Profissionais do Hospital Regional do Baixo Tocantins são treinados pela Sespa

Trinta profissionais de Enfermagem que atuarão na assistência obstétrica do Hospital Regional do Baixo Tocantins – Santa Rosa, em Abaetetuba, foram treinados pela Sespa com o propósito de estimular a prevenção, o diagnóstico e os cuidados com as principais emergências obstétricas.

Com foco na redução dos óbitos maternos no Pará, 30 profissionais de Enfermagem que atuarão na assistência obstétrica do Hospital Regional do Baixo Tocantins – Santa Rosa, em Abaetetuba, foram treinados nesta quarta-feira, 11, por técnicas da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) com o propósito de estimular a prevenção, o diagnóstico e os cuidados com as principais emergências obstétricas, como a hemorragia pós-parto (HPP) e a Síndrome Hipertensiva Específica da Gestante (SHEG).

Na história da saúde pública do Pará, é a primeira vez que uma equipe de enfermagem de um novo hospital regional do governo do Estado é treinada pela Sespa para o início do serviço de assistência obstétrica. Desenvolvida dentro do próprio hospital, a atividade foi conduzida de acordo com o protocolo do Pacto pela Redução da Mortalidade Materna do Pará, lançado pelo Estado em 2019 com o objetivo de reduzir, até 2021, as mortes durante e pós-parto em até 30%. O trabalho será feito a partir de cinco componentes: gestão, assistência ao pré-natal, assistência ao parto, investigação do óbito e planejamento sexual e reprodutivo.

A diretora de Políticas de Atenção Integral à Saúde (Dpais) da Sespa, Sâmia Borges
Foto: Bruno Cecim (Agência Pará)

A diretora de Políticas de Atenção Integral à Saúde (Dpais) da Sespa, Sâmia Borges, explica que dois desses itens, o de gestão e a assistência ao parto, foram adotados aos profissionais do novo hospital. Por conta do pacto, segundo ela, o governo estadual está empenhado em gerar uma mudança de comportamento de profissionais para a atenção mais qualificada às emergências obstétricas. “Ao realizarmos a qualificação desses profissionais com base nas premissas da humanização do atendimento, estaremos dando a garantia de cidadania e um parto seguro às mulheres da região do Baixo Tocantins”, explica.

Conduzida por técnicas da Coordenação de Saúde da Mulher da Sespa, a capacitação foi dada durante oito horas a técnicos e profissionais de nível superior de Enfermagem no auditório do próprio hospital. No dia 18 de março, um treinamento semelhante será dado aos profissionais médicos da obstetrícia do hospital.

A médica obstetra Laíses Braga, uma das condutoras do treinamento

Uma das tutoras da atividade, a médica obstetra Laíses Braga, garante que a equipe que vai iniciar o atendimento em obstetrícia fará a diferença no cotidiano do serviço. “Sempre digo que conhecimento é poder. Então, é fundamental que as equipes estejam preparadas para atuar de modo coordenado nessas situações de emergência. No caso desses profissionais, creio que estarão mais eficientes para prestar assistência ao parto de risco habitual e suas complicações, que podem levar a morte da mulher”, disse.

A enfermeira Rosilene Moraes, que nasceu em Abaetetuba e trabalhará no hospital regional Santa Rosa.

Durante a capacitação, os profissionais puderam rever tópicos sobre os tipos de parto, humanização do parto e sobre violência obstétrica, visando as gestantes que serão atendidas no hospital regional. “Para mim, esse treinamento reforçou o nosso compromisso de prestar assistência acolhedora e segura às mulheres, para que elas tenham seus bebês da forma mais tranquila possível”, explica a enfermeira Rosilene Moraes, que nasceu em Abaetetuba e trabalhará no município, tal como a maioria dos profissionais que passaram pelo processo de seleção para atuação no hospital.

A técnica em Enfermagem, Ana Vasconcelos.

“Trabalhar aqui é uma grande oportunidade e uma forma de devolver à população e à nossa família a expectativa pelo nosso conhecimento adquirido. E esse treinamento, que eu nunca havia recebido dessa forma tão clara e prática, é um investimento que usarei aqui no dia a dia em Abaetetuba”, afirma a técnica em Enfermagem, Ana Vasconcelos, que já possui mais de 20 anos de carreira, com experiência em Unidades Básicas de Saúde e clínicas particulares na região do Baixo Tocantins.

O enfermeiro Jean Araújo acumula experiências como docente em cursos técnicos na área de saúde em Abaetetuba

Em seu primeiro emprego em ambiente hospitalar, o enfermeiro Jean Araújo acumula experiências como docente em cursos técnicos na área de saúde em Abaetetuba. Para ele, a oficina é uma oportunidade de absorver as práticas de profissionais experientes. “O saber é um exercício contínuo, principalmente quando trabalhamos para salvar vidas. Trata-se de um investimento que devemos aproveitar para desenvolver a sensibilidade de receber as gestantes de uma forma mais humana, acolhedora e tranquila”, destacou.

A técnica em Enfermagem Priscila Frazão

Com 10 anos de experiência na atenção primária em outros municípios da região do Baixo Tocantins, a técnica em Enfermagem Priscila Frazão destacou que o treinamento dado pela Sespa deixou claro que o serviço deve estar preparado e alinhado para os procedimentos a serem adotados, seja na humanização e no acolhimento da mulher que confiará o nascimento do seu bebê à equipe. “É uma responsabilidade muito grande e temos consciência que isso é fazer saúde pública de qualidade. Vamos trabalhar muito por isso”, frisou.

Para a técnica em Enfermagem Ana Maria Conceição, lidar de forma humana, transparente e profissional com situações delicadas que surgem no ambiente hospitalar, sobretudo com gestantes, são itens essenciais no exercício assistencial, além de ter considerado o treinamento uma oportunidade significativa para compartilhar conhecimento.

A técnica em Enfermagem Ana Maria Conceição, uma das participantes do treinamento.

“São momentos como este que atualizamos práticas e informações que mudarão o tratamento às pacientes, para que eles tenham os melhores resultados possíveis no parto e no trato ao recém-nascido”, disse.

O treinamento dado pela Sespa foi também acompanhado pelo enfermeiro e coordenador de Educação Permanente do Hospital Regional do Baixo Tocantins, David Fernando, também nascido e criado em Abaetetuba. Ele explica que uma das prioridades da administração do hospital será a de fortalecer e manter as estratégias de capacitação e qualificação de profissionais, de modo a estimular a integração do planejamento ascendente com o monitoramento e a avaliação das ações. “São instrumentos que vão repercutir de forma positiva no atendimento à população que acessar os serviços prestados por nós”, afirmou.

O treinamento dado pela Sespa foi também acompanhado pelo enfermeiro e coordenador de Educação Permanente do Hospital Regional do Baixo Tocantins, David Fernando, também nascido e criado em Abaetetuba.
Fotos: José Pantoja (Ascom/Sespa)

A capacitação ministrada em Abaetetuba compõe as estratégias para o alcance dos objetivos propostos pelo Pacto pela Redução da Mortalidade Materna do Pará, que até o momento já obteve a implementação da notificação do óbito em até 24 horas e a investigação das causas de morte materna em até 30 dias. “Além disso, ampliamos o contato com profissionais das salas obstétricas dos hospitais para eventuais trocas de informações sobre casos envolvendo gestantes e o acesso à assistência hospitalar”, destaca Sâmia Borges, ao lembrar que de dezembro de 2019 a março deste ano já foram qualificados 200 profissionais de obstetrícia no Estado, entre médicos, enfermeiros e técnicos de Enfermagem, pela estratégia Zero Morte Materna, desenvolvida pela parceria entre Sespa e Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) no Brasil.

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