Campanha de verão alerta sobre acidentes com escalpelamento

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e a Comissão Estadual de Enfrentamento dos Acidentes com Escalpelamento lançaram, nesta segunda-feira (03), a Campanha de Verão para Enfrentamento do Escalpelamento com o tema “Nenhum barco sem proteção do eixo do motor”, que se estende durante todo o mês de julho abrangendo os 21 municípios paraenses prioritários, como Curralinho e Muaná, onde ocorreram os dois acidentes deste ano, tendo como vítimas adolescentes de 14 e 13 anos de idade respectivamente.

Em Belém, a ação educativa, com orientação, distribuição de cartazes aos donos de barcos e folders e gibis educativos à população, foi realizada no porto da Feira do Açaí pela Coordenação Estadual de Mobilização Social da Sespa e, no Porto da Palha, pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro).

Como parte da Campanha, de 16 a 22 de julho, a Coordenação Estadual de Mobilização Social visitará os municípios de Oriximiná, Juruti e Terra Santa, no Oeste do Pará; e também está agenda uma ação de cobertura de eixo de e embarcação nos municípios de Curralinho, São Sebastião da Boa Vista, e Oeiras do Pará.

A coordenadora estadual de Mobilização Social, Socorro Costa, disse que o objetivo é sensibilizar os barqueiros para a importância da cobertura do eixo do motor e a população para os cuidados que devem tomar para evitar o acidente, já que o fluxo de pequenas embarcações aumenta no período das férias escolares. “Queremos zerar o número de acidentes com escalpelamento nos rios, furos e igarapés do Pará, para isso, é fundamental o fortalecimento da rede de prevenção, envolvendo o poder público das áreas de saúde, educação e assistência, a sociedade civil organizada, como associações de moradores e igrejas, principalmente, nos 46 municípios que tiveram registro de acidentes ao longo dos anos”, detalhou a coordenadora estadual. Socorro informou, ainda, que a resistência dos barqueiros em instalara a cobertura do eixo vem diminuindo, mas que ainda há dificuldade de abordar os que trafegam nos furos com difícil acesso. “Mas vamos continuar o trabalho em parceria com a Marinha do Brasil para cobrir o eixo da maioria dos barcos nos rios da Amazônia”, enfatizou Socorro.

Cleia Benjamim Lopes, de 54 anos, que mora na Ilha das Onças, disse que sabe bem como é o escalpelamento porque tem uma vizinha que sofreu esse tipo de acidente. “Foi horrível, só Deus. Acontece muito com quem anda de rabeta, por isso acho que é importante cobrir o eixo do motor e essa campanha de alerta às pessoas”. Ela disse que vem diariamente para Belém em embarcações maiores que têm o eixo coberto.

O dono de barco Reginaldo Pantoja da Cruz, de 53 anos, que trabalha com transporte escolar em Cametá, disse que seu barco tem eixo coberto e que também acha importante a campanha. Ele recebeu material educativo das mãos da coordenadora estadual para ajudar na divulgação da campanha junto à comunidade.

Vicente da Cruz, outro barqueiro de 67 anos, que também transporta estudantes em Cametá há 15 anos, concorda com a necessidade da proteção do motor.  “Pois evita um acidente grave que afeta a vida da pessoa para sempre”, comentou.

Escalpelamento – O acidente acontece quando os cabelos de um passageiro ou passageira se prendem ao eixo do motor e a força arranca violentamente o couro cabeludo e algumas áreas do rosto, deixando cicatrizes e deformações para o resto da vida. Provoca muitas dores e intensa hemorragia pode levar à morte. Além de muito dolorido, o tratamento normalmente se estende por anos, causando traumas e sofrimentos para as vítimas e seus familiares.

Em caso de acidentes, a vítima deve receber os primeiros socorros no município, daí a importância das capacitações para profissionais de saúde; e depois encaminhada para o Hospital da Fundação Santa Casa, em Belém, que é referência no atendimento desses casos.

De 1982 até junho de 2018 foram registrados 428 casos de escalpelamento, sendo que houve uma redução considerável nos últimos três anos com 11 casos em 2015, 06 em 2016, 01 em 2017, e 02 este ano. A queda nos números é resultado da Política de Enfrentamento dos Acidentes com Escalpelamento do governo do Estado do Pará, que vem sendo desenvolvida pela Sespa em parceria com diversas instituições que compõem a Comissão Estadual de Enfrentamento dos Acidentes com Escalpelamento.

Em seguida, de 21 a 26 de agosto, em Portel, a Comissão Estadual de Enfrentamento dos Acidentes com Escalpelamento, tendo à frente a Coordenação Estadual de Mobilização Social, realizará a IV Semana Paraense de Enfrentamento do Escalpelamento, em alusão ao Dia Nacional de Prevenção do Escalpelamento, comemorado no dia 28 de agosto. Pois desde 2012 que os eventos vêm sendo descentralizados de Belém para outros municípios, como Breves e Abaetetuba, por exemplo.

A programação contará com várias atividades destinadas aos professores e comunidade em geral, além de capacitação para profissionais de saúde sobre os primeiros socorros às vítimas de acidentes com escalpelamento.

Serviço: Para informar sobre vítimas de escalpelamento ligue para a Coordenação de Mobilização Social/Sespa: (91) 4006-4329 ou para a Fundação Santa Casa: (91) 4009-2262. Para falar sobre a cobertura gratuita do eixo ligue para a Capitania dos Portos da Amazônia Oriental (0800-2807200/(91) 3218-3950).

Texto: Roberta Vilanova

Fotos: José Pantoja