Influenza

Ataques por morcegos devem ser notificados aos serviços de saúde

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) emitiu, no dia 15 de maio, um Alerta Epidemiológico sobre Raiva, que foi enviado aos 13 Centros Regionais de Saúde para que seja divulgado a todos os municípios paraenses. Por meio do documento, a Coordenação Estadual de Zoonoses da Sespa alerta que é preciso identificar precocemente a existência de agressões por morcegos hematófagos em humanos ou em animais para que sejam adotadas, em tempo hábil, as medidas pertinentes, tais como controle de morcegos, profilaxia da raiva humana e bloqueio animal.

Segundo o coordenador estadual de Zoonoses, Fernando Esteves, a finalidade desse Alerta é informar sobre a situação da raiva no Brasil e no Estado do Pará para que todos, sejam profissionais da Atenção Básica, da Vigilância Epidemiológica, da Assistência, da Agricultura, ou pessoas da comunidade, percebam a importância de notificar, imediatamente, essas agressões aos serviços de saúde, evitando a ocorrência de raiva humana.

Esteves informou que a notificação compulsória de epizootias (morte de animais), inclusive, por raiva, está prevista na portaria do Ministério da Saúde Nº 782, de 15 de março de 2017, que define a relação das epizootias de notificação compulsória e suas diretrizes para notificação em todo o território nacional. Conforme a portaria, a comunicação de doença, agravo ou evento de saúde pública de notificação compulsória à autoridade de saúde competente pode ser feita por profissionais de saúde ou responsáveis pelos serviços públicos e privados de saúde, estabelecimentos públicos ou privados educacionais, unidades laboratoriais, instituições de pesquisa, assim como por qualquer pessoa que deles tenha conhecimento e, ainda, por estabelecimentos públicos ou privados relacionados ao manejo de animais.

“Dessa forma, para se evitar casos de raiva humana, como os que estão ocorrendo no município de Melgaço, no Marajó, é fundamental que a pessoa, vítima de mordedura ou arranhadura de animais, sejam eles de estimação (cães ou gatos) ou silvestres (macacos, quatis, morcegos entre outros), procure, imediatamente, o serviço de saúde mais próximo de sua casa para receber orientações e iniciar a profilaxia da raiva humana com vacina e/ou soro antirrábicos conforme o caso”, orientou o coordenador estadual.

Esteves também falou sobre a existência do Manual de Normas Técnicas de Profilaxia da Raiva Humana, editado em 2014 pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, que é um documento muito importante para a orientação das ações preventivas contra raiva no Brasil e, principalmente, para a conduta no manejo do paciente vítima de agressão animal. Pois, apesar da redução na ocorrência da doença nos últimos anos, a raiva humana continua sendo um problema de saúde pública pela altíssima gravidade do seu acometimento, além do alto custo na assistência, profilaxia e controle da doença.

De acordo com o Manual, no Brasil, o morcego é o principal responsável pela manutenção da cadeia silvestre, enquanto o cão, em alguns municípios, continua sendo fonte de infecção importante. Outros reservatórios silvestres são o macaco, cachorro-do-mato, raposa, gato-do-mato, mão-pelada, guaxinim etc. Apenas os mamíferos transmitem e adoecem pelo vírus da raiva

A raiva é uma antropozoonose transmitida ao homem pela inoculação do vírus presente na saliva e secreções do animal infectado, principalmente, pela mordedura. O vírus atinge o sistema nervoso periférico e migra para o Sistema Nervoso Central (SNC), levando a um quadro clínico característico de encefalomielite aguda, decorrente da sua replicação viral nos neurônios. A partir do SNC, dissemina-se para os diversos órgãos e glândulas salivares, onde se replica e é eliminado na saliva das pessoas ou animais infectados.

No que tange à suscetibilidade, a infecção é geral para todos os mamíferos. Não há relato de caso de imunidade natural nos seres humanos. A imunidade é adquirida pelo uso da vacina. Por isso é importante que a pessoa procure o atendimento médico rapidamente.

O Manual orienta que assim que for mordida por um cão, gato ou qualquer animal silvestre, a pessoa deve limpar, imediatamente, o ferimento com água corrente abundante, sabão ou detergente, pois isso diminuiu, sem dúvida, o risco de infecção. E esse procedimento deve ser repetido na unidade de saúde, independentemente do tempo transcorrido, antes do uso de antissépticos indicados para o caso. Após o cuidado com o ferimento, o profissional de saúde deve fazer anamnese completa preenchendo a Ficha de Atendimento Antirrábico Humano visando à indicação correta da profilaxia da raiva humana. O esquema profilático será decidido após a avaliação das características do ferimento (local, profundidade, extensão e número de lesões) e do animal agressor.  Ferimentos na cabeça, face e pescoço ou em locais muito inervados como mãos, dedos e pés são considerados graves porque facilitam a exposição do sistema nervoso ao vírus. A lambedura de mucosas também é considerada grave porque são permeáveis ao vírus, mesmo quando intactas e geralmente abrangem áreas mais extensas.

No que se refere às características do animal, se for cão ou gato devem ser observados o seu estado de saúde no momento da agressão; possibilidade de observação do animal por dez dias, procedência e hábitos de vida do animal. Já em relação aos animais silvestres de qualquer espécie, inclusive os domesticados, todos devem ser classificados como animais de risco, uma vez que nesses animais a raiva não é bem conhecida. Segundo relatos na literatura médica, o risco de transmissão do vírus pelo morcego é sempre alto, independentemente da espécie e da gravidade do ferimento. Por isso, todo acidente com morcego deve ser classificado como grave.

No caso de contato com o morcego e até mesmo nos casos de dúvida se houve ou não contato com o morcego, é indicada a profilaxia da raiva humana com uso de soro e vacina. E é importante que as pessoas não matem ou manipulem o morcego. A orientação é que o capturem e o isolem com pano, caixa ou balde ou mantenham-no em local fechado e comunique o caso à Secretaria Municipal de Saúde.

Ações – Sobre a situação em Melgaço, o secretário de Estado de Saúde Pública, Vitor Mateus disse que o governo do estado, por meio da Sespa e da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), prossegue com as ações de controle da raiva nas comunidades às margens do rio Laguna. “Até o momento, 700 pessoas e 120 cães e gatos foram vacinadas com vacina antirrábica. Também já foram capturados 50 morcegos hematófagos que foram impregnados com veneno e soltos novamente para que contaminem as colônias”, informou o titular da Sespa.

Texto: Roberta Vilanova

Fotos: Coordenação Estadual de Zoonoses/Sespa