Embaixador da OMS para eliminação da hanseníase faz visita ao Pará

Yohei Sasakawa sendo recebido pela diretora da URE Marcello Cândia, Fátima Arraes.

O presidente do Conselho de Administração da Nippon Foundation e embaixador da Boa Vontade da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Eliminação da Hanseníase, Yohei Sasakawa, chegou ao Pará nesta terça-feira, 02, para dar sequência à visita que faz ao Brasil com o objetivo de discutir os avanços do país no enfrentamento à hanseníase. Em Belém, foi recebido pelo governador do Estado, Helder Barbalho, e pelo secretário de Estado de Saúde, Alberto Beltrame, após visitar a Unidade de Referência Especializada (URE), Marcello Cândia, em Marituba. No roteiro, o embaixador passou por Marabá, no dia 03 de julho, e São Luiz, capital maranhense.

Yohei Sasakawa e comitiva visitaram setores da URE Marcello Cândia, entre as quais a oficina ortopédica

Na URE Marcello Cândia, vinculada à Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), Yohei Sasakawa e sua comitiva puderam conferir o trabalho dispensado aos pacientes com hanseníase, que recebem atendimento em média complexidade após encaminhamento feito pelas Unidades Básicas de Saúde.

“O que pude perceber é que os profissionais estão bem mais motivados a trabalhar pela comunidade se comparados ao que notei há três anos, quando estive aqui pela primeira vez. Mas o combate à hanseníase não depende só deles e sim do comprometimento do coletivo e principalmente da família, que deve incentivar a prevenção entre seus entes”, comentou o embaixador, após cerca de uma hora e meia conhecendo o ambiente, desde a triagem, passando pelo ambulatório até chegar à sala de reabilitação, em que pacientes passam por sessões de fisioterapia.

Moradora de Tomé Açu, a dona de casa Maria Laíza Santos da Silva, de 44 anos, é um exemplo de como o paciente com tratamento humanizado pode evoluir rápido para a cura. Por mais que tenha começado o tratamento na URE Marcello Cândia em dezembro de 2018, já sente melhoras apesar do diagnóstico não ter sido precoce. “Sentia muitas dores que estavam me fazendo pensar em reumatismo, mas aí vieram as manchas e procurei atendimento. Fui encaminhada para cá e uma vez por mês sou atendida com toda a atenção. Tenho a esperança que em breve terei alta, pois só estou tratando as sequelas. A doença já terminou”, comentou.

Yohei Sasakawa, a intérprete Zelinda Tomie Fujikawa e o secretário de Saúde do Pará, Alberto Beltrame

Na agenda em Belém, o embaixador esteve reunido com o secretário de Estado de Saúde Pública, Alberto Beltrame, que destacou alguns desafios do Pará para aperfeiçoar a prevenção da doença em todo o Pará. “Somos o quinto Estado com mais casos confirmados no país e estamos trabalhando para a diminuição das ocorrências, seja pelo treinamento dos profissionais, passando pela humanização no atendimento em nível de referência até a reinserção dos pacientes ao convívio na sociedade sem qualquer estigma ou preconceito”, afirmou.

Beltrame lembrou que o tratamento é gratuito e realizado pelo SUS gratuitamente. “Conforme a gravidade, dura de seis a 12 meses. Com o início da terapia, não é preciso nenhuma medida higiênica, como separação de talheres, ou isolamento domiciliar, pois o risco de contágio cai drasticamente a partir da primeira dose da medicação”, orientou.

Yohei Sasakawa e o secretário de Saúde do Pará, Alberto Beltrame

No Estado, o diagnóstico e tratamento para a hanseníase estão disponíveis em todas nas Unidades Básicas de Saúde, mantidas pelas Secretarias Municipais de Saúde, vinculadas às prefeituras. O esquema terapêutico dispensado ao paciente é todo ambulatorial, ou seja, não necessita de internação. Para casos de média complexidade, pacientes são encaminhados para a URE Marcello Cândia, mantida pela Sespa em Marituba.

Incidência – De acordo com a Coordenação Estadual de Controle da Hanseníase, na última década, o Pará apresentou uma redução de 42,3% no número de casos novos, de 4.076 diagnosticados em 2009, para 2.531 em 2018. Os dados mais atualizados apontam ainda que, em 2019, já foram confirmados 973 novos casos.

Segundo os parâmetros do Ministério da Saúde, o Pará ocupa o quinto lugar em incidência da doença, com 29,73 casos por cada 100 mil habitantes notificados em 2018, ficando atrás do Maranhão, Mato Grosso, Tocantins e Rondônia.  Além disso, possui uma taxa de cura de hanseníase de 76,9% e um percentual de abandono de tratamento de apenas 7,3%.

Yohei Sasakawa, o secretário de Saúde do Pará, Alberto Beltrame, e diretores de Centros Regionais da Sespa, durante solenidade no gabinete da Sespa

Esse resultado é atribuído ao trabalho desenvolvido pela Atenção Básica no Estado, principalmente pela equipe de enfermagem comprometida com o controle da doença, e ao esforço da Sespa, cujo trabalho desenvolvido pela Coordenação Estadual de Controle da Hanseníase envolveu treinamentos para 4.549 profissionais de saúde de todos os níveis e em todos os municípios paraenses de forma contínua, pelo menos nos últimos 15 anos.

Essas informações foram compartilhadas com a comitiva do embaixador, cuja visita agrega também Marabá, na manhã desta quarta-feira, 03,  quando participará de sessão solene na Câmara de Vereadores do município. De forma simultânea às visitas, a equipe técnica que acompanha o embaixador avalia os desempenhos de Belém e Marabá, que são dois dos 20 municípios brasileiros selecionados que já participam do projeto “Abordagens inovadoras para intensificar esforços para um Brasil livre da hanseníase”, desenvolvido por meio de uma parceria do Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), com apoio financeiro da Fundação Nippon, com período de vigência entre 2017 e 2019.

O objetivo do projeto é diminuir a carga de hanseníase nas cidades selecionadas, com a ampliação do trabalho da detecção de casos novos; promoção da educação permanente para os profissionais da Atenção Primária à Saúde; fortalecimento dos centros de referência; redução da proporção de casos novos com Grau 2 de incapacidade física – GIF2 (como garras em mãos e/ou pés e atrofia muscular), por meio do diagnóstico precoce e ações de prevenção de incapacidades; e enfrentamento do estigma e discriminação contra as pessoas acometidas pela doença.

  • Fotos de José Pantoja (Ascom/Sespa).

 

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