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Humanização cria colegiado específico para a área de Saúde Mental

Com o objetivo de fortalecer as ações de humanização na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) em Belém, foi oficializado, nesta sexta-feira (02), em encontro na República Terapêutica de Passagem (RTP), o Colegiado HumanizaRAPs, que reúne todos os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e a RTP Mental. A reunião foi acompanhada pelo coordenador estadual de Saúde Mental, Ângelo Crescente.

Segundo o coordenador estadual de Humanização, Guilherme Martins, o novo Colegiado foi desmembrado do Colegiado maior que reunia além dos Caps, as Unidades Especializadas da Sespa e já vinha funcionando há dois anos e meio. “Com a criação de um Colegiado específico da RAPs, a gente espera fortalecer e avançar mais com a Política de Humanização na área de Saúde Mental no Estado”, explicou o coordenador. “Pois a RAPs tem demandas peculiares que precisam de atenção especial e nada melhor do que um colegiado específico para isso”, acrescentou Guilherme.

Ele informou, ainda, que a RTP foi escolhida para esse momento, porque é uma unidade que está iniciando uma proposta nova de trabalho, que precisava ser conhecida pelos gestores das demais unidades “E a ideia é que cada reunião mensal do novo colegiado aconteça numa unidade diferente”, disse o coordenador.

Os Caps também foram convidados a participar do Projeto AcolheSUS, que vem sendo desenvolvido desde outubro de 2017. Sua finalidade é qualificar o acesso e as práticas de cuidado por meio da implantação/implementação da Diretriz Acolhimento da Política Nacional de Humanização (PNH) nos serviços de saúde, sendo que, aqui no Pará, o campo de ação do projeto é o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Renascer. Aliás, o Pará foi o único que escolheu a área de Saúde Mental para desenvolver o projeto, enquanto Tocantins e Paraíba – que são os outros Estados escolhidos para desenvolverem os projetos experimentais – optaram pela área de Urgência e Emergência.

Aqui, o trabalho está sendo realizado pelo Ministério da Saúde (MS), por meio da Coordenação Geral da Política Nacional de Humanização (CGPNH) em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde do Pará (Sespa), via Diretoria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (DGTES) e Coordenação Estadual de Humanização.

O resultado do Projeto, que se tornará modelo para todo o Brasil, deverá sair até o fim deste ano. A quarta oficina será realizada nos dias 6 e 7 de março, na Escola de Governança do Estado do Pará (EGPA), e já contará com a participação dos gestores dos demais Caps.

O diretor do Caps Renascer, Luciano Pereira, contou um pouco sobre a experiência positiva que ele e sua equipe estão vivenciando ao participarem do Projeto AcolheSUS. “Tem sido uma experiência fantástica porque tem nos permitido fazer uma autocrítica sobre o nosso processo de trabalho e nos ajudado a reconhecer e tentar superar as nossas dificuldades, além de melhorar a nossa relação com as demais unidades que compõem a RAPs”, afirmou.

Luciano também enfatizou a importância do Projeto AcolheSUS para dar visibilidade à Saúde Mental para todo o Brasil, já que só o Pará escolheu essa área para desenvolver o projeto.

RTP – A República Terapêutica de Passagem é um serviço de acolhimento temporário que busca a ressocialização dos egressos do Hospital Geral Penitenciário (HGP), que já cumpriram com sua medida de segurança e não possuem vínculos familiares favoráveis para a sua volta e nem condições de autogerência. É uma unidade ligada ao 1º Centro Regional de Saúde (CRS) e funciona no antigo Ciaspa e URP em Ananindeua.

O diretor da RTP, John Moorney, apresentou os espaços da unidade aos participantes da reunião assim como expôs algumas propostas para melhorar o atendimento aos moradores da unidade, como, por exemplo, a implantação de uma biblioteca em parceria com outras entidades. “ A unidade tem capacidade para atender até dez moradores e sua equipe funcional é composta por agentes administrativos, cuidadores e assistentes sociais. Recebemos apoio técnico da Equipe de Avaliação e Acompanhamento das Medidas Terapêuticas Aplicáveis às Pessoas com Transtorno Mental em Conflito com a Lei (EAP), e é responsável pela inserção do morador na RTP depois da saída HGP”, informou John.

Na RTP, os moradores recebem alimentação e têm acesso a atividades diárias, visando a resgatar as condições de autonomia e independência, e são atendidos nos Caps e Rede Básica de Saúde.

A diretora do Caps Icoaraci, Simone Bezerra, que foi diretora do antigo Ciaspa, classificou de inovador e elogiou o trabalho que vem sendo desenvolvido pela atual gestão da RTP. “A República mostrou uma mudança importante e respeito aos princípios da Reforma Psiquiátrica”.

No que tange ao Projeto AcolheSUS, Simone espera que seja bem aproveitado e possa contribuir com as atividades de todos os Caps assim como tem feito com o Caps Renascer.

Texto: Roberta Vilanova

Fotos: José Pantoja