Governo do Pará lança campanha de vacinação contra o sarampo

Governador do Estado, Helder Barbalho; o vice-governador, Lúcio Vale; a deputada federal, Elcione Barbalho, e o secretário de Estado de Saúde, Alberto Beltrame

O governador do Pará, Helder Barbalho, e o secretário estadual de Saúde do Pará, Alberto Beltrame, lançaram oficialmente, nesta sexta-feira (27), em Belém, a Campanha Vacinação contra o Sarampo, que foi antecipada especialmente no Estado para resgatar a cobertura vacinal contra a doença e assim aumentar a proteção da população paraense.

A ideia da campanha antecipada surgiu por conta do aumento significativo de pessoas na capital paraense no mês de outubro por conta do Círio de Nazaré. Nesse período, muita gente do interior do Pará e pessoas de vários estados do país (onde a circulação do vírus está ativa), vem para Belém, aumentando o risco de contaminações.

Secretário de Estado de Saúde, Alberto Beltrame

A solenidade de abertura ocorreu na Unidade de Saúde do Marco, quando ocorreu também, em todo o Estado, o “Dia D contra o sarampo”. Participaram da programação o vice-governador do Estado, Lucio Vale, a deputada federal, Elcione Barbalho, e a secretária de estado adjunta de Gestão de Políticas de Saúde, Ivete Vaz. A campanha no Pará se estenderá até o dia 18 de outubro.

O governador Helder Barbalho pede que, durante a campanha, as famílias que tiverem filhos e netos com a faixa etária indicada para a vacina compareçam às Unidades Básicas de Saúde para se protegerem contra o sarampo. “Bom dizer que devem ser vacinadas duas categorias de idade específicas: crianças de seis meses a cinco anos incompletos, que não comprovarem as duas doses da vacina tríplice viral, e os jovens de 20 a 29 anos, que não comprovarem, também, as duas doses da vacina”, recomendou, ao mencionar que dos 27 estados brasileiros, 17 já registraram casos de sarampo este ano e estão com surto da doença ativo.

Governador do Estado, Helder Barbalho, durante o Dia D de vacinação contra o sarampo, na UBS do Marco, em Belém

O Estado do Pará foi o único a antecipar a campanha, devido a uma ágil articulação entre o governo estadual e o Ministério da Saúde por conta da particularidade do período do Círio. “Peço aos pais que não deixem suas crianças sem essa proteção. Aos jovens, procurem atualizar suas carteiras de vacinação. As Unidades Básicas de Saúde de todo o Estado já estão com as vacinas disponíveis e queremos ver o Pará livre dessa doença. Podemos, todos juntos, evitar que isso se alastre”, pediu o governador.  Só para esta campanha, em especial, a meta é vacinar mais de 1 milhão crianças e jovens paraenses.

O secretário de Estado de Saúde Pública, Alberto Beltrame, explica que a antecipação é essencial para se garantir o tempo mínimo de 10 dias para o desenvolvimento dos anticorpos contra a doença. “Por isso a urgência de que a população seja vacinada logo nesta primeira semana de campanha, para reduzirmos o risco do Pará registrar casos importados de sarampo, pois nos próximos dias teremos uma intensa movimentação de pessoas pelos aeroportos, portos e estradas”, comenta.

A pequena Agnes Ataíde, de 19 meses, foi levada pelo pai, Patrick, e ganhou o certificado de coragem dado pela equipe de vacinação da UBS do Marco

Ainda segundo Beltrame, outro fator preocupante é inserção de turistas em meio às aglomerações de fiéis nas festividades e nas procissões, que pode ser propícia à disseminação do vírus do sarampo. “Isso é delicado porque a cobertura vacinal contra o sarampo em 2019 ainda está baixa no Pará, girando em torno de 53%, quando o ideal é que chegue aos 95%. No ano passado, a cobertura com as duas da tríplice viral em todo o Estado chegou à média de 67,5% apenas. Em tese, a população paraense está ainda vulnerável”, explica o secretário, ao lembrar ainda, que o sarampo é uma doença infecciosa, transmissível e contagiosa, podendo evoluir com complicações e óbitos, particularmente em crianças desnutridas e menores de cinco anos de idade.

Em meio à programação na Unidade Básica de Saúde do Marco, o movimento de pessoas à procura da vacina tríplice viral esteve dentro do esperado. O profissional liberal Patrick Ataíde separou um tempinho para levar a filha, Agnes Santos Ataíde, de um ano e sete meses para tomar a primeira dose da vacina contra o sarampo. “Pai tem que comparecer e sempre há tempo para se cuidar da saúde. Quando se tem um filho, então, o cuidado é em dobro. Temos o dever de zelar pela saúde deles”, disse. Após a dose e sem choro algum, a pequena Agnes ganhou da equipe da sala de vacinação o “certificado da coragem”.

O estudante Leonardo Carvalho, de 23 anos, já está imunizado contra o sarampo. Fotos de José Pantoja (Ascom/Sespa)

Com 23 anos, o estudante Leonardo Carvalho também está na faixa etária indicada para se prevenir contra o sarampo e foi à UBS para tomar a tríplice viral e a dose contra o tétano. “Aproveitei o início logo da campanha para me proteger”, disse, sob a recomendação do técnico de Enfermagem de que não poderia fazer esforço físico nesse primeiro dia.

Para intensificar a campanha até 18 de outubro, a Sespa recomenda que as Secretarias Municipais de Saúde estejam empenhadas em receber a população e orientar sobre a necessidade de se vacinar as duas categorias de idade específicas.

Cenário da doença

O Brasil registrou 4.476 casos confirmados de sarampo até 18 de setembro de 2019, segundo o boletim epidemiológico publicado nesta semana pelo Ministério da Saúde. Até o último boletim, foram notificadas quatro mortes por sarampo no Brasil, sendo três no estado de São Paulo e uma em Pernambuco. Dessas mortes, três foram em crianças menores de um ano. Somente uma foi em um indivíduo com mais de 42 anos de idade. Nenhum deles era vacinado contra o sarampo.

De junho de 2018 a maio de 2019, o Pará enfrentou dois surtos da doença, um em Belém, com nove casos confirmados, e outro no oeste do Estado, com um total de 127 casos confirmados. Esses surtos foram encerrados após 12 semanas sem casos novos, conforme estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e ambos estiveram relacionados aos surtos do Roraima e Amazonas respectivamente.

 

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