Seminário atualiza profissionais de saúde sobre controle do câncer de colo do útero

Seminário reúne cerca de 200 profissionais de saúde no auditório do HOL

Cerca de 200 profissionais de saúde, maioria da Atenção Básica de Saúde, participaram, nesta quinta-feira (21), no auditório do Hospital Ophir Loyola (HOL), do Seminário Técnico sobre Detecção, Diagnóstico Precoce e Tratamento do Câncer de Colo do Útero. O objetivo foi atualizar os profissionais sobre as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento e Controle do Câncer do Colo do Útero, cuja última edição foi lançada em 2018, pelo Ministério da Saúde.

O evento integra a programação da Campanha “Março Lilás por todo o Pará – Prevenção e Controle do Câncer do Colo do Útero”, que visa a mobilizar as mulheres e chamar a atenção da população paraense sobre a importância da prevenção e diagnóstico precoce dessa doença, que faz milhares de vítimas anualmente.

Patrícia Martins, coordenadora estadual de Atenção à Oncologia

A coordenadora estadual de Atenção Oncológica, Patrícia Martins, em sua palestra sobre “Epidemiologia e Rede de Serviços de Média e Alta Complexidade no Controle do Câncer de Colo do Útero”, afirmou que o grande desafio é o diagnóstico precoce da doença e que tudo começa no primeiro atendimento às mulheres nas Unidades Básicas de Saúde. “É fundamental que o serviço de coleta do exame preventivo (PCCU) funcione bem, apesar das dificuldades que os municípios enfrentam. É importante que seja feita busca ativa, principalmente, das mulheres que não voltaram para buscar os exames, cujos resultados apresentaram alguma alteração”, explicou a coordenadora estadual.

Por não haver esse diagnóstico precoce, as mulheres estão chegando aos serviços de média e alta complexidade com estadiamento avançado, ou seja, num estágio da doença em que não há possibilidade de tratamento curativo, a não ser assistência paliativa. Para ilustrar a gravidade dessa situação, ela informou que dos 20 leitos de cuidados paliativos do HOL, dez são ocupados por pacientes com câncer de colo do útero, enfatizando, ainda, que precisa haver melhora também as informações no prontuário das pacientes que chegam aos serviços.

Estatística – No que tange ao panorama do câncer de colo do útero no estado, Patrícia apresentou dados preocupantes. De 2009 a 2016, a prevalência foi 4.668 casos da doença no Pará e a estimativa para 2019 é de 860 casos novos da doença no estado. “Só nos hospitais públicos, foram atendidas 527 pacientes em 2015 e 646 mulheres em 2016”, informou Patrícia, lembrando que no Pará e região Norte, o câncer de colo do útero é o primeiro entre as mulheres, enquanto no resto do Brasil, fica em terceiro lugar, sendo superado pelo câncer de mama que ocupa a primeira posição.

Em relação à faixa etária mais atingida pela doença, são as mulheres de 35 a 49 anos, com 35% dos casos, seguidas das mulheres de 50 a 64 anos com 25% dos casos e, em terceiro, as mulheres de 65 a 79 anos de idade com 23%.

E no que tange à mortalidade por câncer de colo do útero, foram, 350 em 2016, 346 em 2017 e 321 em 2018. “São números que precisam ser reduzidos, porque a morte de uma mulher, sem dívida, resulta é um sério problema social para família”, comentou Patrícia

Seminário reúne cerca de 200 profissionais de saúde

“Então precisamos fortalecer a rede de serviços desde a prevenção, começando com a vacinação contra o HPV para meninas e meninos e realização do PCCU, até o tratamento”, disse ela, acrescentando que a meta é realizar cerca de 250 mil exames preventivos do câncer do colo do útero, visando ao alcance de 40% do indicador de saúde 11, que é a razão de exames citopatológicos do colo de útero em mulheres na faixa etária de 25 a 64 anos, pois em 2018, mais de 100 mil exames deixaram de ser realizados.

Segundo Patrícia, os exames precisam ter melhor qualidade e as informações têm que ser incluídas no Sistema de Informação do Câncer, que já está implantado nos 144 municípios.

A coordenadora estadual de Atenção Oncológica informou, ainda, que quando há alteração no PCCU, a paciente é encaminhada para o Serviço de Referência em Diagnóstico e Tratamento de Lesões Precursoras do Câncer de Colo do Útero, onde as pacientes podem realizar exames e procedimentos especializados como colposcopia, biópsia, exérese da zona de transformação do colo uterino e ultrassografia pélvica.

Já existem 14 serviços desses funcionando em 13 municípios (Belém, Marituba, Barcarena, Castanhal, Paragominas, Santarém, Altamira, Conceição do Araguaia, Marabá, Parauapebas, Itaituba e Tucuruí, porém, parte deles ainda não oferece todos os exames às mulheres. E quando há necessidade de serviços de alta complexidade, são então encaminhadas para os hospitais que dispões de serviço de Oncologia.

Agenda – A Campanha Março Lilás por todo o Pará prossegue até o dia 31 de março com busca ativa de mulheres de 25 a 64 anos de idade para realizarem o exame preventivo do câncer do colo do útero nas unidades de saúde; estímulo à vacinação contra HPV e a realização de mutirões de procedimentos de diagnóstico e tratamento de lesões precursoras do câncer de colo uterino, por meio de consultas e exames especializados. O próximo evento da Campanha é um Curso de Atualização no Controle do Câncer de Mama, Colo de Útero e Coleta de Papanicolau, que ocorrerá, de 25 a 29 de março, promovido pela Escola Técnica do SUS (ETSUS) em parceria com a Uremia, para 20 enfermeiros da Região Metropolitana de Belém (RMB).

A Campanha será encerrada, no dia 31 de março, com uma grande caminhada no Parque do Utinga, em parceria com a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (SEEL) e Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio).

Texto: Roberta Vilanova

Fotos: José Pantoja

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