Janeiro roxo marcará campanha de combate à hanseníase

A Coordenação Geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação (CGHDE), do Ministério da Saúde, as Secretarias Estaduais de Saúde e Secretarias Municipais de Saúde começaram a organizar a Campanha do Dia Mundial de Luta Contra a Hanseníase 2018, que será realizada no próximo mês e, a exemplo das últimas campanhas, a cor roxa foi a escolhida para a iluminação dos prédios e monumentos públicos para chamar a atenção da sociedade durante o mês de janeiro.

Os objetivos da Campanha são alertar a sociedade civil sobre os sinais e sintomas da hanseníase e incentivar a procura pelos serviços de saúde; mobilizar os profissionais de saúde quanto à busca ativa de casos novos para diagnóstico precoce e prevenção de incapacidades; realizar exame dos contatos como forma de interromper a cadeia de transmissão da doença; divulgar a oferta de tratamento completo no SUS; e promover atividades de educação e comunicação em saúde voltadas ao enfrentamento do estigma e da discriminação.

Em 2018, também será realizada no Pará, a segunda etapa do Projeto Abordagens Inovadoras para Intensificar Esforços para um Brasil Livre da Hanseníase, que é desenvolvido pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e apoio da Fundação Nippon do Japão. O objetivo é reduzir o número de casos de hanseníase nas cidades selecionadas, com a ampliação do trabalho da detecção de casos novos; promoção da educação permanente para os profissionais da Atenção Primária à Saúde; fortalecimento dos centros de referência; redução da proporção de casos novos com grau 2 incapacidade física (GIF2), por meio do diagnóstico precoce e ações de prevenção de incapacidades (PI); e combate ao estigma e discriminação contra os doentes de hanseníase.

No Pará, o projeto tem apoio da Sespa e das Secretarias Municipais de Saúde de Belém e Marabá, municípios paraenses que foram selecionados juntamente com mais 18 municípios dos Estados do Maranhão, Mato Grosso, Pernambuco, Piauí e Tocantins.

Sinais sintomas – A hanseníase é uma doença infecciosa de evolução crônica, transmissível, de notificação compulsória e investigação obrigatória em todo território nacional. Possui como agente etiológico o Mycobacterium leprae, capaz de infectar grande número de indivíduos (alta infectividade), apesar da baixa patogenicidade (poucos adoecem). Atinge pele e nervos periféricos, podendo cursar com surtos reacionais intercorrentes, o que lhe confere alto poder de causar incapacidades e deformidades físicas, principais responsáveis pelo estigma e discriminação às pessoas acometidas pela hanseníase.

A transmissão ocorre por meio das vias aéreas superiores de uma pessoa doente sem tratamento para outra, pelo contato prolongado. O diagnóstico e o tratamento da hanseníase estão disponíveis nas unidades de saúde do SUS.

Incidência – O Pará é classificado como Estado em situação endêmica muito alta conforme os parâmetros do Ministério da Saúde, pois ocupa o quarto lugar em incidência da doença, com 30,43 casos por 100 mil habitantes notificados em 2016, ficando atrás do Maranhão (47,43), Mato Grosso (80,62) e Tocantins (88,13), que são considerados hiperendêmicos.

Apesar desse quadro, a taxa de detecção de casos novos na população geral vem caindo nos últimos anos, passando de 92,30 por 100 mil habitantes, em 2004, para 29,93 em 2016. Em relação à taxa de detecção precoce em menores de 15 anos, caiu de 30,60 casos por 100 mil habitantes em 2004 para 11,22 em 2016. Em número absolutos o número de casos novos na população geral caiu de 5.976 casos por 100 mil habitantes em 2004 para 2.486 casos em 2016, e na população de menores de 15 anos caiu de 714 em 2004 para 272 em 2016.

É importante dizer que o Pará tem uma taxa de cura de hanseníase de 76,9% e uma taxa de abandono de tratamento de apenas 7,3%, o que pode ser atribuído ao trabalho desenvolvido pela Atenção Básica no Estado assim como da Coordenação Estadual de Controle da Hanseníase, que tem realizado treinamentos com carga horária de 40 horas para profissionais de todos os municípios paraenses.

Texto: Roberta Vilanova/Ascom/Sespa

 

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