Julho Amarelo: Oficina atualiza profissionais para novas orientações sobre hepatite C e coinfecções

Treinamento em Belém aconteceu no Ministério Público do Pará.                          Fotos de José Pantoja (Ascom/Sespa)

Profissionais de Saúde que atuam em Unidades de Referência Especializadas (Ures), Centros Regionais e em Secretarias Municipais estiveram em Belém, nesta sexta-feira, 05, recebendo novas orientações sobre a atualização do Protocolo Clínico e das Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Hepatite C e Coinfecções, durante oficina mediada pelos técnicos Elton Almeida e Karen Tonini, do Departamento de Vigilância em Prevenção e Controle das IST´s, HIV/AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde (MS).

Deborah Crespo, coordenadora da Divisão de Controle de Doenças Transmissíveis da Sespa

Em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde do Pará (Sespa), a atividade teve como objetivo qualificar e padronizar os fluxos do manejo clínico dos pacientes com Hepatite C nos serviços assistenciais mantidos pelos diversos níveis do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o Pará. “Esse protocolo foi anunciado em dezembro pelo governo federal, que tem destacado técnicos para treinar profissionais dos Estados que possam ser agentes multiplicadores das informações sobre as principais alterações do documento, que somam positivamente ao tratamento já ofertado aos pacientes da doença”, comenta a médica Deborah Crespo, coordenadora da Divisão de Controle de Doenças Transmissíveis, que integra a Diretoria de Vigilância de Saúde da Sespa.

Entre as novidades do Protocolo, consta a inclusão de dois esquemas terapêuticos pangenotípicos (que tratam todos os tipos de vírus da hepatite C): glecaprevir/pibrentasvir e velpatasvir/sofosbuvir, ambos com o uso recém aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A indicação dessas duas novas opções terapêuticas se junta ao esquema que compreende a associação de sofosbuvir/daclatasvir, pangenotípico já ofertado desde 2015. Além dessas opções, o PCDT manteve as indicações para ledipasvir/sofosbuvir (genótipo 1), elbasvir/pibrentasvir (genótipos 1 e 4), ribavirina e alfapeginterferona (para algumas situações pediátricas).

Elton Almeida, consultor do Ministério da Saúde

Segundo o consultor Elton Almeida, do Ministério da Saúde (MS), esta nova versão do protocolo apresenta entre as principais inovações a ampliação do acesso ao tratamento para todos os pacientes portadores de hepatite C, independentemente, do grau de comprometimento hepático e inclui o retratamento, para os pacientes que não obtiveram a resposta virológica sustentada em tratamentos anteriores. Inclui também a possibilidade de tratamento dos casos de hepatite C aguda com os antivirais de ação direta.

O documento em questão foi aprovado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) – por meio da Portaria SCTIE/MS nº 84, de 19 de dezembro de 2018, após processo de consulta pública à sociedade. A atualização do protocolo faz parte de um rol de ações do MS incluídas no Plano de Eliminação da Hepatite C até 2030, cujo empenho dos Estados e municípios é essencial para pôr em prática a universalização do tratamento, que passou a ser ofertado pelo SUS a todas as pessoas diagnosticadas com hepatite C, independentemente do dano no fígado – medida incorporada em edição anterior do PCDT, de março de 2018. Segundo Elton Almeida, essa nova proposta de protocolo foi pautada, também, por ampla negociação de preços, a fim de alcançar a sustentabilidade e expandir o acesso à assistência no SUS.

Karen Tonini, consultora do Ministério da Saúde

Sobre a hepatite C – Uma doença de evolução lenta e silenciosa, a hepatite C é causada por um vírus (HCV) que provoca uma inflamação aguda ou crônica do fígado. “Em muitos casos, a doença não apresenta nenhum sinal ou sintoma, levando a um diagnóstico tardio, o que aumenta os riscos de a infecção evoluir para formas mais graves, causando cirrose hepática e câncer”, alerta Deborah Crespo. Do total de pessoas infectadas pelo vírus, aproximadamente 60% a 85% evoluem para a forma crônica da doença, segundo o MS.

Estima-se que, no Brasil, aproximadamente 1 milhão de pessoas tenham tido contato com o vírus da hepatite C; destas, calcula-se que 675 mil tenham o vírus circulante no sangue, sendo, por isso, elegíveis para o tratamento. No Pará, 304 casos de hepatite C foram diagnosticados com a doença em 2017. No ano seguinte, foram 113 casos. Como no restante do Brasil, a maior concentração de casos de hepatite C está entre a população acima de 40 anos de idade.

No Brasil, mais de 70% (23.070) dos óbitos por hepatites virais são decorrentes da Hepatite C, seguido da Hepatite B (21,8%) e A (1,7%), segundo o Ministério da Saúde. No Pará, sete pessoas morreram pelo tipo C em 2016. No ano seguinte, foram a óbito 09 pessoas. Desde 2015, o SUS já distribuiu 76 mil tratamentos para hepatite C, com um investimento de cerca de 2 bilhões de reais. A hepatite C tem cura em mais de 90% dos casos quando o tratamento é seguido corretamente.

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