (Cosems); a representante do Hospital Universitário João de Barros Barreto, Lauricéia Valente; e a representante da Comissão de Saúde da OAB-PA, Laura Garcia.

Texto: Roberta Vilanova/Ascom/Sespa

 

 

 

 

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