Sespa vai monitorar agravos e doenças durante o Círio 2019

Sede do Centro Integrado de Operações Conjuntas da Saúde (Ciocs) na Sespa

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) vai instalar oficialmente, nesta terça-feira (08), o Centro Integrado de Operações Conjuntas da Saúde (Ciocs), que tem o objetivo de monitorar os incidentes relacionados à saúde e compartilhar informações para apoiar as decisões dos gestores durante o Círio 2019. A iniciativa inédita é do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde da Sespa (Cievs-PA), que tem entre suas atribuições o planejamento e monitoramento de eventos de massa.

O Ciocs é um projeto piloto, que vai fazer a vigilância dos atendimentos de pessoas em unidades de pronto atendimento e pronto socorros com alguma situação clínica relacionada ao Círio de Nazaré.

Será considerado como caso, todo aquele que apresentar problemas de saúde, sofrerem agressão ou acidente durante a festividade do Círio de Nazaré ou festas relacionadas, no período de 7 a 16 de outubro. Não entrará no monitoramento casos que não estejam diretamente ligados ao evento religioso.

Para a realização desse trabalho, a Sespa conta com parceria do Cievs Nacional e do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada ao SUS (EpiSUS) do Ministério da Saúde, Associação Brasileira de Profissionais de Epidemiologia de Campo (Proepi), Secretarias Municipais de Saúde de Belém e Ananindeua, Cruz Vermelha Brasileira, Defesa Civil, Universidade da Amazônia (Unama) e Faculdade Metropolitana da Amazônia (Famaz).

O Ciocs vai funcionar na Sala de Situação da Sespa, mesmo prédio do Gabinete, e estará sob a gerência da Divisão de Vigilância Epidemiológica e Cievs-PA.

Satiro Marcio Ignacio Junior

Envolvendo um total de 120 pessoas, o monitoramento será realizado no período de 7 a 16 de outubro, sendo três dias no pós-Círio e contará com a participação importante da equipe do EpiSUS, que tem experiência e prática de epidemiologia de campo, com coleta e análise de dados e da Proepi, que também tem vasta experiência com eventos de massa.

Para o enfermeiro e voluntário da Proepi, Satiro Marcio Ignacio Junior, “trabalhar com evento de massa é sempre muito interessante porque a gente consegue traçar o perfil de atendimento. Como é a primeira vez no Pará e na região Norte, vai ser de grande proveito conhecer quem é o público que participa do Círio e quais os riscos para a saúde pública que a gente tem para enfrentar”.

Preocupação com o sarampo – Segundo a coordenadora do Cievs-PA, Daniele Nunes, esse tipo de trabalho já vem sendo realizado em eventos de massa como Copa do Mundo, Rock in Rio, Olimpíadas, entre outros, e a Sespa concluiu que é muito importante que também seja realizado no Círio, que reúne, anualmente, cerca de dois milhões de pessoas.

Além disso, tornou-se mais importante neste ano, em função da possibilidade de aumentar a transmissão do sarampo, devido à grande aglomeração de pessoas vindas de outros municípios, estados e até países. O Ministério da Saúde já tem expertise em eventos de massa, mas é a primeira vez que vai ser realizado no Pará.

Daniele Nunes, coordenadora do Cievs-PA

A partir de uma avaliação de risco, o principal alvo serão as doenças infecciosas, como meningite, síndrome gripal e sarampo por exemplo. “Vamos trabalhar com abordagem sindrômica, ou seja, observar os sinais e sintomas que a pessoa está apresentando, selecionar os possíveis suspeitos e iniciar a investigação epidemiológica”, explicou a coordenadora do Cievs. No que tange ao sarampo, haverá uma abordagem sindrômica específica. Qualquer sinal que se enquadra na definição de caso, o paciente entrará como suspeito e ficará como alerta para o serviço intervir de maneira oportuna.

Também serão monitorados os possíveis surtos, como os de diarreia, que ocorrem com frequência no Círio e estão relacionados ao consumo de água e alimentos inadequados, acrescentou Daniele. Para esses casos, inclusive, o Lacen-PA estará com equipe de plantão para realizar as análises que forem necessárias, para que seja dada uma resposta. Dar resposta significa que a equipe de vigilância em saúde irá intervir para fazer o controle da doença ou agravo.

Coleta de dados – Daniele informou que a coleta de dados será feita por técnicos da Sespa e estagiários da Unama e Famaz, com o uso de tablets, em diversos pontos, como o Hospital do Pronto Socorro Mário Pinotti, Hospital Porto Dias, UPA da Sacramenta, UPA da Terra Firme, a Unidade Básica de Saúde da Pedreira e Casa de Plácido, onde o trabalho começou nesta segunda-feira (07).

Conforme a programação do Círio vai avançando, o trabalho do Ciocs vai se ampliando. Assim, a partir do dia 11, quando a imagem da Santa é levada para Ananindeua, serão ativados os pontos de coleta no Posto da Cruz Vermelha no TJE, UPA Cidade Nova, Hospital Camilo Salgado, Unimed BR, no Colégio Salesiano do Carmo. “Como se trata de um projeto piloto, ainda não teremos coleta de dados em todos os locais, mas a tendência é ampliar a cada ano”, disse Daniele.

Na prática, são várias formas de coleta de dados, ou seja, diretamente com o paciente na hora do atendimento na unidade e, nos casos mais graves, por meio de prontuário eletrônico e sistema de informação dos hospitais. Os dados serão acompanhados em tempo real nas telas de monitoramento na sede do Ciocs.

Martha Nóbrega, gerente de Vigilância Epidemiólogica da Sespa

Importância – Para a gerente da Vigilância Epidemiológica da Sespa, Martha Nóbrega, a importância desse trabalho é o alerta para qualquer possibilidade de um surto ou mesmo de casos isolados de doenças imunopreveníveis, especialmente, do sarampo. “Sendo o Círio de Nazaré um evento de massa que congrega gente de diferentes locais do Brasil e do mundo, aumenta o risco do ressurgimento de doenças eliminadas como o sarampo, que está com circulação ativa no Brasil e em vários países”, disse a gerente da Sespa.

Em relação à Vigilância em Saúde como um todo, Martha disse que uma finalidade importante é criar expertise no monitoramento de evento de massa, que já vinha sendo monitorado por instituições de saúde pública em função de concentrar pessoas de diferentes origens, contribuindo para a proliferação de doenças. “Nosso interesse principal é criar essa expertise e organizar uma equipe de técnicos com experiência para esse tipo de trabalho no Pará”, enfatizou Martha.

Martha informou, por fim, que os resultados do monitoramento serão consolidados em um relatório final que será apresentado para as autoridades estaduais e população paraense.

Texto: Roberta Vilanova

Fotos: José Pantoja

Você pode gostar...