Sespa lança a campanha “Outubro Rosa”

Lançamento da campanha aconteceu no auditório do Igeprev, em Belém

Com o objetivo de chamar a atenção para a realidade atual do câncer de mama e a importância do diagnóstico precoce, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) lançou em Belém, nesta quarta-feira (2), no auditório do Instituto de Gestão Previdenciária do Pará (Igeprev), a oitava edição da campanha Outubro Rosa, cujo tema deste ano é “Autocuidado: Todos juntos na conscientização do Câncer de Mama”.

Durante a solenidade de abertura, o secretário de Saúde do Pará, Alberto Beltrame, alertou para o principal passo para se combater o câncer de mama: a informação, ou seja, alertar sobre a necessidade de que as mulheres entre 50 e 69 anos devam fazer a mamografia de dois em dois anos. “A mamografia é um exame de rastreio e a campanha tem esse papel de disseminar as informações sobre sua importância. A questão de ser em outubro é mais intensificada devido ao movimento internacional em torno do tema, mas o debate deve ser feito mês a mês, dia a dia”, explica o titular da Sespa.

O secretário de Saúde do Pará, Alberto Beltrame

O Estado do Pará possui capacidade para realizar até 350 mil mamografias ao ano, destacando-se o aumento de 10% na realização de mamografias de rastreamento em mulheres de 50 a 69 anos de idade, tendo sido realizadas 16.035 de janeiro a junho de 2019, contra 15.643, no mesmo período de 2018. “Por isso que o nosso dever é maximizar a exposição das informações para que cada vez mais mulheres e a população em geral estejam conscientes da necessidade de realização da mamografia”, alerta Alberto Beltrame.

A recomendação é mudar o cenário do câncer de mama no Pará, apontado como o segundo entre as mulheres, perdendo apenas para o de colo do útero. De acordo com a Coordenação Estadual de Atenção Oncológica, o Pará registrou 627 casos de câncer de mama em 2017, 659 em 2018 e 250 em 2019 até o momento. Desse quantitativo, 47% ocorreram em mulheres na faixa etária entre 50 e 69 anos, seguida de 29% em quem possuía de 40 a 49 anos.

A coordenadora de Atenção Oncológica da Sespa, Patrícia Martins

Considerando esses números, que ainda preocupam, além de trabalhar na ampliação de serviços para cumprir a lei 12.732, que estabelece 60 dias no máximo entre o diagnóstico e o início do tratamento para pacientes com câncer, a Sespa atua junto às instituições do SUS para que reduzam cada vez mais esse tempo.

Em 2019, a maioria das mulheres iniciou o tratamento antes desse prazo. “Estamos agilizando a atenção desde o primeiro atendimento na unidade básica de saúde. Na UBS, a mamografia para mulheres entre 50 e 69 anos de idade pode ser solicitada pela enfermeira e já sai com o exame marcado. Se o exame apresentar alguma alteração, a paciente é encaminhada imediatamente para o serviço de referência para outros exames e biopsia se for o caso”, disse a coordenadora de Atenção Oncológica da Sespa, Patrícia Martins.

Para a promotoria de Justiça de Saúde do Ministério Público do Pará, Suely Catete, a campanha deve seguir um papel de orientação e prevenção. “É essencial que setores da Atenção Primária estejam mais empenhados nesse debate, de treinar o agente comunitário de saúde a convencer a mulher naquela comunidade a superar preconceitos machistas e religiosos para fazer a mamografia, pois o maior dano por não fazer esse exame regularmente é o aumento significativo do risco de morte, além de aumentar a possibilidade de a mulher ter um câncer de mama avançado, com necessidade de cirurgias mais extensas, com mais riscos e radioterapia e quimioterapia mais agressivas”, acrescentou.

A dona de casa Ediana Pinheiro de Matos, integrante do grupo “Unidas pela Vida”

A dona de casa Ediana Pinheiro de Matos, integrante do grupo “Unidas pela Vida”, sentiu na pele os efeitos de um tratamento da doença em estágio avançado. Segundo ela, o susto inicial foi superado e há três anos é paciente do Hospital Ophir Loyola, um dos quatro hospitais de assistência de Alta Complexidade em Oncologia do Pará disponíveis para tratamento exclusivo de câncer.

“Por mais dois anos ainda terei medicação pra tomar, após ter passado por todas as fases de tratamento. Estou vencendo essa doença e sigo engajada para estimular as outras 119 mulheres do grupo (Unidas pela Vida) a seguirem com o tratamento. É um desafio constante que requer fé e também disciplina”, disse Ediana, que relembrou o apoio das equipes da Coordenação de Atenção Oncológica da Sespa, da Unidade de Referência Materno-Infantil e Adolescente (Uremia) e do hospital Ophir Loyola para o sucesso obtido no tratamento.

No que tange à campanha Outubro Rosa, a programação de abertura incluiu a palestra “Câncer de Mama e Práticas Integrativas e Complementares (PIC)”, proferida pelo biomédico, mestre em Biologia de Agentes Infecciosos e Parasitários e doutor em Virologia na Divisão de Patobiologia Molecular, professor Nilton Muto, da Universidade Federal do Pará (UFPA); e uma roda de conversa com profissionais de saúde e Embaixadoras da Esperança.

A ocasião também foi marcada pela assinatura do termo de doação de equipamentos e materiais técnicos adquiridos pela Sespa à Uremia, cujo objetivo é de implementação dos serviços de referência para diagnóstico e tratamento de lesões precursoras do câncer do colo de útero e para diagnóstico de câncer de mama. O documento foi assinado pelo secretário Alberto Beltrame e pela diretora da Unidade, Graciete Ferreira.

Fotos de Jader Paes (Agência Pará)

Já nesta quinta-feira (3) de outubro, no mesmo local, acontece o Seminário Técnico para Profissionais de Saúde, com palestras e mesas redondas sobre diversos temas como “Epidemiologia do Câncer de Mama”, “Diagnóstico Precoce e Tratamento do Câncer de Mama”, “Diretrizes Clínicas do Câncer de Mama/Inca e Diagnóstico de Imagem”, “Integralidade do Cuidado no Câncer de Mama” e “Rede de Serviços, Regulação e Protocolos de Acesso de Média e Alta Complexidade”.

Como forma de ampliação na oferta de serviços e saúde, haverá nos dias 5, 19 e 26 de outubro, nos bairros  Icuí-Laranjeira, em Ananindeua; Nova União e São Francisco, em Marituba, e Benguí, Cabanagem, Guamá, Jurunas e Terra Firme, em Belém, onde já está presente o Programa Territórios da Paz (TerPaz), oferta de exames clínicos da mama e encaminhamentos de mulheres de 50 a 69 anos de idade para realizar mamografia.

(Com informações de Roberta Vilanova).

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