Programa Obesidade Zero chega a 51 procedimentos em apenas quatro meses

As cirurgias, quando indicadas pela equipe médica, são realizadas nos hospitais públicos estaduais Jean Bitar e Galileu

Em quatro meses de implantação, o Programa Obesidade Zero, do Governo do Pará, realizou 51 procedimentos de cirurgias bariátricas no Hospital Jean Bitar, em Belém, com assistência no pré e pós-operatório, oferecido por equipe multiprofissional composta por psicólogos, endocrinologistas, nutricionistas, pneumologistas, cardiologistas, anestesistas e assistentes sociais, além de cirurgião plástico para cirurgia reparadora.

Nas consultas, os pacientes recebem orientações sobre dieta alimentar, retorno às atividades laborais, realização de exercícios físicos e cuidados locais com o procedimento, bem como orientação psicológica em relação aos novos hábitos.

O médico Carlos Armando Ribeiro, cirurgião bariátrico responsável pela coordenação do “Obesidade Zero”, explica que mesmo durante a pandemia de Covid-19 foi possível manter o cronograma de procedimentos, ainda que em menor número do que previa a meta inicial, de 40 por mês. O perfil do paciente candidato à cirurgia inclui Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 35 com comorbidades ou maior que 40, com ou sem comorbidades. A intensidade do preparatório cirúrgico depende das doenças associadas.

“Trata-se de um pré-operatório diferente de outras cirurgias. Além do acompanhamento multidisciplinar que confirma se o caso é cirúrgico ou clínico, não é incomum que alguns pacientes, inclusive, precisem perder peso antes de operar, diminuindo os riscos da cirurgia, por vezes até mesmo com o auxílio da implantação de um balão. Atualmente, fazemos 20 procedimentos ao mês, justamente por conta da necessidade dessa preparação. A rotatividade da cirurgia aumentou muito, encurtou o tempo de espera, mas há muitos cuidados prévios e específicos, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS)”, detalha o médico. Antes do programa, a média de bariátricas realizadas pela rede pública era de oito ao mês.

Eficiência – Se ocorrer tudo bem na cirurgia, o paciente retorna para avaliações em 15 dias, um mês após o procedimento, em três meses, seis meses e, finalmente, faz somente consultas anuais. “Ele já sai do hospital com a dieta pós-cirúrgica, sabendo o que vai comer nos primeiros 30 dias. Havendo alguma intercorrência nesse período inicial, o suporte é no próprio ‘Jean Bitar’, e o que geralmente ocorre, quando ocorre, são complicações perioperatórias relacionadas às doenças ligadas à obesidade, e também devido aos riscos da pandemia”, detalha o médico Carlos Armando Ribeiro.

A médica Gabriela Pinage Soares, 26 anos, se inscreveu no programa em setembro passado, e no dia 29 de dezembro fez a cirurgia, pesando 108,7 kg. Ela havia tentado fazer pelo plano de saúde, mas a carência lhe exigiu mais um ano e meio de espera. Ela ficou impressionada com a rapidez do sistema público. “Da última vez que me pesei já havia perdido 14,6 kg. Sou da área da Saúde, e lembro de me surpreender, a cada consulta, com o quanto tudo era organizado, com o quanto as pessoas trabalham de bom humor, te ajudando realmente a fazer as coisas da melhor forma”, relata. “Achei muito bacana essa iniciativa de zerar as filas, e acho que o tratamento mesmo de obesidade deve ser mais expandido, inclusive na linha da prevenção”, sugere Gabriela Soares.

Funcionamento – O Programa Obesidade Zero busca acelerar o acesso gratuito à cirurgia bariátrica a pacientes diagnosticados com a necessidade de intervenção médica. O programa pretende realizar 480 cirurgias bariátricas por ano no sistema público de saúde, por meio de videolaparoscopia. Pioneira no Brasil, a iniciativa tem como público-alvo o paciente obeso, com ou sem outros problemas de saúde. Todos precisam passar por uma avaliação médica para saber se há indicação para o procedimento. As cirurgias são realizadas nos hospitais públicos Jean Bitar e Galileu, que integram a rede estadual de saúde na capital paraense.

O primeiro passo para o paciente ser atendido é acessar, pelo site da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), o hotsite do Programa, desenvolvido em parceria com a Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Pará (Prodepa).

No ambiente virtual é possível esclarecer dúvidas sobre o procedimento e fazer uma autoavaliação, por meio do cálculo do IMC, e também respondendo a algumas perguntas, que informarão ao paciente, naquele mesmo momento, se ele tem ou não indicação para fazer a cirurgia bariátrica.

Se houver necessidade, é possível marcar o atendimento pelo próprio site e receber a confirmação do hospital, informando dia e horário que deverá comparecer à consulta. De forma rápida e prática, o paciente terá acesso a sua avaliação médica. No site, o usuário consegue ainda acessar o Guia Cirurgia Bariátrica.

São candidatas à cirurgia bariátrica pessoas com Índice de Massa Corporal igual ou superior a 40 kg/m2, e aqueles com IMC entre 35 e 40 kg/m2 que tenham pelo menos uma doença associada à obesidade – diabetes, pressão alta, colesterol alto, gordura no fígado, artrose ou doenças nos vasos sanguíneos das pernas.

Texto: Carol Menezes/Secom

Foto: Marcelo Seabra/Ag. Pará

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