“Eu sou um milagre”, diz paciente após se recuperar da Covid-19 no Hospital de Campanha do Hangar

Paciente Bienor Cunha

Aos 55 anos, o comerciante Bienor Cunha de Souza acredita ter passado pelo pior momento de sua vida depois de desacreditar da gravidade do novo coronavírus e evitar o uso de máscara. Após ser contaminado, ele precisou ser internado no Hospital de Campanha do Hangar, em Belém, e lutou contra a Covid-19 por cerca de dois meses.

Em estado grave e com 75% do pulmão comprometido, Bienor precisou passar por diversos procedimentos na unidade. Com entrada no hospital no dia 26 de abril, o tratamento envolveu intubação e internação na UTI. Enquanto o comerciante lutava pela vida, sua esposa acompanhava diariamente as notícias do boletim médico.

“Nós temos um pequeno comércio, as pessoas frequentam lá, entram sem máscara. Ele negava, achava que nunca aconteceria nada com ele”, comenta a esposa, Maywmy Araújo, de 33 anos.

Para Bruno Oliveira, médico intensivista do Hospital de Campanha, negar a doença ainda faz parte da realidade de muitas pessoas, mesmo após quase dois anos de pandemia. “Infelizmente, muitos pacientes não acreditam na existência do vírus. Essas atitudes acabam tornando essas pessoas mais suscetíveis à contaminação”, explica.

Recuperação – Após se recuperar da doença, Bienor recebeu alta médica nesta terça-feira (15). Durante a saída do Hospital de Campanha, ele chorava por ter sobrevivido e por poder reencontrar a família, que o aguardava com cartazes comemorando a sua luta e vitória.

“Acreditem, a doença é real. Eu estava ótimo e adoeci muito rápido. Antes eu desacreditava e negava essa doença, relutava em usar máscara e até álcool em gel”, diz o comerciante, que acredita ter recebido uma nova chance. “Eu sou um milagre”, completa.

A esposa de Bienor reforça a opinião do marido. Com um cartaz na mão, Maywmy tentava expressar o sentimento de gratidão e alegria pela recuperação do companheiro. “Não só ele ou eu, mas todos da família sabem que ele vivenciou um milagre. Somos muito gratos aos profissionais que atuam aqui no Hangar”.

O Hospital de Campanha do Hangar é uma unidade criada pelo governo do Pará, referência no tratamento exclusivo dos casos de Covid-19: quase sete mil pacientes já foram atendidos na unidade e mais de quatro mil saíram recuperados da doença. Com 220 leitos, entre clínicos e de UTI, é o maior hospital no tratamento do novo coronavírus no Pará.

Paciente Ediberto Franco reencontrando o filho

Reencontros – Um outro paciente que também recebeu alta no dia 15 de junho foi o autônomo Ediberto Franco, de 47 anos. Ele ficou internado por 11 dias, mas não esconde o medo que sentiu da doença. “Eu tive muito medo de morrer e não resistir, mas o tratamento foi excelente. Concluí e saio daqui com vida”, diz.

Ediberto não precisou ser intubado e agradece aos profissionais de saúde do Hospital de Campanha pela recuperação. “Graças a Deus e a esses profissionais. Se eu pudesse daria um presente para cada um que cuidou tão bem de mim aqui dentro. Não tenho palavras”.

Na saída do hospital, o reencontro foi com o filho Edivander Salomão, de 25 anos. Mesmo morando em outro estado, o jovem fez questão de buscar o pai e levá-lo para casa, em Belém.

“Estar aqui hoje é de um significado enorme. Vim comemorar a vitória do meu pai amado. Estar longe nesse processo de internação só não foi pior porque nós sempre recebemos os boletins médicos e isso acalmava a gente porque entendíamos que ali havia um cuidado em repassar as informações para a família”, conta.

Para Bárbara Freire, médica e diretora Técnica do Hospital de Campanha do Hangar, as lutas são diárias na unidade, porém, a equipe assistencial mantém o foco no atendimento e atua para que mais famílias possam se reencontrar ao fim do tratamento.

“Atuamos para proporcionar uma experiência positiva aos nossos pacientes, mesmo diante de uma doença grave. Lutamos todos os dias para que essas histórias e vitórias continuem”, finaliza.

Texto: Alberto Dergan/HCH
Fotos: Ascom/HCH

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