Mobilização marca Dia Mundial de Luta contra a Hanseníase em Marituba

Caminhada pelo Dia Mundial de Luta contra a Hanseníase

Uma grande mobilização no município de Marituba marcou, neste domingo (26), o Dia Mundial de Luta contra a Hanseníase. A ação foi organizada pela Secretaria De Estado de Saúde Pública (Sespa), Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) e Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan).

A programação começou com uma caminhada que saiu da Praça Jarbas Passarinho, no bairro Dom Aristides, até a Praça Matriz, na BR-316, onde estavam instaladas as unidades móveis da Sespa, disponibilizando para a comunidade consultas com médicos hansenólogos, palestras sobre hanseníase e uma atividade educativa sobre saúde bucal.

A caminhada teve o objetivo de chamar a atenção da população de Marituba para o tema e convidar as pessoas com manchas suspeitas para comparecerem à praça para avaliação clínica com os especialistas.

Bruno Pinheiro, coordenador estadual de Controle da Hanseníase

O coordenador estadual de Controle da Hanseníase, Bruno Pinheiro, informou que durante a semana, equipes da Secretaria Municipal de Saúde visitaram as famílias de pessoas que tiveram hanseníase nos últimos 10 anos, orientando para que também comparecessem para exame.

Segundo o coordenador estadual, a ação proporciona uma busca ativa de casos novos de hanseníase, a partir de pessoas que tiveram contato com esses doentes nos últimos anos, para um diagnóstico precoce e evitar o agravamento da doença. “O certo é avaliar anualmente a família dos casos diagnosticados, por pelo menos cinco anos”, indicou.

Bruno ressaltou que o diagnóstico e tratamento da doença estão disponíveis gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), por meio das Unidades Básicas de Saúde.

Ação oferece consultas com especialistas na Praça Matriz de Marituba

“Para isso, a Coordenação Estadual de Controle da Hanseníase mantém uma rotina intensa de capacitação dos profissionais da Rede Municipal de Saúde” – Bruno Pinheiro, coordenador estadual de Controle da Hanseníase.

Ele disse ainda que o tratamento dura seis meses nos casos iniciais e 12 meses nos mais complicados. “As pessoas em tratamento não transmitem mais a doença e podem levar uma vida normal”, afirmou Pinheiro.

Para os casos que requeiram intervenções de média complexidade, o Estado dispõe de três Unidades de Referência Especializadas (URE), para onde os pacientes são encaminhados: A URE Marcello Cândia, em Marituba, a URE Demétrio Medrado em Belém, e ainda em Santarém. Todas elas, além do diagnóstico e tratamento, oferecem reabilitação aos pacientes e funcionam adequadamente, sem lista de espera para atendimento.

A Sespa, juntamente com as Secretarias Municipais de Saúde, também atua na reabilitação, reinserção social e laboral e ainda no combate ao preconceito contra as pessoas com hanseníase.

Carlos Cruz faz exame de lesão suspeita de hanseníase

O médico hansenólogo Carlos Cruz disse que a hanseníase tem muita relação com as condições de saneamento básico, habitação e nutrição. “Portanto, além de fazer o diagnóstico precoce e tratar a doença, é fundamental que sejam desenvolvidas ações de combate a essas condicionantes sociais. Então, não é apenas uma questão da área de saúde, ela envolve diversos setores do Estado”, declarou.

Como exemplo, ele disse que a hanseníase foi hiper-endêmica na Noruega, que foi, inclusive, o país que descobriu o bacilo em Hansen, em 1873. “O que foi feito para eliminar a hanseníase da Europa, onde ela já foi endêmica também, quando ainda nem havia tratamento para a doença? Apenas melhoria das condições socioeconômicas e de saneamento. Isso foi o que proporcionou a eliminação da doença. Onde tem mais hanseníase é onde tem mais pobreza, como por exemplo, na Índia, no Norte e Nordeste do Brasil”.

Carlos Cruz aponta que continua sendo fundamental a busca ativa dos contatos das pessoas diagnosticadas para conseguir encontrar o foco da doença e fazer o diagnóstico precoce dos casos novos.

Aferição de pressão arterial antes da consulta

O diretor de Vigilância em Saúde, Amiraldo Pinheiro, disse que a Sespa trabalha para dar maior sensibilidade possível aos Sistemas Municipais de Saúde para que detectem o máximo possível de casos de hanseníase, façam levantamento dos contatos e proporcionem o tratamento e, assim, consigam quebrar a cadeia de transmissão da doença. “É fundamental o trabalho da Atenção Primária, para detecção de novos casos, seja nas Unidades Básicas ou pelas equipes de Saúde da Família, incentivando os agentes comunitários a identificarem sintomáticos dermatológicos”, afirmou o gestor estadual.

Maria de Fátima da Mata, 56, atendeu ao chamado da Secretaria Municipal de Saúde e foi até a praça para avaliação clínica. Ela disse que já fez tratamento contra hanseníase, mas agora uma nova mancha surgiu. “Vim aqui fazer a consulta e ver se preciso de novos exames”, disse.

Consulta com médico hansenólogo

A flanelinha Deuzimar Guimarães, 42, também compareceu ao local da ação. Ela disse que viu a movimentação e procurou atendimento para avaliação dermatológica, uma vez que pega muito sol diariamente. Sobre a hanseníase, ela disse que já ouviu falar em palestras no posto de saúde, mas não estava com nenhum sinal ou sintoma.

Sinais e sintomas – A hanseníase é uma doença infecciosa, contagiosa, que afeta os nervos e a pele. A transmissão acontece por meio da respiração em contato com pessoa doente, que ainda não está em tratamento.

Os principais sinais e sintomas da hanseníase são manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo, com perda e alteração de sensibilidade ao quente ou frio, ao toque, à dor, na área da mancha; áreas com diminuição dos pelos e suor; dor e sensação de choque, formigamento, fisgadas e agulhadas ao longo de braços e pernas; inchaço de mãos e pés, dificuldade de fechar os olhos, perda de força em mãos e pés; feridas na planta dos pés; caroços no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos.

Ação chama a atenção dos torcedores no Mangueirão

Ação no Mangueirão – Encerrando as ações alusivas ao Dia Mundial de Luta contra a Hanseníase, a Coordenação Estadual realizou na tarde deste domingo (26), atividade no Estádio Olímpico Jornalista Edgar Augusto Proença (Mangueirão). Equipes da Sespa estiveram presentes durante a partida de futebol entre o Clube do Remo e Carajás.

Os servidores seguraram faixas alusivas à campanha e, durante toda a partida, mensagens educativas foram transmitidas por meio do telão. O objetivo foi chamar a atenção dos torcedores para os sinais e sintomas da hanseníase, que, muitas vezes, passam despercebidos.

 

Texto: Roberta Vilanova

Fotos: José Pantoja e Alex Ribeiro

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