Centro de inclusão e reabilitação é aliado na luta das pessoas com deficiência

Arthur foi diagnosticado com paralisia cerebral e há dois anos recebe acompanhamento no CIIR, durante os quais desenvolveu autonomia

Referência estadual na assistência de média e alta complexidade às Pessoas com Deficiência (PcD), de todas as faixas etárias, o Centro Integrado de Inclusão de Reabilitação (CIIR) promoverá nesta segunda-feira, 21, abertura da programação do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. A ação tem o objetivo de alertar à sociedade em geral sobre a importância da inclusão, respeito e cidadania para cerca de 25% da população brasileira que apresenta algum tipo de deficiência.

A programação se estenderá até o dia 25 e contará com diversas atividades voltadas aos usuários e acompanhantes, chamando a atenção para a importância da retirada ou da minimização dos obstáculos que impedem a inclusão das pessoas com deficiência à sociedade.

No Pará, as Pessoas com Deficiência (PcD) têm um forte aliado contra obstáculos causados pela própria deficiência, o CIIR, unidade do governo do Estado, que atua na assistência à saúde e ao bem-estar, por meio da reabilitação física, auditiva, intelectual, visual e múltiplas deficiências, com foco do cuidado centrado no paciente.

No Centro, a reabilitação dos usuários com deficiência é feita por uma equipe multiprofissional composta por médicos, bucomaxilofacial, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, psicopedagogos e terapeutas ocupacionais.

A atuação da equipe inclui diversos procedimentos e terapias de reabilitação, e, caso haja necessidade, outras podem ser utilizadas, como odontólogos, nutricionistas, musicoterapeutas, entre outros, além do que comumente é oferecido pelo protocolo de atendimento preconizado pelo Ministério da Saúde aos pacientes.

SUPORTE – Com relação às reabilitações auditiva e visual, o Centro disponibiliza também os auxílios ópticos a usuários com baixa visão e próteses auditivas. O mesmo acontece com relação à deficiência física, que, dependendo da necessidade do usuário, também há o suporte necessário no que se refere a órteses e próteses, fabricadas no oficina do  próprio CIIR.

Luciene Ribeiro, 43, mãe de Arthur : “anteriormente, ele tinha medo

Arthur Davi Lucena, 10 anos, tem o diagnóstico de paralisia cerebral e há dois anos é acompanhado pela equipe multiprofissional da unidade. Conforme relatou Luciene Ribeiro, 43, dona de casa, mãe de Davi, após o período de quarentena, foi feita uma reavaliação e apontada a necessidade do acompanhamento pela equipe de psicologia.

“Há cerca de 3 semanas, foi iniciada essa parte do tratamento com o Davi, mas já observo grandes avanços, como a independência e segurança dele. Anteriormente ele tinha medo de ir até à cozinha sozinho, mas agora já consegue fazer atividades simples, como pegar água. ”

Fabrícia Maciel, diretora do CIIR: Centro é uma grande conquista

Para a médica gastroenterologista, diretora Técnica do CIIR, Fabrícia Dias Maciel, o Centro representa uma grande conquista na luta das Pessoas com Deficiência no Estado. Um ganho social muito sonhado por essas pessoas.

“O CIIR participa da luta diária das Pessoas com Deficiência, disponibilizando uma estrutura que agrega produtos, como assistência especializada às pessoas com deficiência, na odontologia, com serviço de anestesia que acompanha procedimentos cirúrgicos odontológicos mais complexos, além de ambulatório de especialidades médicas e não médicas, e um parque tecnológico para a realização de todos os exames necessários, disponíveis no polo de reabilitação, que conta ainda com oficina agregada à estrutura e espaços voltados para atividades artísticas e culturais”, destaca a diretora.

DIFERENCIAL – Para a médica, o grande diferencial da assistência do CIIR, que agrega valor ao processo de reabilitação como um todo, é o cuidado centrado no paciente.

“Quando o paciente chega no CIIR, a primeira pergunta que é feita é qual é o seu objetivo ao integrar o CIIR. A partir do objetivo informado, traçamos um plano terapêutico e vamos trabalhar com base no seus objetivos e potencialidades”, ressalta.

Nos últimos dois anos, para melhorar a assistência e reunir o máximo de serviços necessários à assistência prestada pelo CIIR, especialidades médicas foram agregadas às existentes no Centro para diminuir o caminho que os seus usuários fariam, caso tivessem que procurar o atendimento em outros locais da rede. Outra melhoria foi a criação do setor de Arte e Cultura e a realização de esportes adaptados com atividades utilizadas como meio de inclusão. Além disso, nesse período foi implantado o Prontuário Único, onde todas as informações do histórico de atendimento dos usuários permitem uma visão global por parte da equipe multiprofissional, facilitando, dessa forma, a elaboração do Plano Terapêutico Individual, que é traçado levando em consideração a potencialidade e possibilidades de progressão.

Segundo informou Fabrícia Maciel, o plano terapêutico é reavaliado a cada 3 meses, para que seja verificado se houve ganhos com os tratamentos relacionados à reabilitação, e para avaliar a necessidade de reprojetar, replanejar e eleger novas metas, para que a equipe multiprofissional consiga reabilitar o usuário, de modo que ele alcance o seu o seu objetivo inicial.

Reginaldo diz que enfrentou preconceito, mas no CIIR, foi acolhido

PRECONCEITO – Usuário do CIIR, Reginaldo Nascimento, 61, aposentado, trabalhou numa rede de supermercados por 28 anos. Por se diabético e sedentário, teve a cicatrização de uma ferida no pé esquerdo dificultada ao ponto de culminar com a sua amputação. Passados 5 anos, o aposentado relata que os primeiros impactos aconteceram quando ele precisou fazer exercícios físicos em uma academia.

“Senti o preconceito das pessoas, os olhares estranhos. No transporte público não foi diferente, as olhavam para a minha deficiência e não se sensibilizavam; fingiam que estavam dormindo para não ceder o assento. Uma verdadeira falta de conscientização”, descreve. “Mas ao chegar no CIIR, fui muito bem atendido; eu fui tratado de forma igual como todos são tratados. Sou sempre muito bem recebido no Centro por todos, dos porteiros aos terapeutas”, acrescenta o usuário.

Reginaldo está sendo reabilitado no CIIR há um ano e meio. Chegou na cadeira rodas e passou por todos os processos, como andador; agora está em fase de adaptação da prótese feita na oficina do CIIR. Atualmente, Reginaldo faz parte do projeto de canoagem “Meninos do Rio”, projeto de inclusão que acrescentou qualidade de vida ao usuário.

“O CIIR é um lugar muito transformador, com muitas histórias de superação. E é transformador também a quem trabalha no Centro. Temos uma equipe muito motivada por todas essas lindas histórias de superação. Quando falamos sobre a luta das Pessoas com Deficiência, sabemos que existem as leis que garantem direitos e acessos e somos sensíveis à causa. No centro, temos um projeto de empregabilidade para facilitar a inserção ao mercado de trabalho, ofereceremos curso de Libras para todos os colaboradores; participamos ativamente da rede de conversas e de apoio à luta das Pessoas com Deficiência  para fomentar a inclusão e oferecer o melhor possível quanto à  reabilitação e qualidade dessas pessoas, que precisam tanto do apoio de todos”, conclui Fabrícia Maciel.

PROGRAMAÇÃO – A semana de luta das pessoas com deficiência será aberta nesta segunda-feira, 21, com Roda de conversa e depoimento de usuários, das 10h30 às 15h. No dia 22, haverá sessão de cinema, com curta-metragem e depoimento de usuários.

Já no dia 23, será realizada nova Roda de Conversa com usuários e acompanhantes. No dia 24 haverá sessão de Cinema com curta-metragem e depoimentos.

Todas as atividades se iniciam a partir das 10h30 e serão finalizadas às 15h, exceto o encerramento, na sexta-feira, 25, com apresentação da arte cultura, danças e cortejos junto aos usuários, às 15h.

O CENTRO – Administrado pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa), o CIIR presta assistência a deficientes físicos, visuais, intelectuais e auditivos. O centro se diferencia por reunir, em um único local, o atendimento de todas essas deficiências.

O complexo é formado pelo Centro Especializado em Reabilitação; por uma oficina ortopédica para confecção e manutenção de próteses e órteses e Centro de Especialidades Odontológicas. A reabilitação das PcDs inclui atividades de lazer, artística, cênica e educação em saúde, com o diferencial de uma biblioteca para Braille e Libras (Língua Brasileira de Sinais). Isso também vale para os familiares e/ou acompanhantes.

ATENDIMENTO – Os usuários podem ter acesso aos serviços por meio de encaminhamento das Unidades de Saúde, via Central de Regulação de cada município, que por sua vez encaminhará à regulação Estadual, onde o pedido será analisado conforme o perfil do usuário, através do Sistema de Regulação -SISREG. É importante ressaltar que não há atendimento espontâneo ou qualquer tipo de inscrição ou cadastramento no CIIR.

Serviço: O CIIR funciona em um prédio na Rodovia Arthur Bernardes, 1000. Mais informações: 4042-2157/58/59.

Texto: Thalita Garcia e Joelza Silva/CIIR

Fotos: Ascom/CIIR

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