Jean Bitar capacita colaboradores para acolhimento humanizado a pacientes transgêneros

Hospital Jean Bitar iniciou nesta segunda-feira (21) capacitação de colaboradores sobre acolhimento humanizado a paciente transgênero

O Hospital Jean Bitar (HJB) iniciou, nesta segunda-feira (21), a semana de treinamentos a todos os seus colaboradores para capacitá-los quanto ao acolhimento humanizado ao paciente transgênero. Até o dia 24, quando o treinamento for finalizado, serão treinadas 16 turmas, para que 100% dos profissionais sejam capacitados.

O HJB foi designado em 2017 para atender pessoas que apresentam disforia ou incongruência de gênero, e, desde então, promove esse tipo de treinamento para preparar os profissionais da unidade para um acolhimento humanizado a esses pacientes, conforme preconiza a Política Nacional de Humanização (PNH) do Ministério da Saúde (MS).

O acolhimento é uma diretriz da PNH reservada a todos os usuários, independentemente das necessidades de saúde. Não tem hora certa e nem um profissional específico para aplicá-la, já que integra todas as etapas do atendimento e todos os profissionais devem estar aptos a realizá-lo.

Além de gerar conhecimentos sobre temas relacionados à identidade de gênero, o treinamento reforça a sensibilização para estimular os colaboradores a se reportarem a pacientes transgêneros, respeitando o nome pelo qual se autoidentificam e mostrando o quanto é importante que os profissionais se refiram ao pacientes conforme a identidade de gênero definida por eles.

“Com o treinamento, queremos reforçar que é essencial que os nossos colaboradores desenvolvam o respeito e a empatia no que se refere ao reconhecimento do direito à orientação sexual e à identidade de gênero de todas as pessoas”,  destaca o coordenador da Divisão de Ensino e Pesquisa e do Núcleo de Educação Permanente, Sandro Mendes, referência Técnica em Humanização do HJB.

AMBULATÓRIO

O Ambulatório de Transgêneros do hospital Jean Bitar foi designado em 2017 para atender pessoas que apresentam disforia ou incongruência de gênero e, atualmente, possui 33 pacientes transgêneros.

Em 2019, a unidade fez a primeira cirurgia do Processo Transexualizador do Sistema Único de Saúde (SUS), em um hospital público do Norte do País. O procedimento foi uma mastectomia (retirada de mama) de um homem transgênero. Daquele ano até hoje, já houve 44 cirurgias.

O Ministério da Saúde (MS) redefiniu e ampliou o Processo Transexualizador do Sistema Único de Saúde – SUS, por meio da Portaria nº 2.803 publicada em 19 novembro de 2013, com o objetivo de atender as pessoas que sofrem com a incompatibilidade de identidade de gênero (masculino ou feminino).

Segundo o MS, a assistência à população trans é estruturada pela Atenção Básica e a Atenção Especializada.

A básica refere-se à rede responsável pelo primeiro contato com o sistema de saúde, pelas avaliações médicas e encaminhamentos para tratamentos e áreas médicas mais específicas e individualizadas.

A especializada é dividida em duas modalidades: a ambulatorial (acompanhamento psicoterápico e hormonioterapia) e a hospitalar (realização de cirurgias e acompanhamento pré e pós-operatório).

Conforme informou Flávia Cunha, doutora em Distúrbios do Desenvolvimento Sexual (DDS) e Disforia de Gênero pela Universidade de São Paulo (USP), coordenadora do Ambulatório de Transgêneros do HJB, os pacientes que precisam do atendimento pelo SUS no Pará, contam, inicialmente, com a assistência de equipe multidisciplinar na Unidade de Referência Especializada em Doenças Infecciosas e Parasitárias Especiais (UREDIPE), que inclui serviço social, psicologia, endocrinologia, fonoaudiologia e nutrição e, após acompanhamento com tempo mínimo de 2 anos, são encaminhados ao HJB para serem preparados por equipe multidisciplinar  para os procedimentos cirúrgicos necessários.

Os procedimentos realizados HJB em pacientes transgêneros são a pan-histerectomia, que é a retirada de útero, ovários e trompas, e a retirada de mamas (mastectomia) – nos homens trans. Além de colocação de prótese mamária de silicone nas mulheres trans. A realização dos procedimentos cirúrgicos segue a ordem de entrada dos pacientes no programa da UREDIPE.

Texto: Joelza Silva/HJB

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