Concluída 1ª etapa do projeto de prevenção da raiva humana

Coleta de sangue para aferir os níveis de titulação de anticorpos neutralizantes para o vírus da raiva

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) concluiu a primeira etapa do Projeto para Detecção e Titulação de Anticorpos Neutralizantes (AcN) do Vírus da Raiva para Acompanhamento de Imunidade em População sob Risco para Raiva após Ação de Vacinação, abrangendo a população de 67 localidades ribeirinhas, ao longo do rio Pacajá, no município de Portel.

O Projeto tem a finalidade de fazer um estudo científico e prevenir novos casos de raiva humana na população ribeirinha residente em área de risco para raiva transmitida por morcegos hematófagos e que tem dificuldade de acesso aos serviços de saúde pública.

O trabalho está sendo realizado pela Sespa, por meio do Departamento de Controle de Endemias, GT Zoonoses, 7º e 8º Centros Regionais de Saúde, em conjunto com as Secretarias Municipais de Saúde de Portel e de Melgaço, Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e Instituto Pasteur.

A vacina é aplicada no antebraço da pessoa

Segundo a coordenadora do GT Zoonoses, Elke de Abreu, 2.987 pessoas receberam a vacina pré-exposição contra a raiva, sendo 864 com apenas uma dose e 2.123 com duas doses. Também foram vacinados 445 cães e gatos, capturados e tratados com vampiridica 105 morcegos hematófagos e coletadas 192 amostras de sangue de voluntários que concordaram em participar do projeto, após assinatura do termo de consentimento. “A equipe de técnicos retornará em março, ou seja, seis meses depois, para fazer a primeira coleta de sangue para titulação de anticorpos”, informou a coordenadora.

Conforme Elke, o acompanhamento será feito após seis, 12 e 18 meses, para verificar se as doses de vacina aplicadas foram capazes de promover a titularidade para a proteção, pois de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), para que um indivíduo seja considerado imunizado, seus títulos de anticorpos neutralizantes para o vírus da raiva devem ser igual ou maior que 0.5 UI/mL.

Tipos de moradia da população facilita ataques de morcegos

Apesar de o Ministério da Saúde indicar a profilaxia antirrábica pré-exposição (PrEP) somente para uma lista de classes profissionais com risco de exposição frequente ao vírus rábico, o Projeto tem como base as novas diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS) e estudos recomendam a profilaxia PrEP também para pessoas residentes em áreas endêmicas para raiva, em especial, àqueles grupos que tenham dificuldade de acesso à profilaxia PEP de forma oportuna e adequada, como é o caso da população ribeirinha. “Após a comprovação da eficácia do método, ele será adotado como nova ação de saúde para a prevenção da raiva humana nas áreas ribeirinhas”, informou Elke de Abreu.

Surto – O último surto de raiva humana, no Pará, ocorreu em 2018, com registro de dez casos, sendo nove em menores de 18 anos, todos residentes de área ribeirinha do município de Melgaço, no Pará, com histórico de espoliação por morcegos hematófagos e sem realização de profilaxia antirrábica pós-exposição. A maioria das vítimas era residente de área rural, ribeirinhas e remotas.

 

 

Texto: Roberta Vilanova

Fotos: GT Zoonoses/Sespa

 

 

Você pode gostar...