Humanização garante mais conforto aos prematuros e seus familiares

Novembro é o mês dedicado à conscientização sobre os riscos da prematuridade. Bebês que nascem com uma idade gestacional inferior a 37 semanas são considerados prematuros e representam 11,7% do total dos nascimentos no Brasil, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A experiência de ser mãe e pai de prematuro é, para muitas famílias, desafiadora. Nos casos em que o bebê necessita de internação hospitalar, devido a baixo peso, doença ou alguma intercorrência após o nascimento, a mãe precisa se adaptar a uma rotina ainda desconhecida e com novos sentimentos.

Vida plantada – Em Barcarena, o Hospital Materno-Infantil Dra. Anna Turan criou o projeto humanizado “Semente do Amor”, destinado a mães de recém-nascidos (RN) internados que pesam menos de 1kg. “Elas se sentem estressadas e entristecidas pois seus bebês, tão idealizados, não alcançaram o tempo adequado de nascimento. Elas passam a cuidar de uma planta enquanto o seu RN está sendo cuidado por toda uma equipe do Hospital Materno-Infantil desta forma, ela consegue fazer o cuidado a uma semente bem como o seu RN de maneira mais tranquila”, explica a diretora hospitalar da unidade, Mary Mello.

Para Wanessa dos Santos, mãe do Samuel Lucas, bebê que nasceu aos seis meses da gestação, ser mãe de um prematuro extremo foi uma surpresa. “Ele nasceu com apenas 875 gramas. Eu não estava preparada, foi de repente. Agora, o cuidado é diário para que ele ganhe peso e se recupere logo”, conta a dona de casa que mora em Baião, na região Tocantins.

Além de trazer benefícios para mãe e bebê, a proposta fortalece a preservação do meio ambiente. “Projetos como o Semente do Amor entre outros que nós executamos no Materno-Infantil trazem a oportunidade de um melhor acolhimento porque sabemos que hoje os familiares não estão apenas acompanhando o bebê, eles fazem parte do tratamento. Essa mãe vai oferecer o colo para o bebê quando ele tiver o peso adequado para fazer um procedimento chamado método Canguru. Então ela precisa estar bem para poder cuidar bem também com toda a equipe”, acrescentou Mary.

Ensaio fotográfico – Para celebrar o Novembro Roxo, cor das ações preventivas sobre a prematuridade, o Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), transformou a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTI Neonatal) em estúdio e os bebês e suas mamães em modelos, em Santarém.

Fernanda Silveira é mãe da pequena Maria Francisca, que nasceu com 32 semanas e pesando 1,835 kg. “É fundamental que as mamães façam acompanhamento no pré-natal para prevenir a prematuridade. Minha bebê entrou aqui entubada e, graças a Deus e aos profissionais do hospital, se recuperou bem rápido”, conta a mãe da bebê que logo recebeu alta.

O diretor hospitalar da unidade, Hebert Moreschi, explica que ações como essa são importantes para os resultados do hospital. “Nós sabemos que, além de uma assistência segura e de qualidade resolutiva, o fator humano é fundamental. O relacionamento de confiança estabelecido entre a família, as mães principalmente e a equipe multiprofissional do Hospital é fundamental para o resultado do tratamento, por isso esses projetos são importantes e incentivados pelo nosso hospital. Nossa missão é atender nossos pacientes com qualidade e segurança, mas acima de tudo com humanização”, destacou Hebert.

Durante os registros fotográficos, a equipe multiprofissional do hospital deu apoio à ação, seguindo todos os protocolos de segurança. O método Canguru, posição que consiste em manter o recém-nascido de baixo peso em contato pele a pele, na posição vertical, junto ao peito dos pais, foi priorizado.

Os cliques buscaram retratar a importância desse contato, que é essencial para o fortalecimento do vínculo afetivo entre mãe e bebê.

Referência – O Pará é referência em atendimento materno através do método Canguru e tem a Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará como uma das instituições pioneira, no norte do país.

Três etapas integram a metodologia de atenção humanizada no atendimento ao recém-nascido de baixo peso. A primeira delas é a identificação e orientações das gestantes com risco de parto prematuro, passando pelo estímulo ao contato pele a pele e estímulo à lactação.

A segunda etapa é quando os bebês ganham peso e a posição canguru pode ser realizada pelo período que for considerado seguro e agradável. Já a terceira se refere ao momento de desospitalização do bebê, onde ele vai para casa e a maternidade e as unidades básicas de saúde ficam responsáveis por acompanhar a evolução da criança até atingir 2,5kg e passa a ser atendida pela rede de saúde.

Texto: Dayane Baía/Secom

Fotos: Karlinho Siqueira

 

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