Natea completa primeiro mês com mais de 100 usuários atendidos

Após Belém, Núcleo de Atendimento Transtorno do Espectro Autista (Natea) quer expandir os serviços para os municípios do interior

Em funcionamento desde 15 de janeiro, o Núcleo de Atendimento Transtorno do Espectro Autista (Natea) celebrou o primeiro mês com reconhecimento de qualidade pelos usuários, no Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), em Belém. Focado na Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e em evidências científicas, o espaço oferece serviços multiprofissionais que auxiliam no desenvolvimento de pessoas com autismo.

Marta Maiara Santos é mãe da Ana Alice Santos Silva, de 4 anos de idade. Há dois anos ela já desconfiava do diagnóstico da menina e foi contatada nos primeiros dias de funcionamento do Natea. “Eu não esperava a ligação. Aqui passei pelo psiquiatra que a avaliou como autista e hiperativa. Estamos aqui há duas semanas, iniciou com as consultas e já está tratando. Para mim está sendo gratificante porque eu vejo o desenvolvimento da Ana, trabalhando em casa da minha forma. Então agora com os profissionais eu sei que Ana vai ter um desempenho ainda melhor, queremos que a criança se desenvolva e tenha uma vida independente”, anseia Marta.

O acompanhamento exige a presença física da menina duas vezes por semana e um dia apenas dos pais. “Eu morava no Acará e me mudei para Belém por causa do tratamento dela. Esperei por dois anos essa vaga, eu não podia perder. Não teria como ela tratar e estudar por conta da distância”, acrescenta a mãe.

O Natea oferece atendimento multidisciplinar com aplicação de protocolos com evidências científicas

Para a coordenadora estadual de Políticas para o Autismo, Nayara Barbalho, o próximo passo é expandir o serviço para outros municípios. “Estamos muito felizes com a resposta do público em relação a esse projeto inédito no Pará. Além do Natea do CIIR, nós já estamos com projetos para outros núcleos em municípios do Estado, principalmente porque há uma demanda reprimida, então mesmo com a abertura deste local nós ainda não conseguimos vencer a espera existente. Nós não podemos gerar demanda somente para a capital, precisamos descentralizar o atendimento”, afirmou a coordenadora.

No primeiro mês de funcionamento foram atendidos 100 usuários oriundos do próprio CIIR. A proposta é alcançar 300 usuários de forma gradativa. “Como já existia o atendimento da pessoa com autismo no modelo convencional, primeiro essas pessoas são perguntadas e avaliadas se encaixam nesse perfil de média e alta complexidade”, explicou Nayara reforçando a existência da rede de atendimento que inclui a atenção básica, nas unidades de saúde.

Os sinais do autismo podem iniciar nos primeiros 12 meses de vida da criança e quanto mais rápido for iniciado o tratamento, melhor. “São dificuldades de interação social, apresentação de movimentos repetitivos, por exemplo. Então os pediatras são profissionais que devem identificar os primeiros sinais de atraso e iniciar uma intervenção mesmo que ainda não tenha sido fechado o diagnóstico. Nós temos uma rede de profissionais que deve olhar com atenção a esses primeiros sinais e estão presentes nas unidades básicas”, exemplificou a coordenadora estadual.

O Natea oferece atendimento multidisciplinar com aplicação de protocolos com evidências científicas. Fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, musicoterapeutas, arte-terapeutas e pedagogos trabalham em conjunto a partir da análise comportamental da criança.

“Por exemplo, se ela não consegue se comunicar, trabalhamos esse comportamento para que ela tenha o manejo de forma adequada. Estudamos e analisamos o que precisa ser trabalhado no repertório dela, o foco principal. Tendo essa informação vamos elaborando os programas para fazer com que ela seja independente ao máximo, ao longo da sua vida”, explicou José Alberto Silva do Nascimento, aplicador ABA (do inglês Applied Behavior Analysis ou Análise do Comportamento Aplicada).

Antes do Natea, o atendimento ABA era ofertado apenas na rede particular. “Então estamos com a oportunidade de fazer com que esse trabalho seja colocado dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), é um grande marco para esse desenvolvimento, para o transtorno do espectro como um todo e para essas crianças que também precisam desse atendimento de qualidade”, ponderou a fonoaudióloga Letícia Câmara.

Texto: Dayane Baía/Secom

Fotos: Alex Ribeiro/Ag. Pará

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