Sespa divulga resultado do monitoramento no Círio

Centro Integrado de Operações Conjuntas da Saúde (Ciocs)

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) divulgou, nesta segunda-feira (14), o primeiro relatório do Centro Integrado de Operações Conjuntas da Saúde (Ciocs), que monitorou os incidentes relacionados à saúde durante o Círio 2019.

Nos 19 serviços monitorados, foram registrados 383 atendimentos, sendo 362 em Belém e 21 em Ananindeua. Os dados se referem ao período de 7 a 13 de outubro, que corresponde ao pré-Círio e Círio.

O Ciocs é um novo projeto do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde da Sespa (Cievs-PA), que, pela primeira vez, está fazendo a vigilância dos atendimentos de pessoas em unidades de pronto atendimento e prontos socorros com alguma situação clínica relacionada ao Círio de Nazaré.

Além das doenças infecciosas, são monitorados os danos físicos e os danos associados ao comportamento ou condições do público, ao meio ambiente e às atividades laborais.

A coleta dos dados está sendo feita por alunos da Universidade da Amazônia (Unama) e do Centro Universitário – UNIFAMAZ.

Foram consideradas como caso, aquelas intercorrências de saúde clínicas, traumáticas, acidentais ou intencionais durante a festividade do Círio de Nazaré ou festas relacionadas no período de 7 a 13 de outubro.

Não entraram no monitoramento casos que não estejam diretamente ligados ao evento religioso ou que tenham ocorrido foram dos serviços monitorados.

Casos clínicos – Dos 383 atendimentos realizados, 298 foram clínicos e 85 relacionados a algum trauma, registrados nos serviços monitorados neste ano, como o Hospital do Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti, UPA Sacramenta, UPA Terra Firme, Hospital Porto Dias, Unidade Básica da Pedreira, UPA Cidade Nova, Hospital Camilo Salgado, Unimed BR, Unidade Municipal de Saúde da Marambaia, UPA Icoaraci e postos de atendimento instalados na Casa de Plácido, Colégio Salesiano, 1º Centro Regional de Saúde/Sespa, Hotel Princesa Louçã, Assembleia de Deus, Paysandu, Curso Minds, Codem, Polícia Civil, Casa do Trabalhador e CDP.

Nos casos clínicos, os principais motivos de busca de atendimento foram dor nos membros, dor de cabeça, náusea/enjoo, falta de ar, desmaio, dor abdominal, vômito, calafrios, febre, tosse, dor muscular, dor de garganta, coriza e diarreia.

Entre esses casos, houve oito atendimentos por suspeita de doença infecciosa, sendo sete casos de síndrome diarreica e um de síndrome respiratória. Não foi registrado nenhum caso de síndrome exantemática, ou seja, sinais e sintomas relacionados ao sarampo, que era uma preocupação das autoridades sanitárias paraenses.

Daniele Nunes, coordenadora do CIEVS da Sespa

A coordenadora do Cievs, Daniele Nunes, informou que dos 383 casos atendidos, 92% foram de participantes do Círio e 8% de pessoas que estavam trabalhando durante o evento e que a maioria é de residentes do próprio estado. Houve também, no entanto, atendimentos de pessoas de São Paulo, Maranhão, Amazonas, Amapá e Ceará. “A maioria dos atendimentos foi de pessoas do sexo masculino na faixa etária de 20 a 29 anos”, ressaltou a coordenadora do Cievs.

Ela lembrou que esse monitoramento foi um piloto e que será ampliado nos próximos anos de maneira a alcançar o maior número possível de atendimentos realizados em todos os locais. “Mesmo em apenas 19 serviços, conseguimos alcançar um número considerável de atendimentos durante as três romarias realizadas de sexta-feira a domingo”, enfatizou.

“A partir de hoje (14), vamos iniciar o monitoramento pós-evento que se estende até o dia 16 de outubro. Isso nos permitirá verificar o comportamento dos atendimentos de saúde após a grande procissão do Círio e verificar se houve ou não mudança de seu perfil. Todos os dados finais permitirão o aperfeiçoamento das ações para o Círio 2020”, informou Daniele.

Para a realização desse trabalho, a Sespa conta com parceria do Cievs Nacional, do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada ao SUS (EpiSUS) do Ministério da Saúde, Associação Brasileira de Profissionais de Epidemiologia de Campo (Proepi), Secretarias Municipais de Saúde de Belém e Ananindeua, Defesa Civil, Cruz Vermelha, Unama e Faculdade Famaz.

Texto Roberta Vilanova

Fotos José Pantoja

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