Núcleo reforça esperança de famílias pela autonomia de pessoas com autismo

Núcleo reforça esperança de famílias pela autonomia de pessoas com autismo

4 de maio de 2021 Off Por ASCOM

O Núcleo de Atendimento ao Transtorno do Espectro Autista (Natea) iniciou os atendimentos na última sexta-feira (15) como a primeira unidade descentralizada, em Belém, que oferece práticas baseadas em evidências científicas. Parte do Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), o Natea é um reforço à esperança de pais e familiares que sonham com a autonomia dos filhos que sofrem com o transtorno.

“Estamos vivendo um sonho. Já imagino meus filhos criando mais independência. O Núcleo de Atendimento ao Transtorno do Espectro Autista do Governo do Estado renovou as nossas esperanças. Sonho com a Samilly em uma faculdade e com o Kairós tomando banho, se vestindo sozinho e avançando a cada dia mais”, diz, emocionada, Débora Costa, mãe de Samilly, 6 anos, com autismo moderado, e de Kairós, 10 anos, que tem autismo severo. Os dois estão em avaliação inicial no Núcleo.

Entre as técnicas disponíveis, estão a análise do comportamento aplicada (ABA, sigla em inglês), que pela primeira vez será disponibilizada na rede pública de saúde; fonoaudiologia; terapia ocupacional com treino de atividades de lida diária (AVDs); terapia de integração sensorial; musicoterapia, educação física adaptada e arteterapia.

“O Natea representa o início de uma nova era no atendimento de pessoas com autismo no Estado do Pará. Estamos em fase de avaliação das crianças que já eram atendidas no CIIR, na modalidade convencional. Em seguida, iniciaremos a avaliação das pessoas com autismo já encaminhadas pelo Sistema de Regulação da Secretaria de Saúde”, explica Nayara Barbalho, Coordenadora Estadual de Políticas para o Autismo.

O Núcleo não funciona com “porta aberta”. Os usuários têm acesso aos serviços por meio de encaminhamento das Unidades Básica de Saúde (UBS), via Central de Regulação de cada município, que encaminhará à regulação Estadual. O pedido é analisado conforme o perfil do usuário, através do Sistema de Regulação do SUS (SISREG).

Tatiane Carvalho é mãe de Bella Rosa de 5 anos e acredita que o novo Núcleo abre perspectivas promissoras à filha com autismo

A enfermeira Tatiane Carvalho, mãe de Bella Rosa, 5 anos, vê o Natea como um diferencial para o futuro da filha. “Aqui ela conseguirá ter estímulos e acesso a terapias que nunca teve. Eu tenho certeza que esse atendimento vai incentivar mais ainda o desenvolvimento e os aprendizados dela. Estamos muito esperançosos e felizes por ela e por outras pessoas com autismo, que agora têm essa oportunidade maravilhosa”, afirma.

ESPECIALIZAÇÃO

A equipe multiprofissional que atende no Natea passou por treinamentos voltados às terapias fundamentadas em evidências científicas e está preparada para oferecer o manejo necessário e aplicar os programas de maneira contínua, de acordo com as especificidades de cada paciente.

Segundo a psicóloga e supervisora do Natea, Adriane Queiroz, a ideia é que as famílias também aprendam técnicas importantes com os profissionais para potencializar o atendimento também em casa, o que contribui para o desenvolvimento de pessoas com autismo.

“Um atendimento como esse em âmbito privado é extremamente caro e com acesso limitado. Com essa oportunidade, todos que dependem do SUS agora também têm acesso a um serviço especializado e de muita qualidade”, afirma.

A expectativa é de que sejam realizados até 300 atendimentos referenciados por mês, de maneira gradativa, para crianças, adolescentes e adultos.

INTEGRAÇÃO – A Coordenadora Estadual de Políticas para o Autismo reforça que a responsabilidade pela pessoa com autismo é de todos. “Apresentamos o Natea como um modelo que deve ser replicado para outros municípios. As prefeituras devem nos procurar para que a gente apresente o modelo, qualifique as equipes, formalize convênios e juntos possamos replicar o trabalho feito aqui por todo o Estado”, assegura.

O Natea já conta com uma sala de atividades de lida diária, onde crianças autistas até 12 anos aprendem atividades do dia a dia, como lavar louça, se vestir, tomar banho, entre outras. Nayara Barbalho afirma que o Núcleo também contará com um contêiner que simulará uma casa em tamanho real, para ajudar a inserção de jovens e adultos em atividades do cotidiano. Também haverão treinos vocacionais para auxiliar na inclusão no mercado de trabalho.

SERVIÇO : O Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR) funciona em um prédio na rodovia Arthur Bernardes, 1000, ao lado do Hospital Sarah Kubitschek. Mais informações: 4042-2157/58/59.

Texto: Giovanna Abreu/Secom

Fotos: Alex Ribeiro/Ag. Pará