Saúde do Trabalhador tem que atuar integrada à Vigilância em Saúde

Amiraldo Pinheiro, diretor de Vigilância em Saúde da Sespa

As ações na área de Saúde do Trabalhador têm que acontecer de forma integrada às ações de Vigilância em Saúde. Foi o que defendeu, nesta quarta-feira (06), o diretor de Vigilância em Saúde da Sespa, Amiraldo Pinheiro, no I Encontro de Gestores da Sespa/SUS sobre Saúde do Trabalhador, realizado no auditório da Escola de Governança do Pará (EGPA).

Organizado pelo Centro de Referência Estadual em Saúde do Trabalhador (Cerest-PA) da Sespa, o principal objetivo do evento foi melhorar a integração, a articulação e a comunicação com os gestores dos Níveis Central e Regional da Sespa e fortalecer a Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (Renast) no Pará, que é formada por todas as unidades do SUS, o Cerest estadual e os seis Cerests Regionais (Metropolitano, em Belém; Xingu, em Altamira; Baixo Amazonas, em Santarém; Araguaia, em Conceição do Araguaia; Carajás, em Marabá; e Cerest Lago do Tucuruí, em Tucuruí).

Palestrante do tema “A Política de Saúde do Trabalhador e Trabalhadora (PNSTT) e sua interface com a Política Nacional de Vigilância em Saúde (PNVS) e a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB)”, Amiraldo disse que essas políticas não podem caminhar separadamente e que os profissionais de saúde têm muitos conhecimentos acumulados e capacidade de trabalhar e produzir resultados. “É preciso trabalhar de forma integrada para buscar a integralidade, pois as ações ainda estão muito fragmentadas”, afirmou o diretor da Sespa.

Segundo Amiraldo, a Vigilância em Saúde, que integra as áreas de Vigilância Sanitária, Vigilância Epidemiológica, Vigilância Ambiental entre outras, tem o papel de detectar os riscos à saúde da população, que inclui os trabalhadores. “Portanto, a Vigilância em Saúde do Trabalhador tem que estar junto das demais Vigilâncias e elaborar estratégias para detecção dos riscos que correm os trabalhadores”, explicou o sanitarista.

Ele também ressaltou a importância de a Rede de Atenção à Saúde, desde a Atenção Básica à alta complexidade estar preparada para receber essas demandas. Daí a necessidade de constantes treinamentos e capacitações nos municípios, uma vez que as ações serão realizadas por eles. “Cabe à gestão estadual orientar, definir parâmetros, padrões e protocolos e monitorar as ações dos municípios”, disse Amiraldo.

Para ele, os profissionais têm que estar preparados para detectar esses riscos e esse trabalho tem que ser feito em cada um dos 144 municípios, para conhecer as atividades econômicas presentes neles e os riscos que cada uma delas representa aos trabalhadores e à população local, assim como desenvolver, também, ações de caráter preventivo.

Amiraldo disse que os desafios são grandes, porque há diversos fatores e mudanças no mundo do trabalho que afetam diretamente a saúde do trabalhador, como, por exemplo, a precarização das relações de trabalho e os avanços tecnológicos. “Mas não existe rede de Vigilância sem Rede de Atenção e Rede de Atenção sem Vigilância é cega”, observou.

Walder Rezende comanda ginástica laboral antes da solenidade de abertura

Abertura – A solenidade de abertura foi presidida pelo coordenador do Cerest Estadual, Marco Aurélio Almeida e contou com a presença do representante da Diretoria de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde (DGTES), Guilherme Martins; da presidente da Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador (CIST) do Conselho Estadual de Saúde, Marluce de Paula; e do representante do Conselho Estadual de Secretários Municipais de Saúde (Cosems), Antônio Jorge. Antes da cerimônia, os participantes puderam participar de ginástica laboral conduzida pelo técnico em Educação Física do GAT, Walder Rezende.

O coordenador do Cerest Estadual, Marco Aurélio Almeida, informou que o Cerest Estadual completou 15 anos de existência e que as suas ações precisam ser fortalecidas, assim como as dos seis Cerests Regionais. Ele disse que o objetivo do evento era levar os gestores à reflexão, fortalecer a Política de Saúde do Trabalhador e valorizar o servidor da própria Sespa. “Precisamos ter o compromisso de cidadania e pessoa humana além do compromisso institucional”, ressaltou.

Amiraldo Pinheiro, Marco Aurélio Almeida, Guilherme Martins e Marluce de Paula

Marluce parabenizou o Cerest Estadual pela iniciativa do Encontro porque não é uma tarefa fácil fazer a Política de Saúde do Trabalhador funcionar. “Nós sequer conseguimos reunir as entidades que compõem a CIST no Conselho Estadual de Saúde, porque falta interesse. Então é muito válida essa iniciativa de trazer a gestão para debater esse tema”, disse a conselheira.

O representante do DGTES, Guilherme Martins, enfatizou a importância de os trabalhadores participarem de debates dessa natureza para fortalecerem a luta por seus direitos que estão muito fragilizados.

Por fim, o representante do Conselho Estadual de Secretários Municipais de Saúde (Cosems), Antônio Jorge, disse que a entidade tem trabalhado em parceria com o Cerest Estadual para expandir a Rede de Cerests no Pará e anunciou a criação do Cerest Tocantins, com sede em Cametá, resultado de muito trabalho da Secretaria Municipal de Saúde de Cametá e que só falta passar pela Comissão Intergestores Bipartite (CIB) para entrar em funcionamento.

 

Texto: Roberta Vilanova

Fotos: Alex Ribeiro/Secom

 

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