Ações de prevenção marcam o Dia Nacional de Combate ao Escalpelamento

O governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) com a parceria da Marinha do Brasil, estão realizando a IV Semana Estadual de Enfrentamento ao Acidente de Motor com Escalpelamento em alusão ao Dia Nacional de Combate, ocorrido no dia 28. Para isso, técnicos da Sespa e parceiros estão atuando nos portos da capital orientando barqueiros e usuários para a prevenção aos acidentes.

Samia Borges, coordenadora do Dpais da Sespa, durante ação em escola situada em Barcarena

A programação reúne várias ações educativas e de saúde, como a que aconteceu na terça-feira, 27, na escola municipal Lourival Cunha, na Ilha das Onças, localidade do município de Barcarena, nordeste do estado. Para Reginaldo Cardoso, diretor da escola, a ação do Estado tem uma importância significativa, “como os nossos alunos usam o barco como transporte para ir e vir na região, porque eles usam não só o transporte escolar, que cumpre todas as exigências da Marinha, mas eles usam os transportes da família, no dia a dia deles, como a rabeta e por isso é importante essa ação. A gente fica feliz dessa ação do governo ter escolhido a nossa escola em que estudam mais de 500 alunos”, relata Reginaldo.

Para Luzia Matos, gerente do Espaço Acolher da Fundação Santa Casa, esta semana é importante pelo alcance da ação, principalmente ao público alvo, tendo como cenário a população ribeirinha, na conversa com os estudantes fez questão de alertar para os cuidados com a proteção na navegação e cita casos de pacientes que perderam o couro cabelo e até outras partes do corpo, além da queimadura por conta com a situação dos barcos e rabetas (muito comum na região amazônica). Questionando os alunos muitos responderam que tem relação direta com muitos dos acidentados. “O acidente com escalpelamento é muito triste, ele acompanha a pessoa para o resto da vida toda. São tratamentos para a vida toda. O nosso objetivo é sempre alertar para que não entrem em barcos sem o eixo coberto”, alerta Luzia.

Alunos da escola municipal Lourival Cunha, na Ilha das Onças, receberam orientação da Sespa sobre higiene bucal

Um dos parceiros na ação na escola foi a Ong dos Ribeirinho Vítimas de Acidentes de Barco (Orvam), que presta serviço na área da assistência social às vítimas de escalpelamento pós-acidente. Dalcenira Pantoja, que sofreu o acidente quando tinha 9 anos de idade e é uma das integrantes da Orvan, conversou com os alunos sobre os riscos do acidente e fez um alerta que emocionou a todos. Falou de seu sofrimento desde que foi acidentada no barco, mas que tenta buscar forças ajudando outras vítimas e fazendo o alerta às pessoas sobre o perigo que as embarcações sem proteção do eixo do motor podem representar.

A adolescente Paloma Cristine, aluna da escola, disse que é importante receber as informações e agora vai redobrar ainda mais o cuidado com o seu cabelo, na hora de entrar em um barco, porque é chocante ver alguém sofrer acidente que pode e deve ser evitado.

Para Leonardo Sarges, capitão do Corpo de Bombeiros, que participa da ação do governo, explica que as crianças são as fontes de mudança. “Então através da educação a gente pretende que o comportamento na sociedade mude, principalmente com relação à situação de risco, da percepção do perigo, como é o caso de afogamentos e acidentes de barco. A criança é o vetor dentro de sua casa, quando a gente consegue repassar a situação de alerta a uma criança, que assimila melhor que um adulto, a gente consegue alcançar a família dela, porque ela cobra direto. Elas interagem bastante e participam e assimilam a informação brincando”, diz. Leonardo.

Durante a atividade na escola, os estudantes receberam orientações sobre higiene bucal da coordenadora estadual de Saúde Bucal, Alessandra Amaral, e de toda sua equipe

Durante a atividade na escola, os estudantes receberam orientações sobre higiene bucal da coordenadora estadual de Saúde Bucal, Alessandra Amaral, e de toda sua equipe. Cada um recebeu um kit incluindo escova, pasta e fio dental. “Queremos disseminar as boas práticas da higiene oral com foco nas crianças e a oportunidade de estar em escolas é ideal para essa prática”, diz Alessandra.

Distribuímos 200 kits com escova, fio e creme dental, com foco em crianças, na frente dos pais e de pessoas adultas da família. Ou seja, essas orientações alcançaram uma média de 700 pessoas. Mesmo nesse ambiente de férias, de diversão, não podemos descuidar da saúde bucal”, avalia a coordenadora estadual de Saúde Bucal, a odontóloga Alessandra Amaral.

Em apoio à campanha, a Capitania dos Portos da Amazônia Oriental (Cpaor) também está conduzindo ações paralelas nos rios do Pará, com fiscalizações, orientações, doações de coletes salva-vidas e instalação gratuita de placas de ferro, que minimizam os riscos de acidentes envolvendo embarcações. A ação de conscientização é para reforçar a segurança da navegação da salvaguarda da vida humana, e da prevenção da poluição dos rios também. É a segunda vez que a Capitânia atua no Furo do Nazário, além de estar ainda uma ação em São Sebastião da Boa Vista, na ilha do Marajó. A medida tem como objetivo reduzir e erradicar o escalpelamento no Estado do Pará.

As ações também estão ocorrendo em Belém, no porto do açaí, no bairro do Jurunas. Fotos de José Pantoja (Ascom/Sespa)

Sâmia Borges, diretora de Política de Atenção Integral à Saúde (Dpais) da Sespa, diz que as ações de combate ao escalpelamento continuarão além da data alusiva. “Estamos intensificando essas ações nos portos dentro da área metropolitana e durante os outros meses temos o trabalho da Coordenação de Povos Tradicionais e Indígenas com o monitoramento das localidades. Olhando a questão dos casos, aonde foram concentrados e a partir disso a gente planeja as ações para ir até a localidade”, destaca a diretora.

As ações prosseguem nesta quinta-feira entre 8 e 9h30, em Belém, no porto do açaí, no bairro do Jurunas, onde foram detectados algumas pequenas embarcações sem a proteção adequada ao eixo do motor.

A Semana envolve a parceria da Sespa, Seduc, Seaster, Corpo de Bombeiros, Fundação Santa Casa, Marinha do Brasil, por meio da Capitania dos Portos da Amazônia Oriental (Cpaor), além das universidades. (Com informações de Samuel Mota, da Assessoria de Comunicação da Santa Casa de Misericórdia).

Serviço:
Para informar sobre vítimas de escalpelamento, ligue para a Diretoria de Políticas de Atenção Integral à Saúde (Dpais) da Sespa: (91) 3223-8170 ou para a Fundação Santa Casa: (91) 4009-2262.

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