“Janeiro Branco” chama a atenção para os cuidados com a saúde mental

Dr. Maria José Leão Lima e Fabia Bastos mãe de uma paciente

Cuidar da Mente é cuidar da vida” é o tema da Campanha Janeiro Branco deste ano, a ser realizada pela Secretaria de Estado de Saúde Pública, na segunda quinzena de janeiro.
A finalidade é sensibilizar a sociedade sobre a importância da promoção e proteção da saúde mental, assim como informar a população sobre o funcionamento da Rede de Atenção Psicossocial, que é aquela voltada ao cuidado de saúde das pessoas com sofrimento ou transtorno mental, incluindo aquelas com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema único de Saúde (SUS).
Segundo a coordenadora estadual de Saúde Mental, Ilda Morais, o Janeiro Branco foi idealizado em 2014 por um grupo de psicólogos do município mineiro de Uberlândia, preocupados com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) que apontavam um aumento significativo das doenças mentais. “O mês de janeiro foi escolhido para a campanha em função da grande expectativa que as pessoas criam em relação à chegada de um novo ano”, informou.
Assim, o objetivo é estimular que as pessoas comecem a fortalecer os cuidados com a sua saúde mental, recebendo esclarecimentos e sendo conscientizadas sobre a necessidade de promover o seu bem-estar físico, social e mental, e de se prevenir das doenças mentais. “ E, considerando a pandemia de Covid-19, que afetou emocionalmente grande parte da população por conta do isolamento e distanciamento sociais, torna-se fundamental, neste ano, uma atenção maior à saúde mental da população”, comentou Ilda Morais.
Programação – Como ainda não é possível realizar atividades presenciais com grande número de pessoas, por conta da aglomeração, o tema “Cuidar da Mente é cuidar da vida” será abordado em duas lives destinadas exclusivamente a profissionais de saúde e palestras educativas durante as ações do Programa Territórios da Paz (TerPaz).
A primeira live será dia 22 de janeiro, às 10h, por meio do Google Meet, com o subtema “Depressão no contexto intra e extra familiar em tempos de pandemia de Covid-19”. E a segunda, no dia 29 de janeiro, às 10h, também pelo Google Meet, abordando o subtema “Saúde Mental e Trabalho”.
Já as palestras para a comunidade acontecerão nas escolas, abordando o mesmo subtema da primeira live “Depressão no contexto intra e extra familiar em tempos de pandemia de Covid-19”.

Atendimento – A RAPS, cujas diretrizes e estratégias de atuação envolvem as três esferas de governo, é composta pela Atenção Básica de Saúde, Atenção Psicossocial, Atenção de Urgência e Emergência, Atenção Residencial de Caráter Transitório, Atenção Hospitalar e Estratégias de Reabilitação Psicossocial.
A porta de entrada do SUS é a Unidade Básica de Saúde, portanto, o usuário em sofrimento mental pode ir primeiramente lá. “Mas também pode ir diretamente ao CAPS, que representa o cuidado especializado com equipe multidisciplinar capacitada para acolher toda a demanda de Saúde Mental e fazer os encaminhamentos que forem necessários, pois a RAPS oferece diversos níveis de atenção ao usuário”, explicou Ilda Morais.
Porém, se estiver em crise, o usuário pode ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192), levado a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h) ou a um serviço de emergência psiquiátrica, como o Hospital de Clínicas Gaspar Vianna. “Esse fluxo pode ocorrer por meio de demanda espontânea ou referenciada de outros serviços de saúde, tais como Atenção Básica, Estratégia Saúde da Família, Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) etc.
Estatística – Segundo Ilda Morais, conforme dados levantados preliminarmente junto aos CAPSs, os distúrbios mentais mais frequentes são transtorno de ansiedade, depressão, bipolaridade e risco de suicídio, além de Transtorno Compulsivo Obsessivo (TOC).
No que tange às internações, de acordo com o Datasus, o Pará registrou 2.967 internações por transtornos mentais e comportamentais de janeiro a dezembro de 2019 e 2.647 internações de janeiro a outubro de 2020, por isso é fundamental a promoção da saúde mental e prevenção das doenças mentais.
Diante desse quadro, Ilda Morais aponta como principais medidas preventivas o autocuidado, a interação social, o compartilhamento de momentos e sentimentos com outras pessoas de confiança, a construção e ofortalecimento dos vínculos afetivos e sociais. “Em casos mais graves, a orientamos a busca de ajuda especializada junto aos Centros de Atenção Psicossocial”, observou.
Ela ressaltou, por fim, que, no âmbito do SUS, a missão da Sespa, por meio da Coordenação Estadual de Saúde Mental, é fomentar e assessorar a Política Pública de Saúde Mental junto aos municípios paraenses, conforme as diretrizes da Política Nacional de Saúde Mental (Lei 10.216/2001). “No entanto, além de diversos CAPSs instalados em todos os municípios, a população conta com seis CAPSs sob a gestão estadual, localizados em Belém e Santarém”, informou.
Serviço: Conheça os CAPSs estaduais:
1 – CAPS Icoaraci (Caps I): Rua Monsenhor Azevedo, 237 (entre Passagem Maguari e Lopo de Castro), Campina de Icoaraci. Telefone: (91) 3227-9137. E-mail: capsicoaraci@ibete.com.br
2. CAPS Amazônia (CAPS I): Passagem Dalva, 377, Marambaia. Telefone: 3231-2599/ 3238-0511. E-mail: capsam.sespa@outlook.com
3. CAPS Renascer (CAPS III): Travessa Mauriti, 2179, entre avenidas Duque de Caxias e Visconde de Inhaúma, Pedreira. Telefone: (91) 3276-3448. E-mail: capsrenascer@yahoo.com.br
4. CAPS Grão Pará (Caps III): Rua dos Tamoios, 1840, Batista Campos. Telefone: (91) 3269-6732. E-mail: capsgraopara@yahoo.com.br
5. CAPS Marajoara (CAPS ad III): Conjunto Cohab, Gleba I, WE 2, 451- Nova Marambaia. Telefone: (91) 32360399. E-mail: capsmarajoara@gmail.com
6. CAPS Santarém (CAPS ad III): Travessa Dom Amando, Santa Clara, Santarém. Telefone: (93) 3523-1939.

Texto: Roberta Vilanova/Sespa

Foto: Bruno Cecim/Ag. Pará

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