Chagas – DCE

Doença de Chagas

O que é a doença de Chagas?

É uma doença causada por um parasito denominado Trypanosoma cruzi e transmitida aos animais mamíferos e ao homem através de insetos infectados conhecidos popularmente como barbeiros (Tria tomíneos). A doença de Chagas, também conhecida como Tripanossomíase americana, apresenta uma fase aguda, que pode manifestar ou não sintomas, e uma fase crônica, a qual pode se manifestar de quatro formas: indeterminada, cardíaca, digestiva e cardiodigestiva (ou mista, pois envolve coração e aparelho gastrointestinal).

 

Agente etiológico

 

Trypanosoma cruzi é um protozoário que, quando infecta animais (apenas mamíferos) e o homem, pode ser encontrado no sangue periférico, durante a fase aguda da doença, e em células musculares, principalmente do músculo cardíaco e digestivo, por este motivo é capaz de comprometer a função destes órgãos e que se não tratada pode evoluir para óbito.

 

 

 

Sintomas da doença de Chagas

Em virtude da doença de Chagas apresentar duas fases, o paciente pode manifestar inúmeros sintomas e/ou sinais (Quadro 1). Deste modo, na maioria das vezes, a doença pode ser confundida com diversas outras doenças, que variam de região para região, e assim o indivíduo acometido pode querer “se tratar” por conta própria e não obter êxito, demorar buscar auxílio médico e acabar por deixar evoluir a doença para quadros mais graves. Assim, independente dos sintomas e/ou sinais, também são necessários a realização de exames preliminares para confirmar ou descartar o caso suspeito.

Nota: Independente dos sintomas e/ou sinais, exames preliminares como exames parasitológicos devem ser adotados para confirmar ou descartar o caso suspeito.

Nota:sinais específicos” são manifestações que sugestionam o caso a ser suspeito de Doença de Chagas Aguda como os sinais se Romaña e o Chagoma de Inoculação. Quando não se observa esses sinais, os profissionais de saúde tendem a ter dúvidas, já que o paciente apresenta “sintomas inespecíficos”.

Nota:sintoma” é tudo aquilo que o paciente sente e revela ao seu médico, enquanto os “sinais” correspondem tudo aquilo que apenas o médico pode detectar no paciente durante o exame clínico.

 

Vetores

A doença de Chagas, também conhecida como Tripanossomíase americana é causada por um protozoário flagelado denominado Trypanosoma cruzi. Este parasito é transmitido por vetores que são insetos conhecidos popularmente como barbeiros, chupão, procotó ou bicudo, sendo que no Estado do Pará, as espécies envolvidas nas transmissões são: Panstrongylus geniculatus, Panstrongylus lignarius, Triatoma rubrofasaciata, Rhodnius pictipes e Eratyrus mucronatus.

Esses vetores (hemípteros, do grego hemi= metade; pteron= asa), não são espécies exclusivas do território paraense (Figura 1), além disso, também podem ser confundidos com outras espécies de hemípteros, que somente entomologistas ou técnicos capacitados são capazes de diferenciá-lo. Na Figura 2, as principais diferenças são representadas pelos hábitos alimentares e por conformação das estruturas anteriores dos insetos.

 

 

Onde podem ser encontrados os Trypanosomas cruzi

Os animais onde T. cruzi pode ser detectado são denominados de reservatórios, sendo que já foram identificadas inúmeras espécies de mamíferos domésticos e silvestres (de vida livre ou que foram “domesticados”) que atuam como reservatórios e estão presentes em todos os biomas do Brasil.

Essas espécies têm o hábito de se aproximarem das casas no meio rural, principalmente em galinheiros, currais e depósitos, e podem adentrar nas periferias das cidades. Também há relatos de que algumas espécies de morcegos atuem como reservatório e podem transmitir ao ser humano e animais quando compartilham do mesmo ambiente (Exemplo: indivíduo ou pesquisadores que entram em cavernas, onde habitam morcegos, sem o uso de equipamento de proteção individual – EPI, como as máscaras).

Contudo, os reservatórios são considerados um sistema ecológico, no qual o T. cruzi se mantem e é transmitido aos animais susceptíveis (vulnerável) na natureza. Assim, uma espécie que pode conter o parasito no organismo em uma determinada região do país pode não conter em outra, sendo um determinado animal tem que apresentar T. cruzi no sangue periférico suficiente para infectar o vetor. Quando a quantidade de T. cruzi não é o suficiente na circulação periférica de um determinado animal, este é denominado sentinela, pois indica a existência de um ciclo de transmissão nas proximidades onde habita o animal, mas não possui parasitemia (presença elevada de parasito no sangue durante a fase aguda) suficiente para atuarem como reservatórios.

Modo de transmissão

A transmissão ocorre quando o vetor, já infectado pelo T. cruzi, infecta um animal (mamífero) ou o ser humano quando vai se alimentar novamente. Embora existam várias formas de transmissão, as mais comuns são Oral e Vetorial (Quadro 2), deste modo, a vigilância epidemiológica deve atuar com empenho para detectar os casos e direcionar tratamento em tempo oportuno, além de realizar as ações de controle da doença.

É importante destacar que, segundo normas preconizadas pelo Ministério da Saúde, todo caso confirmado deve ser tratado e o encerramento oportunamente realizado em 60 dias, ou seja, o período compreendido da data de notificação a finalização do tratamento tem que ser de no máximo 60 dias.

Período de incubação e transmissão

O período de incubação varia conforme o tipo de transmissão (Figura 3).

Período de transmissibilidade

A maioria dos indivíduos com infecção por T. cruzi alberga o parasito no sangue, nos tecidos e órgãos, durante toda a vida.

Diagnóstico laboratorial

O diagnóstico laboratorial é realizado por meio de exames laboratoriais, os quais podem ser diretos ou métodos sorológicos e que dependem da fase clínica da doença, como mostra a Figura 4.

 

EVENTOS FISIOPATOLÓGICOS DA DOENÇA DE CHAGAS

 

Métodos parasitológicos diretos

Os exames diretos são aqueles onde as técnicas utilizadas possuem a capacidade de detectar o parasito diretamente, por meio da visualização de T. cruzi, por este motivo é denominado “parasitológico direto”. Assim, como no início da doença há muitos T. cruzi circulando pela corrente circulatória periférica (veias), coleta-se o sangue e faz-se a pesquisa do material coletado que pode ser de três maneiras:

 

Métodos sorológicos

Constituem em métodos de exames indiretos com as seguintes características:

  1. Indicados para a fase crônica da doença da Chagas
  2. São utilizados quando os exames parasitológicos resultarem negativos
  3. Suspeita de persistência clínica
  4. Atuam como exames complementares
  5. Devem ser colhidos em casos suspeitos ou confirmados de DCA e enviados ao Laboratório Central de Referência – LACEN

Tipos de métodos utilizados: 

Hemaglutinação indireta – HAI

Imunofluorescência indireta – IFI

Método imunoenzimático – ELISA

  • Detecção de anticorpos anti-T. cruzi da classe IgG – para confirmação, são necessárias duas coletas com intervalo mínimo de 15 dias entre uma e outra. Confirmação: execução pareada (inclusão da 1a e da 2a amostras no mesmo ensaio para efeitos comparativos).

 

  • Detecção de anticorpos anti-T. cruzi da classe IgM – técnica complexa, que pode apresentar resultados falso-positivos em varias doenças febris. O paciente deve apresentar alterações clinicas compatíveis com DCA e historia epidemiológica sugestiva.

Diagnóstico: os diagnósticos por este método somente são válidos para fins de saúde pública quando realizados pelos Laboratório Central de Saúde Pública – LACEN.

 

Fase crônica da doença de Chagas

O diagnóstico laboratorial na fase crônica é essencialmente sorológico. Os testes de ELISA, HAI e IFI são os indicados para determinar diagnóstico. A confirmação ocorre quando pelo menos dois testes são reagentes, sendo preferencialmente um destes o ELISA.

Nota: A confirmação laboratorial de um caso de doença de Chagas na fase crônica ocorre quando há positividade em dois testes sorológicos distintos ou com diferentes preparações antigênicas.

Diagnóstico diferencial

 

Muitas doenças apresentam sintomas semelhantes às da doença de Chagas na fase aguda como:

 

 

 

 

 

Tratamento

O benznidazol é o fármaco de escolha disponível. O nifurtimox pode ser utilizado como alternativa em casos de intolerância ou que não respondam ao tratamento com benznidazol.

 

 

De acordo com normas preconizadas pelo Ministério da Saúde, o tratamento deve ser realizado em 100% dos casos confirmados.

Existe cura para a doença de Chagas?

Segundo preconizado pelo Ministério da Saúde, não existe critério clínico que possibilitem definir com exatidão a cura de pacientes da doença de Chagas aguda, sendo considerado o indivíduo curado com a negativação de exames sorológicos.

 

Nota: segundo o Ministério da Saúde, o encerramento de cada caso deve ser no máximo 60 dias a contar da data de notificação.