Serviço de Ostomia da Sespa será referência para o estado de Sergipe

Dione Seabra e a residente do HOL Jamilly Moura durante uma consulta de enfermagem

O Serviço de Ostomia da Unidade de Referência Especializada Presidente Vargas (Ures) será referência para o estado de Sergipe, que pretende melhorar a prestação de serviços aos seus usuários. Para isso, uma equipe de servidores da Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe realizou, nos dias 19 e 20 de agosto, uma a vista técnica para conhecer de perto como funciona o serviço no Pará.

A ostomia, ou estomia de eliminação, é um procedimento cirúrgico realizado quando é preciso construir um novo trajeto para eliminar a urina e as fezes. Geralmente, é realizado depois de condições traumáticas ou patológicas, tais como perfurações no abdômen, doenças no intestino, no reto e na bexiga, que podem gerar necessidade de uma ostomia para a preservação da vida.

O secretário de Estado de Saúde, Alberto Beltrame, que é presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) ficou feliz com a solicitação de Sergipe. Para ele, “é muito importante a troca de informações entre as Secretarias Estaduais de Saúde, para que as experiências exitosas em Saúde Pública sejam conhecidas e reproduzidas em diversos lugares do Brasil, melhorando, cada vez mais, os serviços no Sistema Único de Saúde”.

A equipe visitante, formada pela enfermeira e coordenadora do Centro de Atenção Especializada (Case), Jéssica Silva; pelo coordenador do Centro de Distribuição de Insumos e Medicamentos (Cadim), Sisino Aguiar; e pela enfermeira e assessora técnica do Cadim, Taís de Aragão, foi recebida pela diretora da Ures Presidente Vargas, Eleita Aragão, e por toda a equipe que atua no Serviço de Ostomia.

Jéssica Silva informou que a equipe veio conhecer de perto o fluxo de trabalho da atenção aos ostomizados, que vem dando certo em Belém, “porque lá em Sergipe, nós estamos tentando melhorar o atendimento em todos os sentidos para esses pacientes, inclusive, tornando-o mais acolhedor e humanizado”.

Ela disse que só o fato de trabalhar com equipe multidisciplinar já é um ganho muito grande para o paciente. “Então, a gente veio ver como funciona todo o fluxo de trabalho, o que está dando certo e até conhecer os erros iniciais, pois as boas ideias precisam ser copiadas sempre porque quem vai ganhar é usuário do SUS”.

Funcionamento – A coordenadora da do Serviço de Ostomizados da Sespa, Francisca Santino, informou que os pacientes atendidos vêm encaminhados dos hospitais, com laudo do cirurgião, para receberem a bolsa de coleta e todas as orientações necessárias para o uso correto. “Aqui o usuário conta com uma equipe multidisciplinar formada por médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos e nutricionistas”, disse a enfermeira.

Equipe da Sespa com a equipe de Sergipe

Segundo Francisca, atualmente, o Serviço tem cerca de 1.800 usuários cadastrados, que precisam da ostomia permanente ou provisória. “Diariamente, nós atendemos cerca de 80 pacientes, com a entrega de bolsas coletoras e adjuvantes”, informou a coordenadora.

Sobre a visita, Francisca disse que a troca de experiências está sendo muito boa. “A gente sente que cada setor que eles estão conhecendo é uma novidade para eles. Seria muito bom se todo o Brasil tivesse um atendimento com esse acompanhamento humanizado”, disse Francisca.

Perfil dos usuários – Segundo a enfermeira Dione Seabra, a maioria dos usuários do Serviço é formada por pacientes oncológicos, crianças com má formação congênita, mas também tem recebido muitas vítimas de arma de fogo e arma branca. “Aliás, os casos motivados por violência vêm em segundo lugar”, observou a enfermeira.

Dione informou, ainda que, como o serviço da Ures é o único que existe para atender aos pacientes do SUS de todo o estado, muitas vezes, para facilitar o atendimento aos pacientes que vêm de municípios distantes da capital, a dispensação de bolsas e adjuvantes é feita para durar mais de um mês.

Asistente social Telma Barbosa Souza repassa as informações sobre o trabalho do Serviço Social

A assistente social Telma Barbosa de Souza disse que o Serviço Social é responsável pelo primeiro contato, acolhimento e cadastro do usuário que chega ao serviço, para em seguida, passar para a consulta com a enfermagem. “Nossa missão principal é informar ao usuário sobre todos os seus direitos como paciente ostomizado. A gente orienta quanto ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), Passe Livre, Tratamento Fora de Domicílio (TFD) e todos os demais benefícios”, informou Telma

O paciente A.S.T.P. de 38 anos, vítima de uma tentativa de homicídio e que estava indo ao serviço pela segunda vez, disse que foi bem atendido. “Levei quatro tiros, saí há pouco tempo do Metropolitano e a previsão é que eu precise usar a bolsa por 90 dias”, acrescentou ele.

Elenita Aragão, diretora da Ures Presidente Vargas

Avaliação – Segundo Sisino, a diferença entre o serviço do Pará e de Sergipe é que lá o Serviço de Ostomizado funciona juntamente com o de órtese e prótese e ainda com a dispensação de medicamentos especializados, o horário é reduzido, das 7h às 13h, assim como o número de profissionais que trabalham também é pequeno se comparado com o da Ures.

A assessora técnica do Cadim de Sergipe, Taís de Aragão, fez uma avaliação positiva do Serviço. “Percebi que o serviço é extremamente estruturado e são poucos serviços no Brasil que estão no mesmo nível do daqui. “Um ponto importante é a existência da consulta de enfermagem em que o paciente é orientado e acompanhado. Outro ponto é a dispensação de mais de uma marca de bolsa coletora para o usuário poder escolher a que se adequa melhor à sua estrutura física, conforme prevê portaria 400 do Ministério da Saúde”, disse Taís.

A diretora da Ures Presidente Vargas, Elenita Aragão, disse que se sente honrada em fazer parte da Ures Presidente Vargas no momento em que esse serviço está servindo de modelo para outros estados brasileiros. “Inclusive, tomei conhecimento de comentários feitos em congressos médicos no Sul e Sudeste do Brasil, afirmando que esse serviço é uma referência nacional, e fico muito feliz por isso”, comemorou a diretora.

Texto e fotos: Roberta Vilanova

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