Prevenção do suicídio deve permanecer após o Setembro Amarelo

Apoio da família e dos amigos é fundamental

Denominado de Setembro Amarelo, o mês de prevenção do suicídio chegou ao fim, mas a sociedade deve permanecer alerta durante todos os meses do ano para poder perceber e ajudar pessoas ao seu redor que estão enfrentando situações ou doenças que possam levá-las a tirar a própria vida.

Os dados estatísticos continuam alarmantes no Brasil e no mundo. De acordo com o Centro de Valorização da Vida (CVV), 32 brasileiros morrem por dia vítimas de suicídio. A média brasileira é de seis a sete mortes por 100 mil habitantes, bem abaixo da média mundial, que está entre 13 e 14 mortes por 100 mil habitantes. Porém, o que preocupa é que enquanto a média mundial permanece estável, o número de suicídios vem crescendo no Brasil, principalmente entre os jovens de 15 a 25 anos.

A boa notícia é que segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos, desde que existam condições mínimas para a oferta de ajuda profissional ou voluntária.

O Ministério da Saúde, em conjunto com os Estados e Municípios, está buscando identificar melhor as causas e qualificar os profissionais e as ações dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).  Pois a qualificação permite uma melhor notificação das tentativas e óbitos por suicídio, orientação sobre o cuidado a pessoas com ideação/tentativa de suicídio e seus familiares; e organiza os fluxos assistenciais.

A coordenadora estadual de Saúde Mental, Kelly Albuquerque enfatiza a importância de as famílias buscarem ajuda na Rede de Atenção Psicossocial, por meio dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPSs), nas suas diferentes tipologias, e Unidades Básicas de Saúde. Nos casos de emergência também podem recorrer às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Prontos Socorros. A referência em Emergência em Saúde Mental é o Hospital de Clínicas Gaspar Vianna.

Kelly informou que os Caps representam o cuidado especializado, com equipe multidisciplinar capacitada para acolher toda a demanda de Saúde Mental e fazer os encaminhamentos que forem necessários.  Os Caps atendem à demanda espontânea, ou seja, o usuário pode ir ou ser levado diretamente sem encaminhamento.

“Diante de uma pessoa sob risco de suicídio faz-se necessário procurar imediatamente ajuda de profissionais de serviços de saúde, de saúde mental, de emergência. O assunto não deve ser reduzido a interpretações simplistas e preconceituosas, é um fenômeno multicausal, as marcas deixadas ao longo da história de vida de cada um precisa ser levado a sério. Falar sobre suicídio causa muito desconforto, mesmo entre profissionais da saúde, pois traz à tona medos, insegurança e angústias, porém, colocar esse assunto em pauta é extremamente necessário”, detalhou a coordenadora estadual.

Ela informou que, durante o mês de setembro, houve diversos eventos no estado com a finalidade de desmistificar, descortinar e conscientizar a sociedade sobre esse tema. “Mais do que a sociedade geral, os profissionais de saúde também precisam refletir e discutir sobre o suicídio, a fim de fortalecer um atendimento mais humano e saudável a um paciente que tentou ou pensa no suicídio”, disse Kelly.

Solidariedade – No Brasil, o CVV atua no sentido da prevenção há mais de 50 anos e, neste ano, chegou a 110 postos de atendimento em todo o país com mais de três mil voluntários. Quanto mais pessoas participarem das iniciativas, melhor para todos.

Conforme o CVV, a primeira medida preventiva é a educação. É necessário deixar de ter medo de falar sobre o assunto, derrubar tabus e compartilhar informações ligadas ao tema. Como já ocorreu no passado, por exemplo, com doenças sexualmente transmissíveis ou câncer, a prevenção tornou-se, de fato, bem sucedida quando as pessoas passaram a conhecer melhor esses problemas. E saber quais as principais causas e as formas de ajudar pode ser o primeiro passo para reduzir as taxas de suicídio no Brasil e no Pará.

Frases que devem chamar a atenção da família e amigos

Causas – O suicídio não tem um único motivo, são diversas as razões que podem levar uma pessoa a se matar. É um conjunto de situações que leva a pessoa a ter a necessidade de aliviar pressões externas como cobranças sociais, culpa, remorso, depressão, ansiedade, medo, fracasso, humilhação entre outras razões.

“Vou desaparecer.”, “Vou deixar vocês em paz.”, “Eu queria poder dormir e nunca mais acordar.”, “É inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar.”, “Eu preferiria estar morto.”, “Eu não posso fazer nada.”, “Eu não aguento mais.”, “Eu sou um perdedor e um peso pros outros.”, “Os outros vão ser mais felizes sem mim.” Essas são algumas expressões de ideias ou intenções suicidas que devem chamar a atenção de familiares e amigos.

A orientação do CVV é que, ao se deparar com alguém nessa situação, deve-se perder o medo de se aproximar e oferecer ajuda. “A pessoa que está numa crise suicidea se percebe sozinha e isolada. Se um amigo se aproxima e pergunta “tem algo que eu possa fazer para te ajudar?”, a pessoa pode sentir abertura para desabafar. Nessa hora, ter alguém, para desabafar, pode fazer toda a diferença. E qualquer um pode ser esse “ombro amigo” que ouve sem fazer críticas ou dar conselhos. Quem decide ajudar não deve se preocupar com o que vai falar. O importante é estar preparado para ouvir respeitando o momento e a forma de pensar dessa pessoa.”

Serviço: o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende pelo número 188 gratuitamente em todo o Brasil (https://www.cvv.org.br/)

Para saber mais sobre o tema: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/suicidio

Onde procurar ajuda:

Caps Estaduais: http://www.saude.pa.gov.br/cidadao/hospitais/centros-de-atencao-psicossocial-caps/

Caps municipais (somente os de Belém e distritos): http://www.belem.pa.gov.br/app/c2ms/v/?id=12&conteudo=4673

Texto: Roberta Vilanova

Foto: Pixabay e Ministério da Saúde

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