Famílias celebram Festival de Tealentos, que aumenta a autoestima de jovens com autismo

A produção de animes de Gabriel dos Santos, que estuda Robótica e Informática e quer aprender japonês para poder fazer intercâmbio

A campanha Abril Azul é dedicada à conscientização sobre o autismo e a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) desenvolve uma série de ações para fortalecer e valorizar pessoas com Transtorno do Espectro Austista (TEA).  O Festival Tealentos, ocorrido no último final de semana, foi uma amostra das habilidades e potencialidades de jovens com autismo e, ainda, um incentivo para a caminhada individual e coletiva do mundo azul.

Por meio da Coordenação Estadual de Políticas para o Autismo (Cepa), o Governo do Pará vem colocando o Estado em destaque. Entre as ações, o Festival Tealentos se revelou para além de um espaço de visibilidade artística, fazendo a diferença no cotidiano dos jovens e das suas famílias.

“O retorno do Festival é absolutamente positivo não só dos participantes como dos seus familiares; da equipe técnica; enfim do público em geral. Todos gratos e felizes e ainda muito emocionados com esse evento inédito. Para as pessoas com autismo foi um trabalho de autoestima gigantesco, para as famílias um reconhecimento importante, uma mensagem de inclusão importante e para as pessoas que trabalharam no evento um sentimento de gratidão por poder ter vivenciado esse momento”, avaliou a titular da Cepa, Nayara Barbalho.

Gabriel da Silva dos Santos

Gabriel da Silva dos Santos, 12 anos, levou para o palco da Estação Gasômetro suas gravuras de anime, na categoria Artes Visuais. “Agora quero melhorar a técnica, fazer um curso de desenho”, diz o jovem, que também sonha em falar japonês para fazer intercâmbio e já cursa Robótica e Informática.

A apresentação presencial foi um marco para o participante que conquistou mais um passo na socialização. “Ele fala baixo, difícil olhar no olho. Só se manifesta se for algo essencial. Não tem amigos e fica mais em casa, exceto quando vai para as consultas médicas e terapias. Quero parabenizar o evento por trazer autoestima ao meu filho. Ele está mais sorridente, pega o troféu e mostra para as pessoas. Está falando mais um pouco, saindo do quarto. Eu estava muito nervosa, até agora ainda não caiu a ficha que ele conseguiu realizar o primeiro sonho dele. É muito importante”, enfatiza Luciane Veiga da Silva, mãe do Gabriel e de outro menino com autismo, de 8 anos.

DANÇA – Júlia Eduarda da Gama Neves, 18 anos, fez uma apresentação de dança diretamente de Castanhal, no nordeste paraense, encerrando o festival. Aliando o basquete e o balé, a cestinha mostrou suas habilidades com a bola laranja. “Ela teve o incentivo do esporte desde criancinha para trabalhar a coordenação motora. Estamos em isolamento, prepararei um quarto, fizemos aquele estúdio para gravar o vídeo. Durante o evento, ela vibrou muito ao ver os colegas de terapia, ela é acompanhada pelo CIIR (Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação)”, conta a avó tutora Maria José Neves.

A paisagista de 68 anos conta que teve de desacelerar o trabalho autônomo para cuidar da neta. “Essas brechas eu vejo para inserir nossos adolescentes nessa outra visão, já que a escola ainda não tem esse feeling para enxergar o que eles são capazes. Em 10 anos que ela estudou não tiveram essa habilidade, a inclusão”, pontua a avó.

Iniciativas como o Festival são importantes não apenas para os participantes, como também para seus familiares. “Dá mais coragem, força e um passo mais à frente para o mundo dela. Não estou sonhando. Eu sou mortal, quero deixá-la sabendo o que quer e como pedir. É uma batalha e não pode desistir. Na minha ausência vou deixar uma árvore, uma semente”, pondera a responsável.

AGENDA – Dando continuidade à programação do Abril Azul, nesta sexta-feira (23) se inicia o ‘Pará ConTEA: I Congresso sobre Transtorno do Espectro Autista’. O evento ocorrerá de forma virtual e segue até sábado (24), com transmissão ao vivo pelo YouTube do Governo do Pará. A atividade tem o objetivo de disseminar o conhecimento sobre o autismo, com base nas práticas com evidências científicas, além de favorecer o intercâmbio científico em diferentes áreas, como saúde, educação, trabalho, assistência social e direitos.

Texto: Dayane Baía/Secom
Fotos: Alex Ribeiro/Ag. Pará 

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