Música, aroma e assistência de fisioterapeuta humanizam o parto no ‘Abelardo Santos’

Música, aroma e assistência de fisioterapeuta humanizam o parto no ‘Abelardo Santos’

11 de outubro de 2021 Off Por Roberta Vilanova

Kamilly Alves, 33 anos, teve o segundo filho, Romeo, em setembro passado, ao som da música Odara, de Caetano Veloso

“Eu me senti tão tranquila e segura. Tinha um ambiente adequado, com instrumentos que favoreciam a execução de exercícios que me ajudaram naquele momento. A aromaterapia, deixando um cheirinho de lavanda extremamente aconchegante, e a musicoterapia tocando uma playlist muito especial, que eu havia escolhido. Foi ótimo!”. O relato da professora Kamilly Alves, 33 anos, é do parto do segundo filho, Romeo, em setembro passado, ao som da música “Odara”, de Caetano Veloso, no Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), em Icoaraci, distrito de Belém.

Para a paciente, a proposta oferecida na unidade – atualmente a segunda maior maternidade do Estado do Pará -, foi um diferencial dentro da rede de saúde pública. “O acompanhamento da fisioterapeuta (pélvica e obstétrica) durante o trabalho de parto foi essencial para mim. Ela me ajudou muito a manter a calma necessária para aquele momento. Eu e o Máximo (marido) trabalhamos juntos nos exercícios de agachamento, com bola e bolsa de água quente”, contou.

“Meu plano de parto foi respeitado do início ao fim. Nada de toques e intervenções desnecessárias; tudo tranquilo. A equipe está de parabéns”, ressaltou Kamilly Alves.

Conscientização – A partir deste semestre, foi inserida no quadro de profissionais da obstetrícia do HRAS a presença de fisioterapeutas, responsáveis por contribuir na amenização de desconforto das mães até a chegada do bebê, além de ajudá-las a ter consciência do próprio corpo.

A atuação de fisioterapeutas nos partos é preconizada na Escala Visual Analógica (EVA), a qual consiste em escore de aferição da intensidade de dor pelo paciente. A pontuação segue a linha de 0 a 10, no nível de dor máxima suportável pelo paciente. Cada numeração equivale aos exercícios aplicados no momento do parto.

Fisioterapeuta pélvica e obstétrica, Rayane Carpina explicou que a fisioterapia atua desde a triagem obstétrica até o momento em que a paciente dá à luz. Durante esse processo são trabalhados exercícios respiratórios, de contração, relaxamento e mobilização pélvica, entre outros. “Nesse momento, temos a mãe como protagonista. Então, só é feito o que ela permite e no momento que se sente mais confortável”, enfatizou.

Sem traumas – De junho a setembro, 397 partos humanizados realizados no HRAS contaram com a atuação do Serviço de Fisioterapia, composto por duas profissionais que atuam todos os dias, das 7 às 19 h. “Esse acompanhamento traz benefícios para a mãe, como relaxamento pélvico, diminuição da dor e evitando traumas. Para o bebê, essa assistência é muito importante no caso de intercorrências respiratórias”, explicou o responsável técnico de Fisioterapia, Axell Lins.

Além do fisioterapeuta, a equipe multiprofissional é composta por médico, enfermeira e técnico em enfermagem.

A universitária Amanda Loureiro, 26 anos, também destacou a estrutura do Hospital e a eficiência da equipe que lhe ajudou a trazer o primeiro filho, Humberto, ao mundo. “Quando, finalmente, chegou a hora, teve música, bola de pilates, dança e aromatizador, tudo para que o meu bebê chegasse aos meus braços bem. Deus me deu uma equipe incrível. Foi lindo demais”, disse Amanda, emocionada.

Infraestrutura – O diretor executivo do HRAS, Marcos Silveira, frisou que a unidade de saúde é referência no atendimento obstétrico na Rede Estadual de Saúde Pública por abrigar uma infraestrutura completa no acolhimento às gestantes. São cinco salas de pré-parto, parto e pós-parto (PPPs), sendo uma delas estruturada com uma banheira exclusiva aos procedimentos humanizados.

“A maternidade do HRAS mantém atendimento porta-aberta 24 horas, recebendo, diariamente, mulheres de todo o Estado, sobretudo da Região Metropolitana de Belém. Nos últimos três meses de 2021, cerca de 600 bebês nasceram na unidade. Em 2020, foram registrados 2.849. Os números vêm crescendo. Só este ano, até agosto, 2.486 mulheres deram à luz na unidade, totalizando 5.935 atendimentos obstétricos em dois anos”, informou o gestor.

A maternidade prioriza partos naturais, mas caso haja indicação médica, as parturientes passam por cesáreas. “O complexo obstétrico do HRAS é um dos carros-chefes dos serviços prestados na unidade que, atualmente, mantém uma infraestrutura completa para eternizar este momento. Desde março, o setor passa por uma reestruturação paulatina. Assim, gradativamente, o HRAS aumenta o leque de serviços ofertados na obstetrícia”, explicou o titular da Sespa, Rômulo Rodovalho.

Desde março deste ano, a maternidade do HRAS passa por uma restruturação feita pelo governo do Estado. O trabalho segue com o gerenciamento da Organização Social (OS) Instituto Mais Saúde, disponibilizando métodos não farmacológicos para alívio da dor, como banho com água morna, exercícios em bola suíça, barra de ling e musicoterapia.

Texto: Roberta Paraense /HRAS

Fotos: Divulgação