Sespa realiza ação alusiva ao Dia Mundial de Luta Contra a AIDS

Ação na praça da República, em Belém, foi realizada pela Sespa

Para levar serviços de saúde à população e alertar para a prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST’S) e Aids, a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) realizou neste domingo (01), uma ação em que foram oferecidas testagens gratuitas para HIV, sífilis e hepatites B e C na Praça da República, em Belém.

A atividade foi o início das mobilizações pelo Dezembro Vermelho, mês de alerta e conscientização das (IST) e Aids. A campanha deste ano da Sespa tem como foco o público jovem, entre 15 e 29 anos, e o alerta para a importância do uso do preservativo.

Alusiva também ao Dia Mundial de Luta contra a Aids, lembrado em 1º de dezembro, a campanha será intensificada em todo o Pará com a distribuição de 1 milhão de preservativos masculinos, 40 mil preservativos femininos e 40 mil sachês de gel lubrificante. A mobilização quer ir além de dezembro e manter o alerta de prevenção, independente da ocorrência de mobilizações e períodos comemorativos, como carnaval e férias de julho.

Só neste domingo, 210 pessoas foram atendidas e 840 testes realizados por uma ação conjunta que envolveu técnicos da Sespa, da Unidade de Referência Especializada em Doenças Infecciosas e Parasitárias Especiais (UREDIPE) e do Laboratório Central do Estado (Lacen). Foram distribuídos na praça da República 8 mil preservativos masculinos, 200 preservativos femininos e 400 sachês de gel lubrificante. O atendimento aconteceu com o suporte de uma Unidade Móvel da Sespa, onde profissionais de saúde atuaram no aconselhamento para o resultado dos testes. Nenhum caso de HIV foi detectado, mas 4 casos de sífilis e 2 de hepatite C foram já encaminhados para tratamento.

“A campanha tem esse diferencial e faremos com que seja contínua. Por isso a Sespa veio à praça, cumprindo seu papel, onde o povo está, para oferecer os testes e alertar a população que o fluxo desse atendimento começa na atenção básica e que o tratamento está aí oferecido”, explica a coordenadora de IST/Aids da Sespa, Andréa Miranda. “Serão informados na campanha os principais sintomas das infecções de acordo com cada caso. Importante dizer que as ISTs aumentam em até 18 vezes a chance de a pessoa ser infectada pelo HIV e têm impacto direto na saúde reprodutiva e infantil, pois podem provocar infertilidade e complicações na gravidez e no parto, além de causar morte fetal e agravos na saúde da criança”, complementa.

A coordenadora de IST/Aids da Sespa, Andréa Miranda

Ainda segundo Andréa, é importante que a população faça também sua parte, seja se prevenindo ou se tratando adequadamente, sem interrupções. De acordo com o protocolo mantido pelo MS, a pessoa que passou por uma situação de risco, como ter feito sexo desprotegido ou compartilhado seringas, deve fazer o teste para detecção do HIV, cujo diagnóstico é feito a partir da coleta de sangue ou por fluido oral. No Brasil, os exames laboratoriais e os testes rápidos detectam os anticorpos contra o HIV em cerca de 30 minutos.

Na ação realizada na praça, a aeroviária Carla Almeida, de 35 anos, aproveitou a oportunidade para fazer as testagens, consideradas por ela pendentes por falta de tempo. “Meu cotidiano é corrido e não tenho tantas oportunidades de ir numa Unidade Básica de Saúde. Uma ação como essa ajuda muito quem trabalha a semana inteira. Gostei muito”, atestou. O universitário Eduardo Santos, de 22 anos, gostou também da ação por ser no domingo, dia da sua folga. “Soube por postagens na internet e vim aqui. Durante a semana é mais complicado pra mim porque estudo e trabalho. Com o tempo livre vim ver como estou de saúde”, disse.

No Pará, o princípio básico pra o indivíduo saber se possui alguma IST e ir até a uma Unidade Básica de Saúde. Dependendo do articulação do município, a pessoa pode fazer o teste gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde em um dos 80 Centros de Testagem e Aconselhamento (CTAs) e em 27 Serviços de Assistência Especializada (SAE) em HIV/Aids existentes no Pará, que são vinculados às Secretarias Municipais de Saúde. Os exames podem ser feitos de forma anônima. Nesses centros, além da coleta e da execução dos testes, há um processo de aconselhamento, para facilitar a correta interpretação do resultado pelo (a) usuário (a).

A ampliação desses serviços depende das gestões municipais e, nesse caso, a Sespa governo estadual trabalha como um articulador e um facilitador, além de discutir as estratégias que são usadas na prevenção da doença, por meio de treinamento de profissionais das unidades municipais que atuam diretamente com o paciente.

As estatísticas de HIV e Aids no Pará tendem a cair no Pará, se comparadas ao ano passado. De acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do MS, somente em 2018, 2.707 pessoas foram diagnosticadas com HIV, enquanto até cinco de novembro deste ano, outros 1.469 já haviam iniciado tratamento para controle do vírus. No ano passado, 1.348 pacientes manifestaram sintomas da Aids e, até novembro de 2019, outros 657 desenvolveram a doença.

Dados epidemiológicos divulgados pelo Ministério ainda demonstram que o uso do preservativo vem caindo com o passar do tempo, principalmente entre o público jovem, e doenças antigas, como a Sífilis, ainda são recorrentes. Entre as faixas etárias com maior predominância de casos de HIV e Aids, estão entre compreendidas entre 20 e 34 anos, seguidas pela faixa entre 35 e 49 anos e pela de 15 a 19 anos. Atualmente 20.547 pessoas estão fazendo tratamento com antirretroviral para HIV e Aids no Pará. No ano passado, 681 pessoas foram a óbito por Aids no Estado e, até 30 junho de 2019, ocorreram mais 312 mortes.

Em se tratando de sífilis, o mais recente Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, com dados nacionais da doença atualizados até junho deste ano, acena para tendência de queda no cenário no Pará, diante três classificações: casos de sífilis adquirida, sífilis em gestantes e sífilis congênita – a transmitida da mãe infectada para o bebê.

Até 30 de junho deste ano, 1.137 novos casos de sífilis adquirida foram registrados no Pará, sendo que no ano passado foram 2.625 confirmações. Entre gestantes, 962 novos casos foram registrados até junho deste ano e, em 2018, o número de casos chegou a 2.039. Os números de sífilis congênita também convergem para queda: em 2018, nasceram 790 bebês com a doença, enquanto que até junho deste ano, foram 356 casos de sífilis com transmissão vertical de mãe para bebê.

*Fotos de Bruno Cecim (Agência Pará) e Mozart Lira (Ascom/Sespa).

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