Fórum debate a doação de órgãos e tecidos no Pará

A abertura do Fórum aconteceu nesta quinta-feira, na Unama, em Belém

Para incentivar e conscientizar a população sobre a doação de órgãos, a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa), por meio da Central de Transplantes, deu início nesta quinta-feira, 26 ao “I Fórum sobre Doação e Transplantes de Órgãos e Tecidos”. O evento acontece até esta sexta-feira (27), no auditório da Universidade da Amazônia (Unama), como parte da campanha “Setembro Verde”.

A idéia do Fórum é estreitar o contato com o ambiente acadêmico multiprofissional e despertar o interesse nos estudantes, para que eles se especializem na área de captação e transplante de órgãos e tecidos, segundo informa a coordenadora da Central de Transplantes da Sespa, Ierecê Miranda.

O médico Hideraldo Cabeça, que abordou critérios para definição da morte encefálica

“O grande desafio não só no Pará, como em todo o país, ainda é o quantitativo de doadores, porque ainda há muita resistência da população. Uma das saídas é também esclarecer o meio acadêmico sobre a importância da doação de órgãos, mostrando como é todo o processo de captação dos órgãos, bem como os aspectos médicos e legais”, destacou.

No primeiro dia do Fórum, o assunto principal foi a Resolução CFM nº 2.173/2017, que atualizou os critérios para definição da morte encefálica. “Procuramos tirar algumas dúvidas sobre pontos importantes da Resolução, como o estabelecimento de pré-requisitos na realização dos protocolos e o estabelecimento do acontecimento em crianças, por exemplo”, explicou o médico e coordenador da Câmara Técnica de Morte Encefálica e autor da Resolução, conselheiro federal Hideraldo Cabeça, que atua como neurocirurgião do hospital  Ophir Loyola e do Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE).

Foram abordadas todas as etapas do protocolo, os eventos fisiopatológicos que surgem após a lesão cerebral grave, quais os pontos críticos, quando e como iniciar a comunicação com a família dos pacientes, teste de apneia e exames complementares. De acordo com a nova lei, outros especialistas, além do neurologista, poderão diagnosticar a morte cerebral. O documento ainda determina que os dois médicos devem ser especificamente qualificados, sendo que um deles deve ter uma das seguintes especialidades: medicina intensiva adulta ou pediátrica, neurologia adulta ou pediátrica, neurocirurgia ou medicina de emergência.

Fotos de José Pantoja (Ascom/Sespa)

Além do médico, profissionais de saúde de hospitais públicos e privados que estão engajados na disseminação de conhecimentos em prol da cultura pró-doação de órgãos estiveram discorrendo sobre o assunto aos mais de 100 acadêmicos inscritos no evento.

No segundo dia do Fórum, nesta sexta-feira (27), às 11h, o Fórum contará com palestra do publicitário Alexandre Barroso, autor do livro “A Última Vez que Morri”, que vai compartilhar a experiência de ter passado por dois transplantes de fígado e um de rim. Barroso é parceiro do projeto “Jornada Asas do Bem”, da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR). No mesmo dia, às 19h, ele fará sessão de autógrafos no Parque Shopping.

A campanha “Setembro Verde”, realizada pela Sespa, reforça a importância do gesto de doação, com informações capazes de sensibilizar a sociedade em favor deste ato de solidariedade, que é salvar uma vida num momento de perda. “Não existe o transplante sem a palavra final da família. Por isso, o momento propício para se conversar com a família é agora, declarar isso em vida, mostrar essa vontade, pois nos momentos mais doloridos é a hora da decisão de fazer a permissão de doação. Isso é essencial”, acrescenta  Alberto Beltrame, secretário de Estado de Saúde.

A captação ocorre principalmente em Belém e Santarém, em locais onde é possível fazer os procedimentos legais necessários, principalmente no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (com 90% dos casos). Outros hospitais precisam de condições para captação de múltiplos órgãos, como fazer o diagnóstico de morte encefálica conforme a Resolução 2.173/2017, do Conselho Federal de Medicina (CFM).

A Central Estadual de Transplantes coordena todos os processos de doação, captação e transplantes de órgãos e tecidos; cadastra equipes, hospitais e clínicas para realização de transplantes; monitora e supervisiona o Sistema de Lista de Espera de acordo com a legislação federal. Todo o processo de registros e informações das doações e transplantes ocorre em conexão com o Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde.

“Cabe ao Estado fiscalizar, gerir e treinar profissionais para o sistema. Mas os hospitais têm obrigação de criar as Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT). Sem isso não há como abordar as famílias e esclarecer as pessoas sobre a importância desse ato de doação”, ressaltou o titular da Sespa.

No Pará são realizados transplantes de rim e córnea nos hospitais Ophir Loyola (córnea e rim); Saúde da Mulher (somente rim, porém já credenciado o de medula óssea para convênios e particulares); Hospital Universitário Betina Ferro (córnea pelo SUS – Sistema Único de Saúde); Clínica Cynthia Charone (córnea, com atendimento privado e pelo SUS), além de algumas clínicas privadas credenciadas para transplante de córnea. No interior do Estado, o Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém, e o Hospital Regional do Araguaia, em Redenção, realizam transplantes de rim.

No Estado, só este ano, já foram realizados 137 transplantes de córnea e 37 transplantes de rim.

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