Sespa realiza segundo ciclo de oficinas para a estratégia Zero Morte Materna

As práticas são ministradas por instrutores da OPAS capacitados dentro dos parâmetros específicos para o combate e a erradicação de morte materna por hemorragia.

Com foco na redução dos óbitos maternos no Pará, a Secretaria de Saúde do Pará (Sespa) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) no Brasil estão realizando neste mês de fevereiro o segundo ciclo da oficina pela estratégia Zero Morte Materna por Hemorragia. As atividades aconteceram nos dias 3 e 4, em Santarém; dias 06 e 07 em Belém e ocorrerão em Breves, nos dias 11 e 12.

Destinada a profissionais que atuam na assistência obstétrica, a atividade deu sequência à primeira oficina, realizada em dezembro de 2019, contendo estratégias de capacitação, qualificação e mobilização de gestores e profissionais da saúde para o enfrentamento as emergências obstétricas, com o propósito de estimular a prevenção, o diagnóstico e os cuidados com hemorragia pós-parto ou aborto.

A oficina contém itens já previstos pela formalização do Pacto pela Redução da Mortalidade Materna do Pará, lançado pelo governo estadual em 2019, e também pelo fato do Estado ter sido um dos oito entes federativos indicado pelo Ministério da Saúde (MS) a elaborar um plano de ação estadual para o enfrentamento da mortalidade e a enviar profissionais para a formação proposta pela OPAS, além de seguir com a estratégia para dentro de suas regiões e unidades de saúde. O projeto já foi implementado também em outros cinco países prioritários na América Latina.

Segundo a diretora de Políticas de Atenção Integral à Saúde (Dpais) da Sespa, Sâmia Borges, além da capital, onde participaram 48 profissionais, as oficinas acontecem em mais duas bases no Estado: Santarém, onde 40 médicos e

A diretora de Políticas de Atenção Integral à Saúde (Dpais) da Sespa, Sâmia Borges.

enfermeiros de obstetrícia foram capacitados nos dias 3 e 4 deste mês, e em Breves, onde a oficina acontecerá nos dias 10 e 11 de fevereiro. “Vamos traçar um diagnóstico ao longo desse ano de oficinas e traçar estratégias para a redução da causa de morte materna em pelo menos 30%”, afirma.

Além de palestras e debates, os profissionais dessas oficinas participam de estações de simulação realísticas com cenários de hemorragia pós-parto, onde o profissional pode conhecer e fazer, manusear e construir tecnologias leves e de baixo custo, que podem ser utilizadas em suas unidades e ajudar a preservar a vida e a saúde das mulheres. Nessas ocasiões, utilizam tecnologias para enfrentamento ao choque hemorrágico, como os balões de tamponamento intrauterino, traje antichoque não pneumático e suturas hemostáticas.

As práticas são ministradas por instrutores da OPAS capacitados dentro dos parâmetros específicos para o combate e a erradicação de morte materna por hemorragia, com a finalidade de capacitar, por meio de treinamentos com simulação realística, médicos e enfermeiros que atuam nas maternidades, no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) e hospitais gerais dos municípios com os maiores índices de mortalidade. “A proposta é que essas mulheres sejam salvas por um atendimento rápido e com profissionais treinados em reconhecer, controlar e tratar a hemorragia obstétrica. E o objetivo da estratégia Zero Morte Materna por Hemorragia é que esse seja o desfecho em todos os casos”, lembra Sâmia Borges.

O médico Fabrício de Araújo Silva, do Programa Saúde da Família de Cachoeira do Piriá, tem convicção de que os treinamentos vão gerar uma mudança de comportamento de profissionais para atenção mais qualificada às emergências. obstétricas.

O médico Fabrício de Araújo Silva, do Programa Saúde da Família de Cachoeira do Piriá, tem convicção de que os treinamentos vão gerar uma mudança de comportamento de profissionais para atenção mais qualificada às emergências obstétricas. “Pro nosso Estado isso tem uma enorme importância, sobretudo aos profissionais que, como eu, atuam no interior do Estado desde o planejamento do pré-natal a essas pacientes”, explica.

Para a enfermeira Waylla Luz, da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ananindeua, o treinamento é importante para que os profissionais estejam mais preparados para atuar de modo coordenado nessas situações de emergência. “Está sendo ótimo, sobretudo por conta das simulações realísticas em que participamos”, atesta.

Para a enfermeira Waylla Luz, da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ananindeua, o treinamento é importante para que os profissionais estejam mais preparados para atuar de modo coordenado nessas situações de emergência.
Fotos: José Pantoja (Ascom/Sespa).

Em 2017, o Pará alcançou o índice de 88,30 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos, enquanto o aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de até 35 mortes de mulheres nessa condição, por 100 mil nascimentos. A adesão maciça dos municípios paraenses (143, entre os 144) é o primeiro grande resultado do Pacto, que pode salvar mais de 70 mulheres por ano no Estado.

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