Campanha Março Lilás é lançada oficialmente no Pará

Uma roda de conversa no auditório da Santa Casa sobre Prevenção e Diagnóstico do Câncer de Colo do Útero marcou o início, nesta segunda-feira (12), da campanha Março Lilás. O evento tem como slogan “O Pará unido na Prevenção e Diagnóstico do Câncer de Colo do Útero” e integra a rede de assistência para o controle do câncer de colo do útero no Pará.

Promovido pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), por meio do Núcleo de Apoio à Gestão na Atenção à Mulher no Controle do Câncer de Colo de Útero e Mama (Nagam), com o apoio do Comitê Estadual de Controle do Câncer do Colo do Útero e Mama, Regionais de Saúde e municípios paraenses, a iniciativa quer chamar a atenção das paraenses sobre a importância de fazer periodicamente o exame preventivo para detecção precoce desse tipo de câncer.

O foco dessa primeira ação da campanha foram mulheres de organizações que atuam em defesa dos direitos das mulheres e servidoras de instituições de saúde.

A abertura foi presidida pela secretária adjunta de Saúde do Estado, Heloísa Guimarães que, na roda de conversa, abordou o tema “Rede de Atenção Oncológica à Mulher no Pará”. Para ela, o câncer de colo do útero é o tumor com maior potencial de prevenção e cura quando diagnosticado em estágio inicial. “O conhecimento insuficiente sobre a doença e as ferramentas de prevenção e tratamento, até mesmo entre profissionais de saúde, podem estar entre as causas das altas taxas de incidência, morbidade e mortalidade no Pará”, disse a secretária adjunta, ao reiterar ainda, que o papel de quem está na atenção básica é fundamental para desmistificar algumas barreiras culturais associadas à falta de informação, como a vergonha de realizar exame ginecológico ou proibição por parte de maridos e namorados.

Em todo o Pará já existem 22 Serviços de Referência para Diagnóstico e Tratamento de Lesões Precursoras do Câncer do Colo do Útero, onde são feitos diagnósticos e tratamentos precoces desse tipo de câncer, com produção comprovada pelo Sistema de Informação do Ministério da Saúde (DataSUS). A meta é criar mais serviços para intensificar a prevenção desse tipo de câncer, garantindo tratamento de lesões precursoras, sobretudo na inserção da população feminina de 25 a 64 anos, por região de saúde e município.

“Temos que quantificar pelo menos 40% da população feminina para o Exame de Rastreamento do Câncer de Colo do Útero (PCCU). Por isso, é primordial a participação e o engajamento das equipes de saúde básica, especialmente os Agentes Comunitários de Saúde (ACS)”, explica a enfermeira e coordenadora do Nagam, Nazaré Falcão, ao falar sobre a “Situação Epidemiológica do Câncer de Colo do Útero no Pará”.

Em sua apresentação, ela mostrou alguns números preocupantes. Em 2013, o Hospital Ophir Loyola, em Belém, recebeu 488 casos novos desse tipo de câncer; 547 em 2014, e 564 em 2015. “De 2005 a 2010, a instituição recebeu 3,5 mil casos novos de câncer do colo do útero por ano”. Desse total, 1.437 já chegaram em estágio avançado e foram diretamente para cuidados paliativos. Muitos casos poderiam ser curados, se diagnosticados precocemente. Em 2014, no Pará morreram 271 mulheres devido à doença. No ano seguinte, esse número subiu para 323 e, em 2016, avançou para 350 e, em 2017, recuou para 330.

A coordenadora do Nagam informa ainda que os municípios que aderiram a Campanha vão intensificar a realização do exame preventivo em mulheres de 25 a 64 anos de idade com prioridade às mulheres que nunca fizeram o exame, atualizar as carteiras de vacinação com a vacina HPV em meninos e meninas nas idades preconizadas pelo Ministério da Saúde, como também orientar sobre o uso do preservativo, já que o HPV é transmitido por meio de relação sexual.

Nazaré Falcão diz ainda que o câncer de colo uterino é o segundo tipo de câncer mais frequente entre as mulheres de todo o mundo e também no Brasil. No Pará, é a principal causa de óbito entre as mulheres. A maior incidência está na faixa etária de 40 a 49 anos. “Estima-se que o rastreamento sistemático e o tratamento de lesões precursoras possam reduzir a mortalidade pela doença em até 80%”, alerta.

Ela alerta ainda para o principal fator de risco, a infecção pelo Papiloma Vírus Humano (HPV), responsável por mais de 90% dos cânceres de colo do útero. “Por isso é importante meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos sejam vacinados. A vacina está disponível na Rede Básica contra os principais tipos oncogênicos do vírus”, observou a coordenadora.

A roda de conversa contou também com a participação da presidente da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, Rosângela Brandão; da médica ginecologista Valéria Pontes, que abordou o tema “Prevenção, Tratamento de Lesões Precursoras e Diagnóstico do câncer de Colo do Útero”, e do médico Wanderlan Quaresma.

Texto: Mozart Lira

Fotos: José Pantoja