Julho Amarelo: campanha tem foco na prevenção às hepatites

Testagens rápidas para hepatites contribuem para o diagnóstico precoce da doença.

Destinada a chamar atenção para a luta contra as hepatites virais e com o objetivo de reforçar as iniciativas de vigilância, prevenção e controle do agravo, a campanha “Julho Amarelo” deste ano, realizada pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), orienta que as Secretarias Municipais de Saúde intensifiquem as orientações com relação à testagem rápida para hepatite C a pessoas maiores de 40 anos e à imunização para hepatite B em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Estado, enfatizando a mulher na idade fértil como uma forma de reduzir a transmissão da doença a partir da mãe para o seu feto no útero ou recém-nascido durante o parto.

Durante os sábados e domingos de julho, equipes de técnicos da Sespa e dos Centros Regionais de Saúde estão atuando juntos nas ações de verão em Abaetetuba, Barcarena, Bragança, Salinópolis, Soure, Salvaterra, Peixe Boi, Marudá e Cametá, que são os municípios com balneários mais procurados pela população, para orientar sobre como evitar as hepatites e as infecções sexualmente transmissíveis (IST´s), como a sífilis e o HIV/Aids. “Serão ações de busca ativa a fim de orientar pessoas a procurarem, o mais cedo possível, o diagnóstico e o tratamento. A pactuação local com os municípios é essencial”, recomenda a médica Deborah Crespo, coordenadora da Divisão de Controle de Doenças Transmissíveis, que integra a Diretoria de Vigilância de Saúde da Sespa.

Na manhã do dia 27 de julho, um sábado, haverá uma caminhada no Parque do Utinga, em Belém, alusiva ao 28 de julho, data escolhida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para a celebrar o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais. Este ano, por meio da Lei 13.802, sancionada em janeiro pela Presidência da República, foi instituído julho como o mês para chamar atenção da luta contra as hepatites virais, reforçando as iniciativas de vigilância, prevenção e controle do agravo.

As hepatites virais são inflamações causadas por vírus que são classificados por letras do alfabeto em A, B, C, D (Delta) e E. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento para todos independente do grau de lesão do fígado. “Em muitos casos, não há nenhum sintoma e isso aumenta os riscos da infecção evoluir e se tornar crônica, causando danos mais graves ao fígado, como cirrose e câncer”, reforça Deborah Crespo. Por isso, é importante ir ao médico regularmente e fazer os exames de rotina, que detectam as hepatites. Este cuidado é ainda mais importante nos seguintes casos: pessoas que não se imunizaram para hepatite B; ou que têm mais de 40 anos e que podem ter se exposto ao vírus da hepatite C no passado, seja em transfusões de sangue ou cirurgias.

A médica Deborah Crespo, coordenadora da Divisão de Controle de Doenças Transmissíveis, que integra a Diretoria de Vigilância de Saúde da Sespa.

Segundo dados contidos no mais recente Boletim Epidemiológico do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais do Ministério da Saúde, no Brasil, mais de 70% (23.070) dos óbitos por hepatites virais são decorrentes da Hepatite C, seguido da Hepatite B (21,8%) e A (1,7%).

No Pará, o boletim aponta ainda que os casos de hepatite B em 2017 totalizaram 323 confirmações. No ano seguinte, foram confirmados outros 247 novos casos do mesmo tipo. Em relação ao tipo C, em 2017 o Pará teve 304 casos e mais 113 casos da mesma tipagem no ano seguinte. A respeito de óbitos pela doença no Estado, o tipo B fez 14 vítimas fatais em 2016 e, no ano seguinte, esse número chegou a 08. A forma C da hepatite levou 07 pessoas à morte em 2016 e outras 09 em 2017.

Serviço – No Pará, o cidadão que quiser saber se possui ou não hepatite deve procurar os locais que servem para diagnóstico e tratamento da doença, como os Centros de Testagens e Aconselhamento (CTAS), vinculado às Secretarias Municipais de Saúde.

No interior do Estado, o atendimento para testagem e tratamento é disponível nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTAS) de Santarém, Marabá; Parauapebas; Tucuruí, Abaetetuba e Barcarena, além do Hospital Regional do Araguaia, em Redenção. Para todos esses locais, é essencial que o cidadão seja encaminhado pela Unidade de Saúde mais próxima de sua residência. Os pacientes com resultado positivo são referenciados para consulta médica de acordo com o fluxo estabelecido pelo município.

Fotos: José Pantoja ( Arquivo Ascom/Sespa)

Em Belém, a referência principal é a Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, especialista no diagnóstico e o tratamento de doenças do fígado. Além da Santa Casa, Belém dispõe de outros locais para o tratamento: Hospital de Clínicas Gaspar Viana, Centro de Saúde do Marco, Unidade de Referência Especializada em Doenças Infecciosas e Parasitárias Especiais (Uredipe), além do Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa), no campus da avenida Almirante Barroso, onde funciona o curso de Medicina.

Como parte da campanha, profissionais de saúde que atuam em Unidades de Referência Especializadas (Ures), Centros Regionais e em Secretarias Municipais estiveram em Belém, nesta sexta-feira, 05, recebendo novas orientações sobre a atualização do Protocolo Clínico e das Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Hepatite C e Coinfecções, durante oficina mediada por técnicos do Departamento de Vigilância em Prevenção e Controle das IST´s, HIV/AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde (MS).

Em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde do Pará (Sespa), a atividade teve como objetivo qualificar e padronizar os fluxos do manejo clínico dos pacientes com Hepatite C nos serviços assistenciais mantidos pelos diversos níveis do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o Pará.

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