Lacen-PA realiza análise de elementos químicos em água e alimentos

Coletti Costa, técnica em Patologia do Lacen-PA, prepara amostra para análise

O Laboratório Central do Estado (Lacen-PA) vai analisar amostras de peixes da Cidade de Aracruz-ES, para verificar se estão ou não contaminados com mercúrio, arsênio, cádmio e chumbo, como consequência, ainda, do rompimento da barragem da mineradora Samarco, no Distrito de Mariana, em Minas Gerais, ocorrido em novembro de 2015. A demanda é do Ministério Público do Espírito Santo e o Lacen-PA está aguardando a chegada das amostras para a análise.

Esse trabalho será desenvolvido pela Seção de Toxicologia que integra a Divisão de Análise de Produtos (DAP), contando com profissionais capacitados e equipamentos de última geração adquiridos com recursos da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entre os equipamentos, merece destaque o ICP-OES, que quantifica metais em diferentes matrizes, sendo elas, alimentos, biológicas e meio ambiente, e tem capacidade de processar até 208 amostras por dia. Para se ter uma ideia, em 2018, foram realizadas 15.184 análises de metais em amostras de água e 2.450 de metais em amostras de sangue e cabelo.

Ronaldo Magno, doutor em Química Analítica e analista do Lacen-PA

A informação é do doutor em Química Analítica e analista do Lacen-PA, Ronaldo Magno Rocha, que mostrou um pouco do trabalho desenvolvido pela Seção de Toxicologia do Lacen-PA, o Laboratório que ocupa o quinto lugar na classificação do Ministério da Saúde, mas ainda não tem a sua importância conhecida pela maioria da população paraense.

Ronaldo disse que, como referência em análises fiscais para Vigilância Sanitária (Visa), a Seção de Toxicologia analisa amostras para dosar a quantidade de sódio, ferro, ácido fólico, entre outras substâncias, em produtos alimentícios coletados de supermercados. Também realiza análise em água de meio ambiente, água de consumo, água de hemodiálise e de efluentes, atendendo a alguns órgãos do Estado como Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará) e Centro de Perícias Científicas Renato Chaves (CPC).

Equipamento ICP-OES, que quantifica metais em diferentes matrizes e tem capacidade de processar até 208 amostras por dia

Sódio – O Lacen-PA participa do Programa de Avaliação Teor Nutricional (Paten) e do Programa Nacional de Monitoramento de Aditivos e Contaminates em Alimentos (Promac) do Ministério da Saúde, que visam à análise de alguns alimentos para verificar a presença de metais pesados, principalmente de chumbo, arsênio e mercúrio. “Mas, a grande demanda é a análise de sódio, já que a Anvisa vem trabalhando junto às indústrias alimentícias para reduzir a quantidade de sódio nos alimentos, sopa instantânea, maionese, tempero pronto, macarrão instantâneo, embutidos em geral, biscoitos e peixes. Então, o Lacen-PA atende à Anvisa nesse parâmetro. E nesse trabalho, o Laboratório recebe amostras não só do Pará, mas de outros estados também”, explicou o analista.

Acidentes ambientais – Segundo Ronaldo, o Lacen-PA também atende a demandas inesperadas, como é o caso de acidentes ambientais ou denúncias feitas pelo Ministério Público do Estado (MPPA), em que há necessidade de averiguação. Um caso recente que necessitou de análises do Lacen-PA foi o acidente com possível derramamento de rejeito da Mineradora Norsk Hydro Brasil em Barcarena. “Coletamos cabelo e sangue de mais de 200 pessoas e fizemos a dosagem de metais pesados nessas amostras biológicas. Dosamos alumínio, cádmio, chumbo, cromo e níquel, sendo que o cádmio, chumbo e níquel têm um grau de toxidade elevado” informou o analista.

Em Barcarena, também foi feita a análise da água de consumo e dos rios do município. Atualmente, o Lacen-PA consegue quantificar 26 elementos químicos tanto em amostras de água quanto de solo, biológicas ou alimentos.

Equipamento ICP-MS utilizado para analisar alumínio em água de hemodiálise

Hemodiálise – Ronaldo informou, ainda, que o Lacen-PA começará a monitorar 28 clínicas de nefrologia do estado para analisar principalmente alumínio em água de hemodiálise, utilizando um equipamento de alta sensibilidade denominado de ICP-MS. Para isso, os técnicos dos Centros Regionais de Saúde e da Vigilância Sanitária Municipal de Belém serão treinados em maio para coletarem as amostras das águas das clínicas e encaminharem ao laboratório.

Análise – O processo começa com a entrada da amostra no Laboratório, onde passa primeiramente por uma triagem para saber se o alimento está dentro dos padrões adequados para ser analisado, sendo observada a validade do produto, o seu peso e se a embalagem está íntegra. “O tempo de análise leva em média 15 dias desde a chegada da amostra até a entrega do laudo”, informou Ronaldo.

Se a análise apontar que o produto está insatisfatório para o consumo, o fabricante é imediatamente notificado pela Visa, e tem o direito de recorrer a uma análise de contra prova, mas dependendo da gravidade da insatisfatoriedade, a Visa toma algumas medidas, tais como retirada de lote, e até mesmo interdição da fábrica. “É o que tem acontecido com as águas adicionadas de sais, que a população, por desconhecimento, muitas vezes compra, como se fosse água mineral e vice-versa”, comentou o analista.

Controle de qualidade – Para garantir a emissão de resultados de maneira confiável o Lacen-PA precisa atender a alguns parâmetros de qualidade. E um desses parâmetros é chamado de Ensaio de Proficiência de Metais Pesados em Água.

A Rede de Metrológica de Minas Gerais (RMMG), responsável pelo ensaio, envia uma amostra para análise no Lacen-PA, o que é chamada de amostra cega, pois é repassada ao Laboratório poucas informação sobre a quantidade de metais presentes nela. O Lacen-PA analisa a amostra e emite um relatório para a RMMG, que aplica o teste a vários laboratórios ao mesmo tempo e depois compara os resultado de todos com o dela por meio de testes estatísticos.  Conforme Ronaldo, esse serviço é pago pelo Lacen-PA e tem o objetivo de manter a qualidade das análises, especificamente de metais, feitas pelo Laboratório”.

O último teste foi em água de meio ambiente. Foram analisados nove metais. Desses nove, oito resultados foram satisfatórios e um questionável relacionado à presença de ferro. Quando isso ocorre, o Laboratório pode entrar com um recurso, e foi o que o Lacen-PA fez, porque não concordou com o resultado e está aguardando a resposta. Mas, segundo Ronaldo, “de maneira geral, nós obtivemos mais de 90% de acerto já que os níveis são satisfatório, questionável e insatisfatório, então esse questionável não quer dizer que nós estamos errados”. O teste é uma maneira de o Lacen-PA avaliar a sua confiabilidade analítica. O teste é feito anualmente e cada seção tem um teste de proficiência que pode ser adotado.

Texto: Roberta Vilanova

Fotos: José Pantoja/Sespa

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