Com reforço do Estado na rede pública, Pará tem mais de 80 mil recuperados de Covid-19

Moradora de Salinópolis, município do nordeste paraense, Maria Silva de Jesus foi transferida do hospital municipal diretamente para um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), em Belém. Foram necessários quatro dias para estabilizar o quadro de saúde. “Tive muito acolhimento lá e também quando desci para o leito clínico. É muito bom ter esse apoio, principalmente para a população carente”, declarou Maria de Jesus, uma das 81 mil pessoas em todo o Pará que superaram a Covid-19 nos últimos três meses.

Assim como ela, Luiz Trindade, 53 anos, ao apresentar sintomas da doença também buscou tratamento no “Abelardo Santos”, há dois meses transformado pelo Governo do Estado em referência para urgência e emergência de Covid-19. Apesar do diagnóstico positivo, ele não precisou ser internado. “Fiquei muito assustado quando comecei a sentir febre, cansaço e quando perdi o olfato e o paladar. Mas hoje estou recuperado. Fui consultado no ‘Abelardo Santos’, recebi os medicamentos e pude ir pra casa, onde me tratei e hoje estou bem”, relatou.

Empenho – Desde maio, o número de pessoas que conseguiram vencer o novo coronavírus vem aumentando consideravelmente, ao mesmo tempo em que o número de novos casos e mortes apresenta tendência de queda. Uma das causas desse cenário é a estratégia adotada pelo Estado no combate intenso à pandemia.

Além do Hospital Regional Dr. Abelardo Santos, localizado em Icoaraci (distrito de Belém), que já atendeu mais de 35 mil pessoas, a Policlínica Metropolitana, inaugurada em janeiro, teve seu perfil modificado e passou a atender exclusivamente pessoas com sintomas de doenças respiratórias, incluindo casos leves e moderados de Covid-19. O êxito da iniciativa resultou na Poli Itinerante, a versão móvel da Poli Metropolitana, que já passou por mais de 40 municípios e prossegue pelo interior do Pará oferecendo a assistência preventiva, decisiva para o não agravamento do quadro clínico dos infectados pelo vírus. Só nessas duas frentes já foram realizados cerca de 80 mil atendimentos de atenção básica – consultas, testes, exames, orientações e oferta de medicamentos.

Leitos – Além das estruturas já existentes, adaptadas em função da grande demanda gerada pela pandemia, o Governo do Estado montou quatro hospitais de campanha, em Belém e no interior. A unidade instalada no Hangar – Centro de Convenções da Amazônia, na capital paraense, tem 420 leitos, sendo 310 clínicos e 110 de UTI, além de 50 leitos exclusivos para pacientes indígenas. Nos hospitais de Santarém (no oeste) e Marabá (no sudeste) há 120 leitos, e no de Breves (no Arquipélago do Marajó) estão disponíveis 60 leitos, entre clínicos e de terapia intensiva.

Com seis meses de antecedência, e por conta das necessidades impostas pela pandemia, foi inaugurado em 3 de junho o Hospital Regional de Castanhal, na Região Metropolitana de Belém, para reforçar o atendimento. O complexo hospitalar, que também será referência para vários municípios do nordeste paraense, dispõe de 120 leitos – 100 clínicos e 20 de UTI -, e atualmente é voltado exclusivamente para pacientes com Covid-19.

Prioridade – Desde o início da pandemia, o Governo do Pará constatou a gravidade da doença e priorizou o aumento do número de vagas de tratamento intensivo em todo o Estado. Com apenas três leitos exclusivos para a doença em março, a rede de saúde pública deu um salto para 1.523 leitos clínicos e 702 de UTI em poucos meses. O reforço nessa área continua, principalmente no interior. Nas últimas semanas foram entregues cinco respiradores para unidade de saúde em Juruti, e outros quatro em Almeirim, na região oeste.

 

Para garantir terapia adequada aos pacientes, no dia 4 de junho o Estado fez a quarta entrega de medicamentos para a Covid-19 aos 144 municípios – 65 mil hidroxicloroquinas e 227 mil azitromicinas. “Ao todo, já adquirimos 615 mil hidroxicloroquinas, 940 mil azitromicinas, o que significa 188 mil tratamentos para a população”, confirmou o governador Helder Barbalho.

 

Texto: Carol Menezes (SECOM).

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