Influenza

Vacinação contra a gripe segue até o dia 22 de junho


FOTO: THIAGO GOMES / ASCOM SUSIPE
BELÉM – PARÁ

Pela segunda vez, a campanha de vacinação contra a gripe foi prorrogada em todo o Brasil, desta feita até 22 de junho. No Pará, somente 72% da população prioritária recebeu as doses, ou seja, de um universo de 1.502.511 pessoas a serem imunizadas, faltam ainda 426.091 serem protegidas contra a gripe. A meta é atingir pelo menos 90%.

Entre os grupos prioritários, o índice de cobertura vacinal entre crianças menores de cinco anos ainda é preocupante no Pará – até o momento, a cobertura é de apenas 59,84%. A preocupação se deve ao fato de crianças nessa faixa etária, assim como idosos e gestantes, serem mais suscetíveis às complicações causadas pela gripe, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

A maior cobertura está entre os trabalhadores de saúde, com 84%, seguidos dos professores e as mulheres puérperas (84%, cada), das pessoas com mais de 60 anos de idade (83%), indígenas (74%), gestantes (72%) e crianças de seis meses a menores de cinco anos (59,84%).

Diante desse cenário, a coordenadora estadual de Imunização, Jaíra Ataíde, faz um apelo aos pais e responsáveis por crianças de seis meses a menores de cinco anos para que levem seus filhos, sobrinhos, netos e bisnetos ao posto de vacinação para fazer a imunização. “É uma vacina segura, que protege contra três vírus que causam a gripe: Influenza A (H1N1), Influenza A (H3N2) e Influenza B, que nos casos graves podem até levar à morte”, ressaltou a coordenadora estadual.

Em boletim emitido pelo Ministério da Saúde, que autorizou a prorrogação, o Pará é apontado como o quarto que mais vacinou entre os sete Estados da Região Norte, sendo superado pelo Amapá, Tocantins e Rondônia.

Atendimento – A gripe é uma infecção viral aguda que atinge as vias respiratórias, tem comportamento sazonal, elevada transmissibilidade e distribuição global – um indivíduo pode contraí-la várias vezes ao longo da vida. A doença começa geralmente com febre alta, seguida de dores musculares, na garganta e na cabeça, além de coriza e tosse seca. Alguns casos podem evoluir para complicações graves, como pneumonia, necessitando de internação hospitalar, como aconteceu com a chefe da Divisão Epidemiológica da Sespa, Fátima Chaves, que ainda está se recuperando, depois de ter ficado internada por oito dias com SRAG.

Fátima ressaltou a importância de os profissionais de saúde que atuam nos serviços de urgência e emergência, públicos ou privados, darem a devida atenção às queixas dos pacientes. “Eu precisei ir duas vezes à urgência com queixa de febre, dor torácica e desconforto respiratório, sendo que nas duas vezes não pediram exame de sangue nem radiografia, e disseram que eu não tinha nada, que os pulmões estavam limpos”, relatou Fátima Chaves.

“Como na segunda vez cheguei com febre muito alta e delirando, fui levada para um leito da urgência. Então, fui bem atendida pelo médico assistente, responsável pelos leitos de observação. Ele solicitou exames de sangue e raios X, prescreveu as medicações corretas para administração imediata e me mandou para casa, orientando para retornar para internação em caso de piora do quadro”, detalhou a gestora.

Segundo Fátima Chaves, no entanto, nenhum médico indicou a administração do medicamento Tamiflu, mesmo ela sendo do grupo de risco, pois é asmática. “Temos que reivindicar cuidados adequados e conduta e tratamento imediato para evitar a evolução, como a que apresentei, tendo necessitado ficar quatro dias recebendo oxigênio devido à conduta médica incorreta na urgência e emergência”, alertou Fátima Chaves.

Para evitar situações como essa, ela aconselha às famílias que procurem tomar a vacina contra a gripe, pois a pessoa vacinada tem menos risco de ter o quadro da doença agravado.

Dados – De acordo com a Divisão de Vigilância Epidemiológica da Sespa, até o momento foram notificados 445 casos de SRAG, dos quais 30 pacientes morreram.

A série histórica aponta que, em 2009, foram confirmados 1.568 casos de SRAG; 833 em 2010; 28 em 2011; 162 em 2012; 766 em 2013; 194 em 2014; 175 em 2015; 1.033 em 2016 e 832 em 2017. Nos últimos três anos, 183 pessoas morreram por causa dessa complicação, sendo 19 em 2015, 93 em 2016 e 71 em 2017.

Até o dia 22 de junho, os seguintes grupos prioritários devem procurar as Unidades Básicas de Saúde para se proteger contra a gripe:

  1. Professores da rede pública e privada;
  2. Profissionais de saúde;
  3. Crianças entre 6 meses e cinco anos (estão com a menor cobertura);
  4. Gestantes;
  5. Mulheres com parto recente (com até 45 dias);
  6. Idosos a partir de 60 anos;
  7. Povos indígenas;
  8. Portadores de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão;
  9. População privada de liberdade (inclui funcionários do sistema prisional e menores infratores).

(Com informações de Roberta Vilanova).