Governo institui 19 de março como Dia Estadual em Memória das vítimas da pandemia do coronavírus

Governo institui 19 de março como Dia Estadual em Memória das vítimas da pandemia do coronavírus

30 de junho de 2021 Off Por Roberta Vilanova

Três meses após a perda do pai, Francisco Sérgio, o que resta para a nutricionista Paula Fernanda são as lembranças e a saudade

A edição desta quarta-feira (30) do Diário Oficial do Estado (DOE) traz sancionada a lei 9.284, que institui o “Dia Estadual em Memória das Pessoas que faleceram em decorrência da COVID-19 durante a pandemia do coronavírus”, a ser lembrado, anualmente, no dia 19 de março, data em que foi registrada a primeira morte em decorrência da contaminação pela doença no Pará. A proposição foi aprovada pela Assembleia Legislativa (Alepa) e sancionada pelo governador Helder Barbalho, e a data passa a fazer parte do calendário oficial de eventos.

O pai da nutricionista Paula Fernanda de Souza, 25 anos, foi uma das milhares de pessoas que serão lembrados como vítimas da pandemia. O analista financeiro Francisco Sérgio Sales Andrade, de 61 anos, faleceu em março deste ano, e a filha admite que é muito difícil até mesmo falar sobre o luto, principalmente em meio a um cenário pandêmico de fim ainda incerto.

“Perdi meu pai há exatos três meses, e por mais que a dor seja enorme, é o que aos poucos vai sendo transformada em força para que continuemos honrando não só a nossa trajetória, mas também a da pessoa que partiu. É extremamente revoltante que estejamos falando sobre mortes evitáveis desde o início dessa crise sanitária enfrentada por nós. Ao mesmo tempo, é reconfortante que tenhamos um governador humano e comprometido com a população”, reconhece a nutricionista.

A proposição parlamentar tem objetivo não apenas de destacar a lembrança desse período doloroso, mas de propor reflexão a fim de que escolhas mais seguras sejam feitas futuramente, seja no planejamento público, seja em termos de empatia e solidariedade diante de momentos de crise.

“O dia instituído para lembrarmos das pessoas que faleceram devido à pandemia é uma maneira de homenagearmos todos os paraenses que sempre ficarão em nossa memória e em nossos sentimentos, motivando esforço e perseverança para superarmos esse cenário tão difícil para o nosso povo e continuarmos vigilantes pela saúde pública do Estado”, atenta o titular da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), Rômulo Rodovalho.

Afonso Henrique relembra a presença do pai, Ermenegildo Silva (2a pessoa em pé à esquerda), em momentos especiais, como na celebração do casamento dele

O auxiliar de escritório Afonso Henrique Silva, 30 anos, perdeu o pai em um dos piores momentos da pandemia, em abril de 2020. Ermenegildo Silva, tinha 53 anos e fazia parte do dito “grupo de risco”. O quadro evoluiu muito rápido, e por se tratar de um momento crítico na saúde pública, em que não havia leitos disponíveis nem nas enfermarias, o pai de Afonso, quando conseguiu internação, foi admitido na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Icuí-Guajará, em estado avançado de insuficiência respiratória, e não resistiu.

“Foi tanta dor e revolta com tudo… o medo das pessoas sem ter informação segura. Vendo nossa atual situação, avançada em recursos e informação, a esperança renasce e a certeza de que dias melhores virão é real. Ter um dia para lembrar de tantas vítimas traz conforto. Essas pessoas não podem ser esquecidas, nada disso pode ser esquecido”, analisa.

Texto: Carol Menezes/Secom
Fotos: Divulgação