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Lacen-PA assume Programa de Triagem Neonatal e já realizou 360 mil análises

Desde meados do mês de novembro de 2017, o Laboratório Central do Estado (Lacen-PA) está responsável pelo Programa de Triagem Neonatal (PTN) (Teste do Pezinho) no Estado do Pará, que antes era feito pelo Laboratório de Pesquisa e Apoio Diagnóstico (Lapad) da Universidade do Estado do Pará (Uepa).

Atualmente, o Pará está habilitado na Fase III do PNT, que abrange análises para o diagnóstico de quatro doenças, ou seja, hipotireoidismo congênito, fenilcetonúria, doença falciforme e fibrose cística. O período ideal para realização do exame é entre o terceiro e quinto dia após o nascimento da criança e é fundamental para o diagnóstico precoce dessas doenças congênitas e metabólicas, que podem ter consequências graves para o desenvolvimento da criança.

Doenças – O hipotireoidismo congênito é uma doença hereditária que impossibilita a glândula tireoide do recém-nascido gerar o hormônio tireoidiano T4. Em crianças pequenas esse hormônio é fundamental e a ausência dele diminui o metabolismo, impedindo o crescimento e o desenvolvimento físico e mental do indivíduo.

Fenilcetonúria é uma doença na qual a pessoa nasce sem a capacidade de quebrar adequadamente moléculas de um aminoácido chamado fenilalanina. Uma pessoa com Fenilcetonúria nasce com a atividade prejudicada da enzima que processa fenilalanina em tirosina.

A doença falciforme é caracterizada pela alteração dos glóbulos vermelhos do sangue, tornando-os parecidos com uma foice, daí o nome falciforme. Essas células têm sua membrana alterada e rompem-se mais facilmente, causando anemia.

A fibrose cística ou mucoviscidose é uma doença que se caracteriza pelo acúmulo de secreções mais densas e pegajosas nos pulmões, no trato digestivo e em outras áreas do corpo.

Novo serviço – Para assumir o Programa, o Lacen-PA criou o Serviço Especializado de Triagem Neonatal, preparou o espaço físico para instalar o laboratório, adquiriu equipamentos de última geração por meio de comodato, e conta com uma equipe de 20 profissionais entre biomédicos, técnicos de laboratório e agentes administrativos. O novo serviço tem recebido, em média, dez mil amostras por mês, o que representa 40 mil análises mensais, já que cada amostra de sangue coletada é submetida a quatro análises diferentes.

A biomédica e coordenadora do Serviço, Rosilena Costa Mesquita, informou que está sendo finalizado o processo de transição do programa da Uepa para o Lacen-PA, porém, nesses cinco meses de funcionamento, foi possível atualizar os exames que estavam atrasados e fazer novas análises, chegando ao total aproximado de 360 mil análises realizadas, 120 mil só deste ano.

Sobre a coleta das amostras de sangue dos bebês para o exame, ela informou que é responsabilidade de cada um dos 144 municípios. “As coletas são feitas nas maternidades ou unidades básicas de saúde, totalizando hoje 800 postos de coleta em todo o Estado”, informou a biomédica. “A coleta é feita numa folha de papel filtro e encaminhada ao Lacen-PA para realizar o exame laboratorial, cujo resultado sai em 20 dias após a chegada no Lacen-PA se o material estiver com qualidade adequada para a análise”, explicou Rosilena.

Ela disse que é importante enfatizar que o Lacen-PA não é posto de coleta, sendo responsável apenas pela análise laboratorial das amostras de sangue enviadas pelas unidades de saúde.

A biomédica Eliane Trindade, que já trabalhava com o Programa na Uepa e agora compõe a equipe do Lacen-PA, informou que quando o resultado do teste do pezinho apresenta alguma alteração, é solicitada uma segunda amostra ao município para comprovação. Se der normal, o resultado é liberado para o município, caso a alteração permaneça, os responsáveis pela criança são informados e a criança é encaminhada para o tratamento no Serviço de Referência de Triagem Neonatal (SRTN), que permanece sob a responsabilidade da Uepa. “O agendamento da primeira consulta é feito por nós e o caso passa a ser acompanhado pela equipe médica do Serviço de Referência de Triagem Neonatal”, explicou Eliane. No caso da doença falciforme, a criança é encaminhada para a Fundação Hemopa.

Eliane informou, ainda, que a equipe do Lacen-PA também atua na capacitação de profissionais dos municípios, realizando eventos por região, com o apoio dos Centros Regionais de Saúde. Os mais recentes aconteceram nos municípios de São Miguel do Guamá e Marabá. “Apesar do nosso empenho com capacitações para tentar garantir uma amostra coletada de forma adequada, há muita rotatividade desses profissionais, que prejudica o processo de trabalho”, observou Eliane.

Para o diretor do Lacen-PA, Licínio Lira, é importante ressaltar que o Lacen-PA é o único laboratório oficial do governo que emite todos os laudos de análises fiscais na área de alimentos, saneantes, agrotóxicos, metais pesados etc., e que também é suporte fundamental na investigação de doenças de interesse de saúde pública. “Portanto, é um laboratório que tem a capacidade instalada de atender a todos os municípios no que tange às doenças de notificação compulsória, assim como novas doenças que precisem ser investigadas no Estado, e que assumiu todo o processo de Triagem Neonatal, com nova roupagem, realizando exames para todos os 144 municípios do Estado”, enfatizou o diretor do Lacen-PA.

Texto: Roberta Vilanova

Fotos: José Pantoja