Abelardo Santos disponibiliza internet como recurso terapêutico durante hemodiálise

Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) revelam que o número de doentes renais no Brasil dobrou na última década. Estima-se que 10 milhões de brasileiros sofram de alguma disfunção renal. Atualmente, há cerca de 100 mil pessoas que passam por hemodiálise no País.

Em Belém, para amenizar a espera durante o procedimento, o Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), no distrito de Icoaraci, disponibiliza uma rede de internet WiFi para os pacientes durante as quatro horas que são submetidos ao processo. Os usuários fazem parte do Programa de Terapia Renal Substitutiva (STRS), iniciado esta semana.

Ao total, são 96 pacientes regulados pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), que passam por tratamento nos rins na instituição. A clínica funciona de segunda a sábado, de 5h30 às 20h, com a capacidade de atender até 22 pessoas em cada um dos três turnos – manhã, tarde e noite. Além disso, o HRAS também oferece a hemodiálise para pacientes internados em leitos clínicos e nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

O avanço de doenças crônicas, sobretudo do diabetes e da hipertensão, tem provocado um aumento no número de pacientes com problemas nos rins em todo o País. A Sociedade de Nefrologia também alerta que, mais de 70% dos pacientes que iniciam a diálise descobrem a doença quando os rins já estão gravemente comprometidos, e este foi o caso do autônomo Luiz Fernando de Souza, de 46 anos. Após passar por uma série de exames, ele recebeu do médico a notícia que deveria fazer, periodicamente, o procedimento.

“Foi ainda no posto de saúde de Paragominas, (no sudeste do estado), que o médico disse que eu deveria fazer esse tratamento já que os rins estavam quase parando. Três vezes na semana passo cerca de 4 horas sentando na máquina”, contou. Para Luiz Fernando, o período que ele fica dialisando, se torna menos angustiante com ouso da internet. “Posso ver um vídeo, falar com meus filhos, com a minha família, é uma forma de amenizar a saudade que eu sinto da minha casa”, ressaltou.

O trabalhador rural, Jeová da Silva, de 50, também descobriu a doença já avançada. “Eu só tive conhecimento do problema de rins, quando eu não estava mais urinando. Já sentia muita dor, e o médico me informou que estava com a doença”, explicou. Morador do município de Marabá, também, no sudeste paraense, Jeová teve que se mudar para Belém, para fazer o tratamento.

“A doença é silenciosa, faz a gente parar a nossa vida. Qualquer iniciativa que possa diminuir o sofrimento é uma esperança. Ter acesso à internet, faz com que eu fale com as pessoas que ficaram na minha casa, posso ouvir música, ver as pessoas queridas nas fotos”, comentou Jeová da Silva sobre o uso das redes sociais.

O diretor geral do Abelardo Santos, Marcos Silveira, explicou que desde o início do trabalho do Instituto de Saúde Social e Ambiental da Amazônia (ISSAA) – Organização Social em Saúde (OSs), à frente da gestão do hospital, desde março de 2021 – as equipes têm sido sido incansáveis para fazer a diferença positiva na vida dos usuários, ofertando uma assistência de qualidade e segura, com humanização e respeito.

Saiba mais sobre a Hemodiálise – o diretor Marcos Silveira explicou que o objetivo da hemodiálise é substituir parcialmente as funções dos rins, removendo as toxinas e o excesso de líquido do corpo. Sobre a oferta da internet para os pacientes durante as sessões, ele reforçou que, além da distração, o projeto dá a “possibilidades de entretenimento e estudo aos pacientes, assim como também, pode diminuir a saudade dos seus parentes e amigos através de ligações e trocas de mensagens, já que muitos são do interior do estado”, detalhou o diretor geral.

O gestor ressaltou, ainda, que a doença tem sido frequente nos casos graves da Covid-19, onde o serviço de Nefrologia do HRAS atende tanto aos pacientes crônicos, quanto aos pacientes agudos internados na instituição. “A insuficiência renal tem sido um sério agravante aos pacientes contaminados nas formas graves do novo coronavírus, onde neste período foi necessário ações do Governo do Estado com a ampliação no número de máquinas de hemodiálise, assim como no número de colaboradores com o objetivo de salvar vidas”, finalizou Silveira.

Rede Estadual- Segundo a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa), atualmente, há 1.272 pessoas que realizam hemodiálise do Pará. O titular da pasta, Rômulo Rodovalho, garante que ações que minimizam o sofrimento dos pacientes, já são realidade no Pará.

“O Estado vem investindo em estratégias de humanização dentro das unidades hospitalares. Hoje, o Abelardo Santos, está se tornando referência no atendimento, com várias ações de acolhimento durante a hospitalização, tratamento, ou mesmo, em qualquer procedimento feito na unidade”, enfatizou Rômulo Rodovalho.

O tratamento é disponibilizado em 11 hospitais que têm pacientes renais crônicos, além do Abelardo Santos. São eles: o Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, Hospital Ophir Loyola, Santa Casa de Misericórdia do Pará, Hospital da Divina Providência, Hospital Santo Antônio Maria Zaccaria, Hospital São Francisco, Hospital Regional do Baixo Amazonas, Hospital Regional Público da Transamazônica, Hospital Regional Público do Araguaia, Hospital Regional Público do Marajó e Hospital Regional de Marabá.

Texto: Roberta Paraense/HRAS

Foto: Bruno Cecim/Ag. Pará

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