HOL oferta atendimento para pacientes com sintomas neurológicos pós-Covid

O diretor-geral do HOL, Joel de Jesus, reuniu com a equipe de neurologistas composta por Lucas Freitas, Aline de Souza, Hideraldo Cabeça, além de médicos residentes da área especializada

Ainda existem muitas dúvidas em relação à Covid-19, contudo sabe-se que os sintomas ocasionados pelo novo coronavírus vão muito além da dor de garganta, febre e tosse seca e que podem surgir desde aqueles assintomáticos até pacientes com quadro respiratório grave. Estudos realizados no Brasil e no mundo apontam que a doença infecciosa pode provocar também alterações no campo neurológico, tanto na fase aguda quanto na fase posterior à infecção.

De um modo geral, aproximadamente 80% da população que é acometida pelo novo coronavírus apresenta sintomas leves, segundo a Organização Mundial de Saúde. Ao todo são sete coronavírus que afetam os humanos, dentre os quais os coronavírus antigos que causam quadros respiratórios mais leves e, no entanto, já comprometiam o sistema nervoso, sendo as alterações mais comuns a perda do olfato e do paladar. Entretanto, as manifestações ocasionadas pelo SARS-CoV-2 podem ocasionar danos cognitivos, fraqueza muscular, parestesia (sensação de dormência ou formigamento de alguma parte do corpo), encefalomielite e outras queixas importantes.

Em Belém, o Hospital Ophir Loyola oferta atendimento especializado para pacientes com manifestações neurológicas e, neste momento de pandemia, foi criado um ambulatório destinado à avaliação de pacientes com manifestações neurológicas ocasionadas pelo novo coronavírus. Trata-se de um ambulatório de triagem a fim de identificar eventos neurológicos associados com a infecção por SARS-CoV-2.

O diretor-geral do HOL, Joel de Jesus, reuniu com a equipe de neurologistas, Lucas Freitas, Aline de Souza, Hideraldo Cabeça, além de médicos residentes da área especializada, estabelecendo os parâmetros para a atividade que iniciou na última sexta-feira (8).

O coordenador do Serviço de Neurologia, Hideraldo Cabeça, explica que o hospital dispõe de subespecialidades dentro da área neurológica, como distúrbio do movimento, doenças desmielinizantes, epilepsia, doenças cerebrovasculares, alterações do sono, entre outras.

“Caso seja identificado indivíduo com o perfil do novo ambulatório, ele será direcionado a uma das subespecialidades da neurologia e receberá todo o suporte necessário na investigação e acompanhamento destas alterações, como consulta médica, avaliação neuropsicológica, exames de imagem e laboratoriais, conforme a necessidade específica de cada um”, informa o especialista.

Ainda não se sabe ao certo o mecanismo de envolvimento neurológico, provavelmente o vírus SARS-CoV-2 alcança o cérebro sendo conduzido pelo sangue ou através de terminações nervosas na cavidade nasal. Os danos cerebrais, quando presentes, em pessoas infectadas pelo coronavírus são causados, principalmente, por processos desencadeados pela reação do organismo à presença do vírus, como inflamação, sangramento e formação de trombos.

Segundo Hideraldo, a equipe de neurologia do hospital já recebeu pacientes com queixas relacionadas à memória, ao sono, ao distúrbio da marcha, alterações sensitivas, dor de cabeça, doença vascular cerebral, perda de olfato e paladar mantidas por tempo variável e outras manifestações clínicas ainda em avaliação pelo grupo de especialistas.

“A ideia é identificar corretamente essas manifestações clínicas, realizar a investigação adequada e proporcionar tratamento pertinente ao paciente. O ambulatório funcionará por meio de referência/contrarreferência a partir dos encaminhamentos dos usuários do SUS com manifestação e história clínica compatível, encaminhados pela regulação ao serviço de triagem ambulatorial neurológica do Hospital”, afirmou Cabeça.

Texto: Leila Crus/HOL

Fotos: Ascom/HOL

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