Cai número de casos e óbitos por meningite no Pará

A meningite acomete as membranas do sistema nervoso central, chamadas de meninges (Foto: VSRao/Pixabay)

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) informa que caiu o coeficiente de mortalidade por meningite no Pará com 0,11 óbitos por 100 mil habitantes no período de 1º de janeiro a 13 de abril de 2019 contra 0,16 por 100 mil habitantes no mesmo período do ano passado, ou seja, de 14 óbitos em 2018 para oito em 2019. Também houve queda no número de casos confirmados de 107 em 2018 para 100 neste ano.

Apesar da boa notícia para marcar o Dia Mundial de Combate à Meningite, data comemorada nesta quarta-feira (24), é importante que a população mantenha as medidas preventivas contra a doença, principalmente, nesse período de chuvas intensas, que levam as pessoas a ficarem aglomeradas em locais fechados, o que propicia a propagação de diversas doenças infecciosas.

Para a chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica da Sespa, Martha Nóbrega, “mesmo com essas reduções de número de casos e óbitos, há sempre espaço para as Vigilâncias em Saúde estadual, regionais e municipais melhorarem os indicadores epidemiológicos de forma a garantir uma vigilância epidemiológica sensível e oportuna, assegurando o monitoramento adequado dos casos para a detecção de possíveis surtos e orientação de medidas de prevenção e controle efetivas”.

A meningite acomete as membranas do sistema nervoso central, chamadas de meninges. Pode ser causada por agentes infecciosos (fungos, bactérias e vírus) e por traumatismo. As de origem infecciosa são de especial importância para a saúde pública, principalmente as causadas pelas bactérias meningococo (Neisseria meningitidis), Haemophilus influenzae, Streptococcus pneumoniae (pneumococo) e Mycobacterium tuberculosis. Portanto, todos os casos suspeitos devem ser notificados e investigados.

Transmissão – A doença é transmitida por meio do contato com secreções respiratórias de pessoas infectadas, assintomáticas ou doentes, sendo fundamental o contato íntimo, ou seja, quando o indivíduo reside na mesma casa ou compartilha a mesma sala de aula de escola ou dormitório de creche, asilo, alojamentos ou quartéis, e outros pontos de convívio social em que pode haver contato próximo e prolongado com outras pessoas ou pessoa diretamente exposta às secreções do paciente. O período de incubação é, em média, de dois a dez dias.

Sinais e sintomas – Em geral, o quadro clínico é grave e se caracteriza por febre, cefaleia intensa, vômitos, rigidez de nuca, confusão mental e sinais de irritação meníngea. No curso da doença podem surgir delírio e coma, dependendo do comprometimento encefálico.

A doença meningocócica é uma infecção bacteriana aguda causada pela bactéria Neisseria meningitidis e quando se apresenta na forma de doença invasiva, caracteriza-se por uma ou mais síndromes clínicas, sendo a meningite meningocócica a mais frequente delas e a meningococcemia (infecção generalizada) a forma mais grave, que pode levar à morte rapidamente.

Em crianças de até nove meses, deve-se suspeitar da doença quando há febre, irritação ou agitação, (Foto: Joffi/Pixabay)

Entre os sintomas, além de febre e dor de cabeça, tanto em criança como adulto, apresenta pintas arroxeadas, que com o passar do tempo unem-se e se tornam manchas, bem diferentes das pintas vermelhas apresentadas em casos de dengue, que também causa febre, dor de cabeça, dor nos olhos, músculos e juntas.

Em crianças de até oito ou nove meses, deve-se suspeitar da doença quando há febre, irritação ou agitação, vômitos e recusa alimentar, convulsões e “moleira” inchada.

Outros dados – De acordo com a Divisão de Vigilância Epidemiológica (DVE), de 1º de janeiro a 13 de abril de 2019, foram notificados 381 casos suspeitos de meningite, dos quais 100 (26,24%) foram confirmados,

Dos 100 casos confirmados, 26 foram de meningite bacteriana, 16 casos de meningite não especificada, 07 de meningite tuberculosa, 24 casos de meningite viral, 08 casos de meningite por outras etiologias, 02 casos de meningite pneumocócica, 01 por meningite por Haemophilus influenzae e 16 casos de doença meningocócica, que é a forma mais grave da doença.

Os municípios com registro de casos da doença meningocócica são Belém (09), Tomé-Açu (02), Abaetetuba (01) Aurora do Pará (01), Barcarena (01), Ourém (01), Santa Bárbara (01).

Neste ano, também ocorreram 10 óbitos, sendo 01 por doença meningocócica, 03 por meningite tuberculosa, 02 por outras bactérias, 01 por meningite pneumocócica, 01 por meningite viral e 02 por outra etiologia. Dos 10 óbitos, 09 ocorreram em Belém e 01 em Curuçá.

Prevenção – Uma das medidas preventivas mais importantes é cumprir o calendário básico de vacinação preconizado para as crianças e adolescentes, que dispõe de cinco tipos de vacina: vacina meningocócica C; vacina pentavalente; vacina BCG; vacina pneumocócica 10-valente (conjugada) e a vacina polissacarídica contra o S. paneumoniase 23-valente para toda a população indígena acima de dois anos de idade e para a população idosa.

Outras maneiras de proteção são lavar as mãos com água e sabão ou álcool para evitar disseminação de vírus e bactérias; evitar o compartilhamento de alimentos, bebidas, pratos, copos e talheres; evitar mandar crianças com febre para a escola; e evitar ficar em ambientes fechados e sem circulação de ar, o que se sabe que é difícil nesse período chuvoso.

Serviço: para o primeiro atendimento, os usuários do SUS devem procurar as Unidades Básicas de Saúde ou as Unidades de Pronto Atendimento (UPA), de onde, se suspeitos da doença, serão encaminhados para a Unidade de Diagnóstico de Meningite no Hospital Universitário João de Barros Barreto. Os pacientes suspeitos do serviço privado deverão seguir o fluxo de atendimento de sua rede conveniada ou procurar o SUS.

Texto: Roberta Vilanova

 

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