Pará quer reduzir a mortalidade materna em 30%

Alberto Beltrame convoca a sociedade para encarar o desafio de reduzir a mortalidade materna no Pará

O Pará pretende reduzir a mortalidade materna em 30% no primeiro ano do Pacto pela Redução da Mortalidade Materna. A informação foi dada pelo secretário de Estado de Saúde. Alberto Beltrame, nesta sexta-feira (08), no auditório do Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), onde foram apresentadas e debatidas as estratégias a serem seguidas para o cumprimento do Pacto firmado entre o governo do Estado e as Prefeituras Municipais do Pará. O eventos reuniu gestores de saúde, servidores e representantes de universidades.

Além do secretário de Saúde, participaram da solenidade de abertura a representante da Organização Pan-Americana de Saúde, Socorro Gross; a secretária municipal de Saúde de Santarém e representante do Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Cosems), Dayane Lima; a diretora de Políticas de Atenção Integral à Saúde da Sespa, Sâmia Borges; e a secretária adjunta de Gestão de Políticas Públicas, Ivete Vaz.

Beltrame disse que em 2017, houve 119 mortes maternas, o que significa uma morte a cada três dias. “Portanto, nós como sociedade precisamos encarar esse desafio, porque a decisão que é o mais importante já foi tomada pelo governador Helder Barbalho, que, diante desses números, assumiu o compromisso e propôs o Pacto pela Redução da Mortalidade Materna, envolvendo os municípios e toda a sociedade paraense nessa tarefa.

Para ele, toda a sociedade precisa estar unida em torno dessa causa e mudar essa realidade muito rapidamente por meio da mobilização e cooperação das pessoas em torno de um objetivo comum: zerar a morte materna. “Esse é o objetivo final”, afirmou o titular da Sespa.

“Se conseguirmos 30%, são 30 mulheres a menos mortas desnecessariamente. Então, quanto mais rapidamente a gente agir, mas rapidamente teremos resultados e vamos mudar a realidade tão triste da morte materna no Pará ”, disse o secretário enfatizando, mais uma vez, que a morte de uma mãe é a mais devastadora porque desestrutura toda a família.

Ele também agradeceu a parceria da Opas/OMS que, além de trazer conhecimento, tecnologia, ações e estratégias, dá visibilidade aos resultados que o Pará tem que alcançar.

O secretário disse ainda que o combate à mortalidade materna irá contribuir para intervir também na mortalidade infantil nas primeiras 24 horas após o nascimento. “Portanto, não pensem apenas na mãe, pensem na mãe e filho”, enfatizou Beltrame.

Por fim, ele disse que “nada pode nos impedir de fazer um avanço em direção à civilização. É a luta da civilização contra a barbárie. A barbárie é permitir mulheres grávidas morrerem. A Civilização é fazer o que nós precisamos fazer para que isso não aconteça. Que as mulheres possam engravidar e gerar seus filhos em paz e em segurança, isso é o mínimo que uma sociedade precisa assegurar para os seus cidadãos”.

Sâmia Borges fala sobre os índices de mortalidade materna

A diretora de Políticas de Atenção Integral à Saúde da Sespa, Sâmia Borges, informou os índices de mortalidade materna nos últimos três anos, 119 em 2017, 91 em 2018 (ainda não fechado) e 74 até o momento em 2019. “Não são apenas números, são mulheres, são famílias e são crianças que deixaram de ficar com suas mães”, disse a diretora da Sespa.

Ela disse que, durante o evento, a Sespa apresentaria as estratégias que o Estado conduzirá junto aos municípios e que, por meio de trabalho em grupo, seriam definidas quais as estratégias mais voltadas para cada Região de Saúde do estado.

A representante do Cosems, Dayne Lima, que é secretária de Saúde de Santarém, disse que o governo do Estado pode contar com o apoio dos municípios paraenses e elogiou a decisão do governo estadual. “Você fortalecer e se dedicar a diminuir o índice de mortalidade materna é muita coragem e muita determinação, não é para qualquer um”, disse ela, ressaltando que os municípios também se dispuseram a assinar Pacto e que o governo estadual pode contar com a parceria dos gestores municipais nessa luta.

Socorro Groas acredita no sucesso do Pacto pela Redução da Mortalidade Materna

A representante da Opas/OMS, Socorro Gross, parabenizou o governador Helder Barbalho, o secretário Alberto Beltrame e todos os municípios signatários do Pacto pela Redução da Mortalidade Materna, pelo trabalho que estão fazendo pela saúde das mulheres e saúde do Brasil.

Socorro Gross enfatizou que gravidez não é doença e que se perdeu a perspectiva do que seja uma gravidez. “Gravidez significa o desenvolvimento de uma sociedade e de um país”. Pois a saúde da mãe e da criança são o que permite ter gerações que vão mudar o desenvolvimento dos povos.

Para ela, mudar uma realidade em termos de saúde da mulher e da criança é complexo quando não há a união de todas as partes. Mas o Pará tomou a decisão certa e isso significa uma mudança muito grande. “Nós temos convicção na Opas que o Pará vai mostrar ao Brasil e ao mundo que quando uma há decisão de uma sociedade uma realidade pode ser mudada em pouco tempo”, afirmou Gross.

Evento reúne gestores de saúde e representantes de universidades

Por fim, Gross disse que o Pará pode contar com o apoio da Opas/OMS. “O Brasil tem que ser conhecido também pelo seu Sistema de Saúde, esse SUS integral, equitativo e universal, único no mundo, e um Pará que mudou uma realidade”.

Com a assinatura do Pacto, os gestores municipais se comprometem a desenvolver ações para reduzir em 30% a mortalidade materna, tais como garantir às mulheres o acesso ao pré-natal qualificado, à assistência ao trabalho de parto, parto e pós-parto e ao planejamento reprodutivo, além dos estão previstos na portaria do cofinanciamento da Atenção Primária em Saúde.

 

Texto: Roberta Vilanova

Fotos: Thalita Garcia/CIIR

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