Doação de órgãos salva vidas e dá nova chance para transplantados

Foto: Ascom Sespa

Foi um sonho realizado. Essa é a primeira frase da estudante Luciana Duarte, 20 anos, ao falar sobre o seu transplante de córnea. “O processo de pré-transplante inclui uma preparação médica e psicológica. Entrei na fila, realizei diversos exames e fiz o transplante em setembro deste ano. Após alguns dias consegui enxergar perfeitamente. Nem acreditei. Foi uma emoção muito grande”, contou.

A jovem que realizou a cirurgia no Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza relatou que a sensação de voltar a enxergar é mágica. “Sou muito grata à família do meu doador e aos médicos que realizaram o transplante”, acrescentou.

Se houvessem mais doações como essa os números da fila de espera seriam menores no Estado. Atualmente, 560 pessoas aguardam por um transplante de rim e 1.120 de córnea. “Os números de espera ainda existem devido a recusa das famílias que chega a 49%. Isso quer dizer que quase metade das famílias ainda rejeita a doação de órgãos de um parente com diagnóstico de morte encefálica”, explicou Ana Beltrão, coordenadora estadual da Central de Transplantes.

No Pará, são realizados os transplantes de rim e córnea nos hospitais Ophir Loyola (córnea e rim), Saúde da Mulher (somente rim, porém já credenciado medula óssea para convênios e particulares), Bettina Ferro (córnea pelo SUS), Clínica Cinthia Charone (córnea no privado e SUS), além de algumas clínicas privadas credenciadas para transplante de córnea.

Em relação ao transplante de córnea, vale ressaltar que o Banco de Olhos do Hospital Ophir Loyola é o único do Pará e atua no recolhimento, preservação e destinação de córneas em consonância com a Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO) do Pará para atendimentos da rede particular, pelo SUS e por convênio. A instituição também realiza transplantes e oferece ambulatório.

FOTO: JOSÉ PANTOJA / ASCOM SESPA

“É fundamental a participação do doador de órgãos para os transplantes. Vale lembrar a importância da família, pois ela que autoriza a doação de órgãos. E também dos profissionais da área de saúde, que devem oferecer essa possibilidade às famílias para que elas possam ter a chance de doar. Isso soma de forma contínua no processo de doação e transplantes”, reforçou Ana Beltrão.

Como funciona? – Familiares de doadores potenciais que vierem a óbito podem decidir pela doação legal das córneas até seis horas após o falecimento. Quando confirmada a doação, o Banco de Olhos é acionado para fazer a captação e o armazenamento do tecido, que tem um prazo máximo de aproveitamento de 14 dias.

O material recolhido passa por um processo rigoroso de controle. A córnea é avaliada em um aparelho que checa a presença ou não de corpos estranhos, infecção ou lesão, antes de ser retirada do globo ocular. Qualquer pessoa, na faixa etária entre 2 e 80 anos, pode doar as córneas. Há critérios específicos de exclusão, como pacientes portadores de HIV e portadores de Hepatite B e C. Até duas pessoas podem ser beneficiadas com uma única doação.

Novidade – Recentemente, o Hospital Ophir Loyola recebeu a aprovação para realizar transplante de medula óssea após uma visita de membros da Coordenação-Geral e da Câmara Técnica do Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Assim foi feita uma análise para verificar se o hospital atendia às exigências do credenciamento, pelo Ministério da Saúde, para a realização de transplantes de medula óssea e fígado. Serviço realizado através da Onco-Hematologia do HOL, em parceria com a Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa).

Santarém e Redenção – Em Santarém, desde novembro de 2016, o programa de transplantes do Hospital Regional, sediado no município, já realizou nove transplantes de rins e cinco de córnea. A captação de córneas para transplantes é feita por meio do Sistema Único de Saúde e da rede privada. Já no município de Redenção, foram realizados quatro transplantes de rim (inter vivos), no Hospital Regional Público do Araguaia.

A captação ocorre principalmente em Belém e Santarém, em locais onde é possível fazer os procedimentos legais necessários, principalmente no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (90% dos casos). Outros hospitais necessitam criar condições para captação de múltiplos órgãos, como por exemplo, fazer o diagnóstico de morte encefálica conforme a Resolução 1480/1997 do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Foto: Ascom Sespa

“Minha vida foi renovada. Fiquei livre de uma hemodiálise que fazia há 14 anos. Foi uma mudança de vida maravilhosa. Realizei meu transplante de rim no mês de novembro de 2013 no Ophir Loyola e hoje tenho uma vida saudável. Nunca mais precisei ser internado. Só vou ao hospital para fazer meus exames de rotina de três em três meses”, contou o aposentado Edison Lisboa, 57 anos.

A Central de Transplantes coordena todos os processos de doação, captação e transplantes de órgãos e tecidos; cadastra equipes, hospitais e clínicas para realização de transplantes; monitora e supervisiona o Sistema de Lista de Espera de acordo com Legislação Federal. Todo o processo de registros e informações das doações e transplantes ocorre on-line com o Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde.

Dados – De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) foram realizados 57 transplantes renais ao longo de 2016. Já em 2017, até o dia 30 de novembro, foram feitos 67 transplantes renais. A respeito dos transplantes de córnea, em 2016 foram realizados 195 (51% com córnea de outro Estado) e em 2017, até agora, foram realizados 280 transplantes (70% com córnea de outro Estado, principalmente do Ceará).

 

Texto: Carla Fischer – Ascom/Sespa

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